Conab amplia produtos e público do Venda em Balcão para apoiar criadores

Nova regra permite comercialização de sorgo, caroço de algodão e farelos de soja e milho; cooperativas e associações da agricultura familiar também poderão participar
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Uma mudança recente nas regras do Programa de Venda em Balcão (ProVB), da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), ampliou tanto a lista de produtos que podem ser comercializados quanto o público que pode ter acesso ao programa.

A alteração foi confirmada pela Conab nesta terça-feira, 18 de agosto, após a entrada em vigor de uma nova lei. Além do milho em grãos, tradicionalmente comercializado pelo programa, passam a estar entre os produtos autorizados sorgo, caroço de algodão, farelo de soja e farelo de milho, entre outros itens destinados à alimentação animal.

A mudança pode ter impacto especialmente para pequenos criadores, que utilizam esses produtos na formulação de rações e precisam lidar diariamente com o custo da alimentação dos animais.

Mais opções para formar a ração

O milho continua sendo um dos principais ingredientes utilizados na alimentação de aves, suínos, bovinos e outros animais.

Agora, com a ampliação da lista, o programa passa a contemplar também matérias-primas que podem ser utilizadas isoladamente ou combinadas na formulação das rações.

Entre elas estão:

* sorgo;
* caroço de algodão;
* farelo de soja;
* farelo de milho;
* além de outros produtos autorizados pela nova legislação.

A diversificação é importante porque permite que os criadores tenham mais alternativas de matéria-prima, reduzindo a dependência de um único produto.

Na prática, isso pode ser especialmente relevante em períodos em que o preço ou a disponibilidade do milho sofrem alterações.

Quem pode comprar pelo programa?

O Venda em Balcão continua atendendo pequenos criadores, desde que sejam cumpridas as regras de cadastramento e regularidade estabelecidas pelo programa.

A novidade é que o acesso também foi ampliado para cooperativas agropecuárias e associações de agricultores familiares que tenham o Cadastro Nacional da Agricultura Familiar (CAF) ativo, ou outro documento que venha a substituí-lo.

Essa ampliação cria uma possibilidade de compra coletiva e pode fortalecer organizações que reúnem pequenos produtores.

Para essas entidades, a medida pode facilitar o acesso a insumos utilizados na alimentação dos animais e contribuir para reduzir a pressão dos custos sobre as atividades produtivas.

Limite para compra de milho continua

Apesar da ampliação do programa, o limite mensal para aquisição do milho comercializado pelo Venda em Balcão permanece em 27 toneladas para pequenos criadores.

Para cooperativas agropecuárias e associações da agricultura familiar, o limite será de até 80 toneladas por mês.

Já para os demais produtos destinados à alimentação animal, a quantidade máxima que cada criador poderá adquirir será definida anualmente por ato conjunto dos Ministérios do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar, da Agricultura e Pecuária e da Fazenda.

O que muda para quem produz carne, leite e ovos?

O custo da alimentação é um dos principais componentes da produção animal.

Em atividades como avicultura, suinocultura e produção de leite, alterações nos preços dos ingredientes utilizados na ração podem afetar diretamente a margem do produtor.

Por isso, o acesso a produtos comercializados pela Conab pode funcionar como uma alternativa para determinados criadores que atendam aos critérios do programa.

É importante destacar, porém, que a medida não significa que todos os produtores terão ração mais barata automaticamente.

O preço de venda dos produtos da Conab depende das condições das operações, da disponibilidade dos estoques e das regras estabelecidas para cada produto e localidade.

Efeito pode chegar ao consumidor

A alimentação animal também tem uma relação direta com quem está fora do campo.

O custo para produzir uma tonelada de carne, uma dúzia de ovos ou um litro de leite envolve diversos fatores — e a alimentação dos animais é um deles.

Quando o produtor consegue acessar matérias-primas em condições mais favoráveis, pode haver redução da pressão sobre os custos da atividade.

Isso não significa que o preço no supermercado vá cair imediatamente. O valor final também depende de transporte, energia, mão de obra, processamento, impostos, distribuição, oferta e demanda.

Mas reduzir a pressão sobre o custo de produção ajuda a tornar a cadeia de alimentos mais previsível.

Programa também ajuda a formar estoques

A nova legislação não trata apenas da venda dos produtos aos criadores.

Segundo a Conab, a mudança também cria mecanismos para formação de estoques estratégicos de alimentos, ampliando o papel do programa na segurança do abastecimento.

A ideia é permitir que o governo tenha instrumentos para atuar em momentos de maior necessidade, utilizando estoques públicos de produtos destinados à alimentação animal.

Essa função ganha importância em períodos de oferta mais apertada ou de forte oscilação de preços.

Uma política voltada para os pequenos

O Venda em Balcão foi criado para permitir que pequenos criadores tenham acesso direto a produtos dos estoques públicos da Conab, em condições estabelecidas pelo programa.

Com a nova legislação, a política passa a ter um alcance maior, tanto em relação aos produtos disponíveis quanto às organizações que podem participar.

Para a agricultura familiar, a inclusão de cooperativas e associações com CAF ativo pode representar uma oportunidade adicional de organização das compras e de acesso a insumos.

Para o consumidor, o efeito mais importante está em outro ponto: quanto mais estruturada e previsível for a alimentação dos animais, maior tende a ser a capacidade de pequenos produtores manterem sua produção de carne, leite e ovos.

A Conab informou que a operacionalização seguirá as regras do programa e os procedimentos de cadastramento e aquisição definidos para cada produto.

Fonte: Companhia Nacional de Abastecimento (Conab).

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