Para quem precisa tomar medicamentos todos os meses, o preço dos remédios pode comprometer uma parte importante do orçamento. É o caso da aposentada Rosa Pereira da Silva. Ela usa medicamentos para o marcapasso, pressão alta e diabetes e conta que os comprimidos acabam antes mesmo de completar 15 dias.
“Eu tomo remédio para marcapasso, pressão e diabetes. Eu pago nos meus remédios R$ 75 e ele R$ 85. Não dura nem 15 dias. Meu salário todo vai para isso, tem vez que nem consigo comprar”, relata.

A situação vivida por dona Rosa ajuda a mostrar a importância de pesquisar antes de comprar. Um levantamento realizado pelo Mercado Mineiro, nos dias 28 e 29 de julho de 2026, em seis grandes redes de drogarias de Belo Horizonte e da Grande BH, encontrou diferenças expressivas nos preços de medicamentos.
A pesquisa comparou 23 apresentações que tinham preços disponíveis tanto para medicamentos de referência quanto para versões genéricas, considerando produtos com a mesma concentração, quantidade e apresentação.
Se o consumidor comprasse uma unidade de cada um dos 23 medicamentos de referência pesquisados, gastaria, em média, R$ 1.669,51. Já as respectivas versões genéricas custariam cerca de R$ 248,19.
A diferença chega a R$ 1.421,32, uma economia potencial de 85,13%.
Sildenafila tem diferença de mais de 11 mil por cento
Um dos casos mais extremos foi encontrado no citrato de sildenafila de 50 mg, princípio ativo utilizado no tratamento da disfunção erétil.
Na apresentação com quatro comprimidos, o menor preço encontrado foi de R$ 1,29, enquanto o maior chegou a R$ 152,55. A diferença de R$ 151,26 representa uma variação de impressionantes 11.725%.
A diferença também foi muito grande na nimesulida, medicamento utilizado para aliviar dores e inflamações. Os preços encontrados variaram de R$ 1,46 a R$ 71,99, uma diferença de 4.830,82%.
Na losartana potássica, usada principalmente no controle da pressão arterial, os valores ficaram entre R$ 1,93 e R$ 64,99, com variação de 3.267,36%.
Já a tadalafila de 5 mg, também utilizada no tratamento da disfunção erétil, apresentou preços entre R$ 8,29 e R$ 248,85, uma diferença de 2.901,81%.
A atorvastatina, utilizada para controlar os níveis de colesterol e auxiliar na prevenção de doenças cardiovasculares, teve valores entre R$ 6,92 e R$ 151,99, uma variação de 2.096,39%.
Genéricos podem representar grande economia
Além da diferença entre uma drogaria e outra, o levantamento mostrou uma distância significativa entre medicamentos de referência e genéricos.
Em 19 dos 23 comparativos, a versão genérica apresentou economia superior a 50%. Em 15 casos, a redução passou de 70%; em dez, ultrapassou 80%; e em sete comparações, ficou acima de 90%.

A maior diferença percentual foi encontrada novamente no citrato de sildenafila de 50 mg. O medicamento de referência apresentou preço médio de R$ 137,44, enquanto o genérico ficou em R$ 5,02. A economia chegou a 96,35%.
Na tadalafila de 5 mg, o preço médio do medicamento de referência foi de R$ 222,16, contra R$ 13,70 do genérico. A redução foi de 93,83%.
Outro destaque foi a rosuvastatina cálcica de 20 mg, usada para controlar o colesterol. O preço médio do medicamento de referência foi de R$ 361, enquanto o genérico custou R$ 25,74.
Nesse caso, a economia foi de R$ 335,26 por embalagem, a maior diferença em valores absolutos encontrada no levantamento, com redução de 92,87%.
Também foram registradas economias de 92,86% na nimesulida e de 92,69% na losartana potássica. A tadalafila de 20 mg apresentou redução de 91,32%, enquanto outra apresentação do citrato de sildenafila de 50 mg teve diferença de 90,34%.
Até entre os genéricos existe diferença
O levantamento mostra ainda que escolher o genérico não significa automaticamente encontrar o menor preço.
Segundo Feliciano Abreu, responsável pela pesquisa, o consumidor precisa comparar os valores mesmo quando decide comprar um medicamento genérico.
“O consumidor tem que lembrar que até mesmo esse remédio quando ele é referência tem variações superiores de 100% entre as drogarias, assim também como genéricos. Se o consumidor optar pelo genérico, não quer dizer que todos os locais que ele for comprar ele vai encontrar o genérico bem mais barato. Ele tem que comparar para ver o preço entre as drogarias do genérico”, explica.
Na nimesulida genérica, por exemplo, os preços encontrados variaram de R$ 1,46 a R$ 6,91, uma diferença de 373,29%.
Na furosemida genérica, utilizada principalmente no tratamento da retenção de líquidos e de algumas condições relacionadas à pressão arterial e ao coração, os preços ficaram entre R$ 1,82 e R$ 8,36, uma variação de 359,34%.
Pesquisa pode representar economia para quem compra todo mês
Para Feliciano Abreu, a pesquisa de preços pode ter impacto ainda maior para quem utiliza medicamentos continuamente.
“A pesquisa realmente é surpreendente. Hoje, a economia, quando você faz pesquisa em três ou quatro drogarias ou sites das drogarias, você realmente economiza muito. Em torno de 30% a 40%, principalmente para quem toma medicamentos com frequência, medicamentos de uso contínuo. Por isso que é sempre bom pesquisar”, afirma.
Ele também destaca que não existe necessariamente uma única drogaria que seja sempre a mais barata para todos os produtos.
“Não existe drogaria mais barata. Existe aquele remédio que naquele período está mais em conta de uma drogaria para outra”, explica.
Diferença de preços pode pesar no orçamento
No caso de dona Rosa, a necessidade de comprar medicamentos regularmente faz com que qualquer diferença tenha impacto direto no orçamento.
A aposentada conta que os remédios utilizados por ela e pelo marido podem acabar em menos de 15 dias, fazendo com que a despesa se repita ao longo do mês.
O levantamento reforça que, para consumidores nessa situação, comparar os preços pode representar uma economia importante ao longo do ano. Uma diferença pequena em cada embalagem pode se transformar em um valor significativo quando a compra é feita todos os meses.
As médias da pesquisa foram calculadas com base nos preços disponíveis em cada drogaria. Produtos com poucas cotações devem ser interpretados com maior cautela.
Também é necessário verificar se concentração, quantidade, forma farmacêutica e características específicas, como liberação prolongada, são realmente equivalentes antes de comparar os preços.

Troca de medicamento deve ter orientação
Apesar das diferenças encontradas, a pesquisa não significa que o consumidor deva trocar um medicamento por outro apenas porque encontrou uma opção mais barata.
A substituição de medicamento ou fabricante deve ser feita com orientação e conhecimento do médico responsável pelo tratamento.
A principal orientação é pesquisar antes da compra. Para quem precisa usar medicamentos todos os meses, comparar preços em diferentes drogarias e também verificar os valores dos genéricos pode representar uma economia significativa no orçamento.