Nick Kyrgios, 31, está suspenso provisoriamente do tênis profissional após testar positivo para cocaína. O australiano, finalista de Wimbledon em 2022, reagiu ao resultado com um longo desabafo nas redes sociais, no qual admitiu ter enfrentado automutilação, abuso de álcool e drogas e graves crises pessoais.
A suspensão foi aplicada pela Agência Internacional de Integridade do Tênis (ITIA) e está em vigor desde 4 de agosto de 2026. O caso interrompe novamente a tentativa do tenista de retomar a carreira após uma sequência de lesões e coloca em dúvida seu futuro imediato no circuito.
Kyrgios também anunciou que ficará 28 dias afastado das redes sociais e da vida pública para se concentrar na recuperação pessoal enquanto o processo disciplinar segue em andamento.
Teste positivo e suspensão provisória
A amostra de urina de Kyrgios foi coletada em 22 de junho de 2026, durante um evento na Espanha. A análise identificou benzoilecgonina, metabólito da cocaína.
A substância é classificada como estimulante e de abuso na lista proibida da Agência Mundial Antidoping (Wada) e é proibida em competições pelo Programa Antidoping do Tênis.
Após a confirmação do resultado, a ITIA aplicou a suspensão provisória obrigatória.
“Devido à natureza da substância, a suspensão provisória é obrigatória e está em vigor desde 4 de agosto de 2026”, informou a entidade.
A agência também explicou que a cocaína integra a lista de substâncias proibidas e que, quando o uso de uma substância de abuso ocorre fora de competição, as regras antidoping permitem sanções diferentes, dependendo das circunstâncias do caso.
Com a suspensão, Kyrgios fica impedido de disputar torneios enquanto o processo disciplinar não for concluído.

“Foi um grande erro”, admite Kyrgios
Pouco depois da divulgação do caso, o tenista publicou um longo relato nas redes sociais. Kyrgios pediu desculpas a familiares e amigos e reconheceu que cometeu um erro.
“Não vou dar desculpas, mas quero contextualizar um pouco o que aconteceu comigo. Os últimos dois anos de lesões me afetaram muito, tanto física quanto mentalmente”, escreveu.
O relato, porém, foi muito além do teste positivo. Kyrgios afirmou que atravessou um período de forte sofrimento emocional e revelou episódios de automutilação.
“Foi muito sério, a ponto de eu me automutilar, e isso não está certo. Acho que afastei todos que se importavam comigo, não me comuniquei com ninguém e simplesmente me isolei da vida real, tentando lidar com meus problemas de frente”, afirmou.
O australiano também descreveu episódios em que se cortava e se queimava, além de mencionar comportamentos que classificou como “bem bizarros”.
Abuso de álcool e drogas também foi revelado
Kyrgios afirmou ainda que o consumo de álcool e drogas saiu do controle durante o período de crise.
“Eu abusava muito de álcool e drogas, e isso saiu completamente do controle. Agora, quase não bebo, literalmente tomo uma taça de vinho no jantar”, relatou.
Segundo o tenista, uma das prioridades passou a ser a recuperação e a reconstrução da relação com a família.
“Inicialmente, precisei me recuperar um pouco desse vício, reconstruir meu relacionamento com a minha família e adotar hábitos mais saudáveis”, afirmou.

“Para ser honesto, eu me sentia inútil, não me sentia confortável, cheguei a odiar minha vida em certo momento”, disse.
O jogador afirmou ainda que sentia que muitas pessoas estavam interessadas apenas no personagem do “jogador maluco”, e não nele como pessoa.
Afastamento de 28 dias
Como parte da tentativa de reorganizar a vida pessoal, Kyrgios anunciou que ficará 28 dias longe das redes sociais e da exposição pública.
O afastamento ocorre enquanto a ITIA conduz o processo disciplinar relacionado ao teste positivo para cocaína.
A situação também abriu uma discussão sobre a maneira como o esporte de alto rendimento lida com saúde mental, dependência química e automutilação.
Kyrgios já tinha um histórico público de conflitos em quadra, discussões com árbitros, explosões emocionais e períodos de afastamento. As novas revelações, no entanto, apresentaram uma dimensão mais profunda das dificuldades que enfrentava fora das competições.
Suspensão coloca carreira novamente em risco
A punição ocorre justamente quando Kyrgios tentava recuperar espaço no circuito depois de sucessivos problemas físicos.
O australiano passou por longos períodos afastado das competições por causa de lesões, o que dificultou a manutenção do ritmo e da posição no ranking.

Agora, a suspensão acrescenta um novo obstáculo. Enquanto permanecer afastado, Kyrgios não poderá disputar torneios e corre o risco de perder posições no ranking da ATP conforme outros jogadores acumulam pontos.
Quando estiver novamente elegível, poderá enfrentar dificuldades para entrar diretamente em competições e precisar de convites ou classificatórios, dependendo de sua posição naquele momento.
O que acontece agora?
O processo da ITIA ainda está em andamento. A entidade deverá analisar as circunstâncias do resultado, ouvir a defesa do atleta e determinar a punição definitiva.
As regras antidoping estabelecem tratamentos diferentes para substâncias consideradas de abuso dependendo de fatores como o momento do uso, a finalidade e as circunstâncias apresentadas no processo.
Por isso, a suspensão provisória não determina, por si só, qual será a pena final de Kyrgios.
Enquanto aguarda uma decisão, o australiano terá de lidar simultaneamente com as consequências esportivas do caso e com o processo pessoal que decidiu tornar público.
A revelação de problemas que antes ficavam restritos à esfera privada também muda a maneira como sua carreira é observada. O jogador que durante anos ficou conhecido pelas polêmicas em quadra agora expõe uma trajetória marcada por sofrimento emocional, dependência e tentativa de recuperação.