Carrascal reage no Flamengo após período turbulento; meia ganha força antes de jogo decisivo

Colombiano voltou a aparecer bem justamente quando o time precisa de respostas, depois de meses marcados por suspensões e atuações irregulares.
Redação NC News
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Jorge Carrascal atravessa a temporada como um dos símbolos das contradições do Flamengo. O meia colombiano soma três expulsões e sete jogos de suspensão, mas reaparece em alta com gol e duas assistências justamente na reta decisiva do ano.

A atuação recente na goleada sobre o Mirassol, no Maracanã, interrompe um jejum incômodo e reabre a discussão sobre seu papel no time. Em um elenco sem reforços na última janela, o despertar do camisa 10 ganha peso imediato no Brasileirão e na Libertadores.

Expulsões em série e um Flamengo mais frágil

A temporada de Carrascal até aqui se conta também pelos jogos em que ele não entra em campo. São três cartões vermelhos, dois em competições nacionais e um na Supercopa, que se desdobram em sete partidas de gancho. O Flamengo precisou se reorganizar sem um de seus jogadores mais criativos em momentos-chave.

O episódio mais recente ocorre contra o Palmeiras, em jogo de Campeonato Brasileiro. A reincidência pesa no julgamento do Superior Tribunal de Justiça Desportiva, que aplica suspensão de três partidas. Antes disso, o meia já cumprira dois jogos de punição por um vermelho no Brasileirão e outros dois pela expulsão na Supercopa.

Na prática, o Flamengo passa longos trechos da temporada sem o colombiano. Desde o gol marcado na vitória por 1 a 0 sobre o Grêmio, em 10 de maio, ele participa de apenas oito partidas até reencontrar as redes. Parte desse intervalo se explica pela pausa do calendário, mas o número de suspensões explicita um problema de disciplina que irrita a comissão técnica.

Gol, duas assistências e um gesto de recomeço

O reencontro de Carrascal com o gol vem em grande estilo. Diante do Mirassol, ele abre o placar, dá duas assistências e participa de quase tudo que o Flamengo cria. Na comemoração, o gesto de “xô, zica” traduz o alívio de quem volta a ser decisivo depois de mais de três meses sem balançar a rede.

O desempenho não se limita a números. Em uma arrancada pelo meio, o colombiano força o volante rival a cometer falta e por pouco não provoca uma expulsão. O árbitro opta por manter o cartão amarelo, em decisão contestada em campo. O lance reforça uma mudança de papel: Carrascal deixa de ser o protagonista das polêmicas disciplinares e volta a ser o jogador que desequilibra tecnicamente.

A resposta já vinha se desenhando na rodada anterior do Brasileirão, contra o Vitória. Titular, o meia participa diretamente da jogada do gol de Bruno Henrique, aparecendo entre linhas para acelerar o ataque. O acúmulo de boas atuações recoloca seu nome no centro do projeto esportivo para a reta final da temporada.

Confiança, falta de reforços e pressão por resultados

Leonardo Jardim trabalha para transformar o bom momento em rotina. O treinador vocaliza em público a estratégia de cercar o colombiano de confiança, numa tentativa de estabilizar o emocional do jogador e reduzir o risco de novas expulsões.

“Temos de dar confiança a esses jogadores. O Carrascal é um jogador importante para nós, o Ayrton Lucas também. Cremos que devemos seguir também esse caminho com alguns jovens que vão aparecendo e trabalhando conosco”, afirma o técnico, ao justificar a manutenção da base do time.

A postura tem contexto. O Flamengo atravessa a fase mais intensa do calendário sem se reforçar na última janela de transferências. O clube aposta na recuperação de atletas em oscilação e na integração de jovens da base para sustentar o nível competitivo. No meio-campo e no ataque, setores mais afetados pelas ausências do colombiano, qualquer queda de rendimento pesa.

Quando Carrascal não está em campo, o time perde um articulador capaz de quebrar linhas com condução e passe vertical. Sem reposição à altura, Leonardo Jardim é obrigado a redesenhar a equipe, ora aproximando um segundo atacante, ora recuando um ponta para construir. A margem de erro diminui, e cada cartão vermelho do colombiano amplia a cobrança da torcida.

Libertadores, reta final e o teste de maturidade

A partida contra o Cruzeiro, nesta noite, no Maracanã, pela Libertadores, se transforma em espécie de exame final para essa nova versão de Jorge Carrascal. O Flamengo entra em mata-mata continental, ao mesmo tempo em que se aproxima da fase decisiva do Brasileirão, precisando de seu meia em campo, não nas arquibancadas.

Internamente, o discurso é de reconstrução. A comissão técnica insiste em rotinas de conversa individual, vídeos e orientações específicas para controlar o ímpeto do colombiano sem podar sua agressividade esportiva. O objetivo é simples: manter o jogador competitivo, mas menos vulnerável a perder o controle em jogos grandes.

Se a guinada recente se sustentar, Carrascal pode mudar o enredo de sua temporada. Um meia capaz de definir jogos em momentos decisivos vale mais que qualquer reforço improvável nesta altura do ano. O Flamengo, pressionado por títulos, precisa da versão protagonista, não da caricatura indisciplinada que dominou os primeiros meses.

O outro cenário também está na mesa. Nova expulsão em mata-mata ou na sequência do Brasileirão reacenderia críticas, desgastaria o jogador com a torcida e complicaria uma equipe já curta em opções. Entre o talento e o comportamento, a temporada do colombiano chega ao ponto em que cada jogo, cada dividida, cada decisão em segundos pode determinar como ele será lembrado quando o ano acabar.

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