Corinthians vence na raça, sobrevive com um a menos e mantém vivo o último sonho de 2026

Mesmo com a vitória no jogo, o Corinthians é eliminado pelo Internacional nos critérios do agregado.
Redação NC News
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O Corinthians não jogou bem. Mas jogou o suficiente para continuar vivo.

Na noite desta quinta-feira (20), o Timão venceu o Rosario Central por 1 a 0, na Neo Química Arena, e garantiu uma vaga nas quartas de final da Libertadores. Depois do empate sem gols na Argentina, a equipe precisava apenas de uma vitória simples em casa — e conseguiu exatamente isso, embora tenha transformado os minutos finais em um teste de resistência.

Foi uma classificação que diz mais sobre o espírito competitivo do Corinthians do que sobre a qualidade do futebol apresentado. O time voltou a sofrer com uma expulsão, teve dificuldades para controlar o meio-campo e criou pouco durante boa parte da partida. Quando parecia caminhar para uma noite de nervosismo, porém, Memphis Depay voltou ao campo depois de quase três meses e participou diretamente do gol que decidiu o confronto.

Breno Bidon marcou o gol da classificação aos 34 minutos do segundo tempo, após assistência de Memphis. E, depois disso, foi preciso sobreviver.

O Corinthians encontrou a classificação justamente quando ficou com dez

O roteiro parecia caminhar para mais uma noite complicada.

O Corinthians tinha a vantagem de jogar diante de sua torcida e vinha de um empate por 0 a 0 na Argentina. Mas, em vez de controlar a partida, encontrou um Rosario Central confortável para disputar o meio-campo e diminuir o ritmo do jogo.

A melhor oportunidade corintiana no início veio aos 13 minutos, quando Kaio César finalizou com perigo. Foi pouco. O Timão até finalizou mais vezes, mas não conseguiu transformar volume em chances realmente claras. O Rosario Central, por outro lado, conseguiu administrar a partida e explorar a ansiedade dos donos da casa.

O problema aumentou no segundo tempo. Aos 12 minutos, Raniele foi expulso após revisão do VAR, depois de acertar a coxa de Copetti com a trava da chuteira. Mais uma vez, o Corinthians teria de jogar uma partida decisiva de Libertadores com um jogador a menos. Na ida, Allan já havia recebido cartão vermelho aos 34 minutos. Desta vez, Raniele caiu mais cedo e deixou o time em uma situação ainda mais delicada.

Corinthians x Rosario Central pela Libertadores | Foto: Reprodução

Memphis voltou quando o Corinthians mais precisava

Foi então que Fernando Diniz decidiu mexer no time. Aos 24 minutos, Memphis Depay entrou em campo. A reação da Neo Química Arena foi imediata.

O holandês não atuava pelo Corinthians desde 27 de maio, quando o clube perdeu para o Platense pela fase de grupos da Libertadores. Seu retorno, portanto, já seria uma das principais histórias da noite, mas ele não voltou apenas para fazer número.

Dez minutos depois de entrar, Memphis recebeu e encontrou Breno Bidon, que se antecipou à marcação e tocou para o fundo das redes. Gol. Explosão na Neo Química Arena e uma classificação que, até aquele momento, parecia cada vez mais distante.

Para Memphis, foi também o primeiro envolvimento direto em um gol do Corinthians desde março. A assistência recoloca o atacante no centro das atenções justamente no momento em que o clube mais precisava de uma referência técnica.

Depay não jogava há quase três meses | Foto: Reprodução

Depois do gol, foi hora de defender

O 1 a 0 mudou completamente o jogo. O Rosario Central precisava marcar e passou a ocupar o campo de ataque. O Corinthians, com um jogador a menos, recuou. Fernando Diniz rapidamente percebeu que não era mais hora de procurar espetáculo. Era hora de proteger o resultado.

Breno Bidon saiu para a entrada de João Pedro Tchoca, reforçando o sistema defensivo. Depois, Kaio César deu lugar a Charles. O Corinthians praticamente abandonou qualquer pretensão de controlar a partida com a bola. A missão passou a ser sobreviver. E foi isso que aconteceu.

Com a torcida empurrando e os jogadores se multiplicando na marcação, o Timão segurou o Rosario Central até o apito final. Não foi uma atuação brilhante. Foi uma atuação de resistência.

A Libertadores virou o último grande objetivo

A classificação ganha ainda mais peso porque a Libertadores representa, neste momento, o único título que o Corinthians ainda pode conquistar em 2026. Isso muda a dimensão de cada jogo.

O time não precisa necessariamente jogar bonito para continuar avançando. Precisa encontrar maneiras de sobreviver aos momentos ruins — e foi exatamente isso que fez contra o Rosario Central.

A atuação, porém, também deixa sinais de alerta. O Corinthians criou pouco, sofreu para controlar o meio-campo e novamente terminou uma partida decisiva com um jogador expulso. Contra adversários mais fortes, esse tipo de comportamento pode custar caro.

A classificação não apaga os problemas. Mas dá ao time algo que, em uma competição eliminatória, vale quase tanto quanto uma boa atuação: tempo para corrigir.

Breno Bidon marca após assistência de Depay | Foto: Reprodução

Agora vem o Estudiantes

O próximo obstáculo será argentino novamente. O Corinthians enfrentará o Estudiantes, com o primeiro jogo em La Plata e a decisão na Neo Química Arena. E o confronto terá uma diferença importante: o Timão chegará às quartas de final carregando a confiança de ter eliminado o Rosario Central, mas também sabendo que precisará melhorar bastante para continuar avançando.

O Estudiantes terá pela frente um Corinthians que talvez não esteja jogando seu melhor futebol, mas que acabou de mostrar uma característica perigosa em mata-mata: quando tudo parece dar errado, o time ainda encontra uma maneira de sobreviver.


ENTENDA O CONTEXTO

O Corinthians chega às quartas de final da Libertadores pela segunda vez desde a conquista do torneio, em 2012. A classificação sobre o Rosario Central veio depois de dois jogos equilibrados: empate sem gols na Argentina e vitória por 1 a 0 em São Paulo.

O confronto também repetiu um problema que já havia aparecido na partida de ida, com uma expulsão corintiana. Agora, o clube terá pela frente o Estudiantes, da Argentina, e decidirá novamente a classificação em casa. A equipe de Fernando Diniz terá de encontrar um equilíbrio entre a competitividade demonstrada no mata-mata e a necessidade de apresentar um futebol mais consistente diante de adversários que tendem a punir erros com maior intensidade.

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