A corrida eleitoral de 2026 começou oficialmente, e as primeiras pesquisas divulgadas nesta semana já desenham um mapa bastante desigual da disputa pelos governos estaduais e pelas duas vagas ao Senado que estarão em jogo em cada estado.
Levantamentos realizados por institutos como AtlasIntel, RealTime Big Data e Paraná Pesquisas mostram desde lideranças confortáveis até disputas praticamente emboladas. Em alguns lugares, a distância entre os primeiros colocados é tão pequena que a margem de erro muda completamente a fotografia da eleição.
Pesquisas
Nesta semana, pesquisas recentes contemplaram Pará, Distrito Federal, São Paulo, Goiás, Paraná, Pernambuco, Ceará e Bahia. No Senado, o cenário também começa a ganhar contornos, mas com uma particularidade: em 2026, cada estado elegerá dois senadores.
O resultado é um mapa eleitoral que ainda está longe de representar uma eleição definida, mas já permite identificar onde os candidatos começam a campanha com vantagem e onde a disputa promete ser mais dura.
Pará: Hana Ghassan aparece perto dos 50%
No Pará, a pesquisa AtlasIntel divulgada em 20 de agosto coloca Hana Ghassan (MDB) na liderança da disputa pelo governo estadual, com 48,6% das intenções de voto.
O principal adversário é Daniel Santos (Podemos), com 40,5%. Araceli Lemos (PSOL) aparece muito distante, com 1,4%.
A diferença entre Hana e Daniel é de 8,1 pontos percentuais. O levantamento, porém, tem margem de erro de 3 pontos, o que exige cautela na interpretação do cenário.
Quando considerados apenas os votos válidos, Hana chega a 53,3%, contra 44,4% de Daniel. A pesquisa ouviu 1.197 eleitores entre 14 e 19 de agosto e está registrada no TSE sob o número PA-04533/2026.
Senado no Pará
Na disputa pelas duas cadeiras do Senado, Helder Barbalho (MDB) aparece na frente, com 24%. Éder Mauro (PL) tem 18,4%, seguido por Zequinha Marinho (Podemos), com 14,6%, Celso Sabino (PDT), com 12,4%, e Chicão (União Brasil), com 10,5%.
Distrito Federal: Celina lidera, enquanto Senado tem disputa aberta
No Distrito Federal, Celina Leão (PP) aparece na liderança da corrida pelo Palácio do Buriti.
A governadora registra 34%, seguida por José Roberto Arruda (PSD), com 22%, e Leandro Grass (PT), com 18%.

O levantamento também testou outros cenários. Em uma simulação sem Arruda, Celina chega a 45%, enquanto Grass aparece com 20%.
A disputa pelo Senado, porém, apresenta um cenário diferente.
Michelle Bolsonaro (PL) lidera com 25%. Leila do Vôlei (PDT) aparece com 17%, enquanto Bia Kicis (PL) e Erika Kokay (PT) registram 15% cada — empate dentro da margem de erro de dois pontos percentuais. Como são duas vagas, a segunda cadeira ainda está completamente aberta.
A pesquisa ouviu 1.600 eleitores entre 14 e 18 de agosto e está registrada no TSE sob o número DF-07849/2026.
São Paulo: Tarcísio abre vantagem sobre Haddad
No maior colégio eleitoral do país, o cenário é de vantagem expressiva para o atual governador.
Tarcísio de Freitas (Republicanos) aparece com 50% das intenções de voto, contra 33,8% de Fernando Haddad (PT). A distância é de 16,2 pontos percentuais. Em uma simulação de segundo turno, Tarcísio também aparece na frente, com 53%, enquanto Haddad chega a 36,9%.

O levantamento do Paraná Pesquisas ouviu 1.680 eleitores em 80 municípios paulistas entre 16 e 18 de agosto, com margem de erro de 2,4 pontos percentuais e nível de confiança de 95%. A pesquisa está registrada no TSE sob o número SP-08913/2026.
Senado paulista tem disputa apertada
Se a corrida pelo governo apresenta uma liderança clara, a disputa pelas duas vagas ao Senado é muito mais equilibrada.
Simone Tebet (PSB) aparece com 31,1%, seguida por Marina Silva (Rede), com 30,1%, e Guilherme Derrite (PP), com 28,2%.

Os três estão próximos o suficiente para que a margem de erro tenha peso importante na fotografia atual. Ricardo Salles (Novo) aparece com 19,7%, enquanto André do Prado (PL) soma 16,8%.
Goiás: Daniel Vilela dispara na frente
Em Goiás, a pesquisa do Paraná Pesquisas mostra uma das maiores vantagens entre os candidatos aos governos estaduais.
Daniel Vilela (MDB) aparece com 45,8%, enquanto o ex-governador Marconi Perillo (PSDB) registra 24,9%. Wilder Morais (PL) aparece em terceiro, com 13,2%.
A vantagem de Vilela sobre Perillo chega a 20,9 pontos percentuais. O governador também supera, numericamente, a soma dos demais candidatos.
O levantamento ouviu 1.240 eleitores em 61 municípios entre 14 e 17 de agosto, com margem de erro de 2,8 pontos percentuais. A pesquisa está registrada no TSE sob o número GO-01791/2026.
Senado: Gracinha Caiado lidera
Na corrida pelas duas vagas ao Senado, Gracinha Caiado (União Brasil) aparece na primeira posição, com 41%. Gustavo Gayer (PL) tem 27,1%, Vanderlan Cardoso (PSD), 21,4%, e Zacharias Calil (MDB), 19,5%.
Como cada eleitor pode escolher até dois candidatos, os percentuais não devem ser somados como se representassem uma única escolha.
Paraná: Sergio Moro começa na liderança
No Paraná, Sergio Moro (PL) aparece à frente na disputa pelo governo, com 37% das intenções de voto. Sandro Alex (PSD) tem 22%, enquanto Requião Filho (PDT) registra 20%.
A pesquisa RealTime Big Data foi realizada entre 13 e 17 de agosto com 1.600 eleitores. A margem de erro é de dois pontos percentuais e o levantamento está registrado no TSE sob o número PR-09262/2026.
O cenário muda quando são testadas hipóteses de segundo turno. Moro aparece à frente tanto contra Requião Filho quanto contra Sandro Alex.
Senado paranaense
Na disputa pelo Senado, Deltan Dallagnol (Novo) aparece com 19%, enquanto Alexandre Curi (Republicanos) e Filipe Barros (PL) registram 17% cada. Os três aparecem tecnicamente próximos dentro da margem de erro.
Pernambuco: uma das disputas mais apertadas
Pernambuco apresenta um dos cenários mais equilibrados da semana.
A pesquisa RealTime Big Data divulgada em 17 de agosto coloca Raquel Lyra (PSD) e João Campos (PSB) empatados com 43% no primeiro turno.

A diferença, portanto, desaparece dentro da margem de erro de dois pontos percentuais. Em um eventual segundo turno, o empate permanece: 44% para cada um.
O levantamento ouviu 1.600 eleitores entre 12 e 15 de agosto e está registrado no TSE sob o número PE-06056/2026. No Senado, Marília Arraes (PDT) aparece com 29%, seguida por Humberto Costa (PT), com 20%, e Mendonça Filho (PL), com 18%.
Aqui, portanto, a eleição começa praticamente sem favorito consolidado.
Ceará: Elmano e Ciro ficam lado a lado
No Ceará, a disputa também começa em situação de empate.
Elmano de Freitas (PT) e Ciro Gomes (PSDB) aparecem com 44% cada no cenário estimulado de primeiro turno. Vera Lúcia (Novo) e Delegado Huggo (Missão) têm 1% cada, enquanto brancos e nulos somam 4%.

No segundo turno, Elmano aparece com 46% e Ciro com 45%, diferença que permanece dentro da margem de erro de dois pontos percentuais.
A pesquisa RealTime Big Data ouviu 1.600 eleitores entre 15 e 19 de agosto e está registrada no TSE sob o número CE-08223/2026.
Senado no Ceará
Na disputa pelas duas vagas, Cid Gomes (PSB) aparece na frente, com 27%.
Capitão Wagner (União Brasil) e Luizianne Lins (Rede) aparecem empatados com 21%.
Bahia: ACM Neto e Jerônimo aparecem próximos
Na Bahia, a disputa pelo governo também apresenta um cenário de forte competição entre os dois principais nomes.
ACM Neto (União Brasil) aparece com 40%, enquanto Jerônimo Rodrigues (PT) registra 38% no levantamento citado.
A distância de dois pontos coloca os candidatos em uma situação de proximidade, especialmente quando considerada a margem de erro. A corrida baiana é particularmente importante para os dois grandes campos políticos que disputam espaço no Nordeste, região onde o desempenho de Lula e de seus aliados pode influenciar diretamente a formação dos palanques estaduais.
Na corrida pelo Senado, Rui Costa (PT) aparece com 27%, seguido por João Roma (PL), com 21%, Jaques Wagner (PT), com 20%, e Angelo Coronel (Republicanos), com 16%.
O que as pesquisas mostram até agora?
A primeira semana oficial de campanha deixa uma fotografia bastante clara de que a eleição de 2026 está longe de ter um único padrão nacional.
Há estados em que um candidato começa com vantagem significativa. É o caso de São Paulo, Goiás e, em menor medida, Pará, onde Tarcísio, Daniel Vilela e Hana Ghassan aparecem à frente dos principais adversários.
Em outros lugares, porém, a disputa começa praticamente empatada.
Pernambuco e Ceará são os exemplos mais evidentes, com os dois primeiros colocados separados por praticamente nada dentro da margem de erro. A Bahia também aparece como uma corrida bastante competitiva.
O Senado acrescenta outra camada de imprevisibilidade. Como duas cadeiras estarão em disputa em cada estado, candidatos que aparecem em segundo, terceiro ou até quarto lugar ainda podem construir uma candidatura competitiva.
E há um detalhe importante: essas pesquisas são fotografias do momento, não previsões do resultado final.
A campanha está apenas começando. Ainda haverá debates, propaganda eleitoral, alianças, ataques, mudanças de candidatura, exposição dos candidatos e, principalmente, meses de campanha até a votação.
É justamente por isso que os próximos levantamentos serão importantes. Mais do que saber quem está na frente hoje, será preciso observar quem está crescendo, quem está caindo e quais disputas estão se transformando em verdadeiras batalhas eleitorais.
Entenda o contexto
As eleições de 2026 colocam em jogo os 27 governos estaduais e 54 das 81 cadeiras do Senado. Ao contrário da disputa presidencial, em que todo o país participa da escolha dos mesmos candidatos, as eleições estaduais são marcadas por realidades políticas próprias, alianças regionais e diferentes níveis de influência dos principais grupos nacionais.
As pesquisas divulgadas nesta primeira semana oficial de campanha ajudam a revelar essas diferenças: enquanto alguns candidatos iniciam a corrida com vantagens relevantes, outros enfrentam disputas praticamente empatadas.
Como os levantamentos têm datas, metodologias e margens de erro diferentes, os números não devem ser comparados como se fossem uma única pesquisa nacional. O mais importante, neste momento, é acompanhar a tendência de cada estado e observar como os candidatos evoluem ao longo da campanha.