Manuela d’Ávila, ex-deputada hoje filiada ao PSOL, lidera a corrida ao Senado no Rio Grande do Sul em nova pesquisa da Paraná Pesquisas, financiada pelo PL. O levantamento aponta 33,6% das intenções de voto para a pré-candidata, que aparece isolada à frente de três adversários embolados pela segunda vaga em disputa.
Os números expõem um tabuleiro fragmentado entre direita, centro e esquerda tradicional. Em um estado decisivo para o debate nacional, o resultado acende o alerta em MDB e PT, pressiona o partido Novo e dá a Manuela uma vitrine para pautas progressistas no Congresso.
O retrato da disputa gaúcha pelo Senado
A pesquisa, registrada no Tribunal Superior Eleitoral sob o número RS-03898/2026, entrevista 1.504 eleitores em 67 municípios gaúchos. A margem de erro é de 2,6 pontos percentuais, com grau de confiança de 95%. O estudo, que custa R$ 135.200, é encomendado pelo Partido Liberal (PL), interessado em calibrar sua estratégia para a eleição de duas cadeiras ao Senado neste ciclo.
Segundo o questionário estimulado, em que o nome dos pré-candidatos é apresentado ao eleitor, “a ex-deputada Manuela d’Ávila (Psol) lidera a disputa pelo Senado no Rio Grande do Sul, com 33,6% das intenções de voto”. A distância para o pelotão seguinte é significativa, mas não suficiente para definir a segunda vaga.
Logo atrás, o deputado Marcel van Hattem, do partido Novo, aparece com 26,9%. O ex-deputado Rigotto, do MDB, soma 24,3%, enquanto o deputado Pimenta, do PT, registra 22,5%. Na prática, a margem de erro coloca os três em empate técnico. Nas palavras do relatório, “Marcel van Hattem (Novo) soma 26,9% das intenções, ante 24,3% do ex-deputado Rigotto (MDB) e 22,5% do deputado Pimenta (PT). Como a margem de erro é 2,6 pontos percentuais para mais ou para menos, os 3 estão tecnicamente empatados pela 2ª vaga”.
Força de Manuela e duelo pela segunda vaga
A dianteira de Manuela d’Ávila ganha peso político por um motivo central: o PSOL nunca transforma o capital eleitoral da ex-deputada em um mandato no Senado. A liderança atual abre espaço para que a sigla de esquerda intensifique o discurso sobre políticas sociais, direitos humanos e defesa do meio ambiente, mirando um eleitorado urbano e conectado a causas progressistas.
A figura de Manuela, conhecida nacionalmente desde jovem, volta ao centro do debate público. Parte do interesse renovado sobre sua trajetória passa por perguntas recorrentes nas redes sociais: “Manuela d’Ávila hoje” ou “o que aconteceu com Manuela d’Ávila” dão a medida da curiosidade em torno de sua retomada eleitoral, de seu partido atual e de sua vida pessoal, da família aos filhos.
Enquanto a ex-deputada tenta consolidar apoios, a disputa pela segunda vaga se transforma na principal incógnita do cenário gaúcho. Marcel van Hattem, rosto mais conhecido do partido Novo no estado, tenta capitalizar um discurso liberal e de crítica à “velha política”. Rigotto, do MDB, aposta na experiência e na rede de prefeitos e lideranças regionais. Pimenta, do PT, mira o eleitorado de esquerda tradicional e o voto fiel ao partido.
Essa combinação joga três campos políticos diferentes para o mesmo funil. MDB e PT, acostumados a protagonizar disputas no Rio Grande do Sul, agora precisam reagir a um adversário liberal organizado e com exposição nacional. Ao mesmo tempo, o Novo tenta provar que a presença de Marcel não é episódica e que o partido tem base duradoura no estado.
Pressão sobre partidos e impacto nacional
A pesquisa também funciona como termômetro interno para as legendas. No MDB, dirigentes locais tendem a usar o desempenho de Rigotto como argumento para ampliar recursos e tempo de campanha. No PT, a posição de Pimenta perto dos rivais reforça a necessidade de alianças, palanques compartilhados e presença mais intensa de figuras nacionais no estado.
O partido Novo vê no resultado uma oportunidade dupla: manter Marcel no patamar atual e tentar avançar alguns pontos para escapar do empate técnico. A leitura é simples: em um cenário em que três pré-candidatos brigam voto a voto, qualquer oscilação dentro da própria margem de erro pode redesenhar quem aparece como favorito à segunda cadeira.
O PL, que banca a pesquisa, observa o mapa eleitoral para entender onde concentrar esforços. Mesmo sem um nome próprio competitivo ao Senado neste momento, o partido monitora o desempenho de aliados potenciais e adversários diretos para negociar apoios, composições regionais e palanques cruzados, inclusive para a disputa presidencial.
Para o eleitor gaúcho, os números reforçam a percepção de um pleito competitivo e polarizado. O voto no Senado ganha peso estratégico, já que os dois escolhidos influenciam diretamente o equilíbrio de forças em Brasília. Temas como reforma tributária, clima, direitos trabalhistas e políticas de segurança pública podem ser moldados pela combinação que sair das urnas no Rio Grande do Sul.
Campanha tende a endurecer nos próximos meses
A divulgação do levantamento abre uma nova fase na pré-campanha. Manuela d’Ávila deve usar a liderança para atrair apoios de movimentos sociais, partidos satélites de esquerda e figuras da cultura, reforçando uma imagem de renovação progressista. A sigla também deve explorar a curiosidade sobre sua vida pessoal — de “Manuela d’Ávila mora onde” a “Manuela d’Ávila marido” — para aproximá-la de eleitores ainda indecisos.
Do outro lado, Marcel van Hattem, Rigotto e Pimenta precisam transformar o empate técnico em vantagem real. A tendência é que intensifiquem agendas pelo interior, invistam em redes sociais e endureçam o discurso, buscando contrastes claros com a líder. Em um quadro tão apertado, cada declaração, debate ou crise nacional tem potencial para mexer poucos pontos percentuais, suficientes para redesenhar a ordem dos três.
Novas pesquisas ao longo das próximas semanas vão indicar se a dianteira de Manuela se sustenta e se algum dos três rivais descola do bloco pela segunda vaga. A única certeza, por ora, é que o Rio Grande do Sul entra na reta decisiva das eleições com um cenário aberto, em que o voto ao Senado pode redefinir não só a cara da bancada gaúcha, mas também o xadrez político em Brasília.