A Operação Conjunta Ágata Amazônia Oriental terminou com garimpos ilegais interditados, uma pista clandestina fechada, apreensão de madeira e centenas de fiscalizações nos estados do Pará e Amapá. A ação ocorreu entre os dias 1º e 7 de agosto e teve o balanço final divulgado nesta sexta-feira (21).
Segundo o Comando Operacional Conjunto, a operação provocou um prejuízo estimado em mais de R$ 19 milhões às organizações criminosas envolvidas em atividades ilegais na região.
A ação foi coordenada pelo Ministério da Defesa e reuniu militares do Exército, da Marinha e da Força Aérea Brasileira, além de agentes de órgãos federais, estaduais e municipais.
Ao todo, participaram 932 militares das Forças Armadas e 168 agentes de instituições parceiras.
Garimpos ilegais são interditados
No Amapá, militares da 22ª Brigada de Infantaria de Selva realizaram fiscalizações em diferentes pontos estratégicos. Mais de 1.300 veículos, embarcações e pessoas foram abordados durante as ações.
As equipes também interditaram garimpos ilegais e apreenderam materiais utilizados na exploração clandestina de recursos minerais. Uma pista clandestina também foi interditada com apoio do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade.
Patrulhas fluviais foram realizadas em comunidades e áreas estratégicas, incluindo regiões próximas ao Parque Nacional do Cabo Orange e ao Rio Oiapoque.
Fiscalização aumenta nos rios e estradas
A operação também reforçou a fiscalização nas principais rotas utilizadas para circulação de pessoas, mercadorias e embarcações.
Na BR-156, foram instalados postos de bloqueio e controle em conjunto com a Polícia Rodoviária Federal. Na Ponte Binacional, que liga o Brasil à Guiana Francesa, as equipes atuaram em parceria com a Receita Federal e a Vigilância Sanitária.
No Pará e no Amapá, o 4º Distrito Naval realizou patrulhamento e inspeções navais.
Ao todo, 506 embarcações foram fiscalizadas e 77 receberam notificações por irregularidades relacionadas à segurança da navegação.
Quase 2,5 mil metros cúbicos de madeira são apreendidos
Um dos principais resultados da operação ocorreu no município de Breves, no Pará.
Uma embarcação da Marinha abordou um empurrador e uma balsa que transportavam quase 2.500 metros cúbicos de madeira sem a documentação exigida.
Após a fiscalização ambiental, a carga foi apreendida e a Secretaria de Estado de Meio Ambiente e Sustentabilidade do Pará aplicou uma multa de R$ 124.939,18.
Outras apreensões e autuações também foram registradas durante a operação. Em Óbidos, as multas aplicadas somaram R$ 49.320.
Força Aérea transportou sete toneladas de materiais
A Força Aérea Brasileira participou da operação com missões de transporte logístico.
As aeronaves utilizadas permitiram o deslocamento de aproximadamente sete toneladas de materiais, garantindo o abastecimento das equipes e a movimentação de equipamentos e pessoal para regiões de difícil acesso.
Também foram empregados aviões C-97 Brasília e C-98 Caravan em missões de transporte.
Operação também levou atendimento médico
Além das ações de fiscalização e combate aos crimes ambientais e transfronteiriços, a operação realizou atendimentos de saúde em comunidades do Pará e do Amapá.
Foram contabilizados 1.236 atendimentos médicos e odontológicos, além de 348 testes rápidos.
As equipes também distribuíram 2.588 medicamentos e entregaram 380 kits de higiene bucal.
As ações incluíram ainda orientações sobre saúde, escovação, prevenção de doenças e palestras sobre saúde mental.
Comunidades indígenas receberam atendimento
Seis localidades receberam ações de assistência hospitalar e ações cívico-sociais.
No Pará, os atendimentos ocorreram em Outeiro, Acará, Ilha do Cotijuba e Oriximiná. No Amapá, as equipes estiveram na Comunidade do Espírito Santo, em Oiapoque, e na Aldeia Aramirã, em Pedra Branca do Amapari.
O trabalho contou com apoio do Distrito Sanitário Especial Indígena e de estudantes voluntários de cursos como Medicina, Enfermagem, Psicologia, Farmácia, Fisioterapia e Odontologia.
Combate a crimes ambientais
A Operação Ágata Amazônia Oriental teve como objetivo ampliar a presença do Estado em áreas de fronteira e combater crimes transfronteiriços e ambientais.
As equipes atuaram principalmente contra garimpo ilegal, tráfico de drogas e crimes ambientais, utilizando ações de inteligência, patrulhamento, fiscalização e controle de áreas estratégicas.
O planejamento da operação foi dividido em quatro etapas: preparação, concentração de meios, ações repressivas e reversão.
Com o encerramento da operação, as Forças Armadas e os órgãos parceiros devem continuar monitorando as regiões consideradas estratégicas para identificar novas atividades criminosas.