A Polícia Civil investiga a criação e a circulação de um “ranking” com fotos de universitárias acompanhadas de avaliações de teor sexual e depreciativo em Presidente Prudente, no interior de São Paulo. As imagens teriam sido retiradas de perfis públicos das próprias estudantes e compartilhadas em um grupo privado de aplicativo de mensagens.
O caso foi registrado na Delegacia de Defesa da Mulher (DDM) e está em fase inicial. Até o momento, segundo a Polícia Civil, não há nenhum suspeito indiciado.
A situação também provocou reação dentro da Universidade do Oeste Paulista (Unoeste), que abriu um procedimento interno para apurar o episódio e afirmou repudiar qualquer forma de exposição, constrangimento ou assédio contra integrantes da comunidade acadêmica.
Como o “ranking” foi criado
Segundo as informações encaminhadas às autoridades, fotografias de estudantes foram retiradas de perfis públicos nas redes sociais e utilizadas sem autorização para montar uma espécie de classificação.
As imagens eram acompanhadas por comentários de caráter sexual e depreciativo, transformando as estudantes em alvo de avaliações sobre aparência e suposta disponibilidade sexual. O material circulou em um grupo privado de aplicativo de mensagens.
A origem das imagens em perfis públicos, porém, não significa autorização para que elas sejam utilizadas em uma lista desse tipo. É justamente a autoria, a forma de produção e a circulação do conteúdo que estão entre os pontos que deverão ser esclarecidos pela investigação.

Polícia ainda tenta descobrir quem criou e compartilhou o material
A investigação está apenas começando. A Polícia Civil deverá buscar identificar quem produziu o ranking, quem participou de sua elaboração e quem compartilhou as imagens e avaliações.
Como o conteúdo circulou em ambiente privado, a apuração poderá depender da análise de provas digitais, depoimentos e informações relacionadas ao grupo em que o material foi compartilhado.
Até o momento, não há indiciados.
Caso provocou manifestação dentro da universidade
A circulação do material também levou estudantes e integrantes de movimentos de defesa das mulheres a realizarem uma manifestação em frente ao Campus II da Unoeste, às margens da Rodovia Raposo Tavares.
O ato ocorreu na noite de quinta-feira (20), por volta das 18h30, horário de início das aulas do período noturno. Os participantes levaram cartazes e bandeiras com mensagens de combate à violência contra a mulher.
O movimento A Frente pela Vida das Mulheres classificou o episódio como “misoginia organizada” e criticou a criação de uma lista que transforma mulheres em objetos de avaliação sexual.
A entidade também cobrou medidas de investigação, acolhimento das estudantes e proteção contra possíveis retaliações.

Universidade abriu investigação interna
Em nota, a Unoeste informou que tomou conhecimento do caso e determinou a abertura de um procedimento interno para apurar os fatos.
A instituição afirmou repudiar qualquer forma de exposição, constrangimento, assédio ou desrespeito à dignidade de integrantes de sua comunidade acadêmica.
A universidade também declarou que oferece acolhimento às pessoas envolvidas e reforçou o compromisso com um ambiente acadêmico baseado em respeito, ética e segurança.

Por que o caso chama atenção?
O episódio expõe um problema que ganhou novas dimensões com as redes sociais: uma fotografia publicada originalmente para um círculo de pessoas pode ser copiada, retirada de contexto e redistribuída em outros ambientes sem o consentimento da pessoa retratada.
Neste caso, a investigação também terá de esclarecer se houve outras formas de exposição das estudantes, quantas pessoas tiveram acesso ao conteúdo e se o material continua circulando.
A identificação dos responsáveis será fundamental para determinar exatamente o que aconteceu e quais medidas poderão ser tomadas.
O que fazer diante de uma exposição desse tipo?
Especialistas e órgãos de proteção recomendam que a vítima preserve as provas antes que o conteúdo seja apagado.
Capturas de tela, links, nomes de usuários, datas, horários e informações sobre os grupos onde o material circulou podem ajudar na investigação.
Também é importante evitar o compartilhamento das próprias imagens para denunciar o caso, pois isso pode ampliar ainda mais a exposição das vítimas.
Quando houver ameaça, perseguição, chantagem ou outras formas de violência, a orientação é procurar as autoridades e uma rede de apoio.
Entenda o contexto
O caso de Presidente Prudente envolve a circulação de fotografias de estudantes acompanhadas por avaliações de caráter sexual e depreciativo em um grupo privado de mensagens. A Polícia Civil ainda está na fase inicial da investigação e não apontou, até o momento, quem produziu ou compartilhou o material. A Unoeste também abriu uma apuração interna. A principal questão agora é identificar a origem do conteúdo, os responsáveis pela criação e distribuição e a extensão da exposição das estudantes. Como as investigações ainda estão em andamento, não é possível afirmar quem cometeu os atos ou antecipar eventual responsabilização criminal. O episódio também reforça os riscos relacionados à reprodução e à circulação não autorizada de imagens obtidas em redes sociais.