Datafolha: Cleitinho lidera corrida pelo governo de Minas com 32% das intenções de voto

Pesquisa mostra Cleitinho Azevedo à frente na disputa pelo governo de Minas Gerais, com 32% das intenções de voto; levantamento também aponta cenário entre os demais candidatos
Redação NC News
ouça este conteúdo
00:00 / 00:00
1x

O senador Cleitinho Azevedo, do Republicanos, abre a disputa pelo governo de Minas Gerais na liderança, com 32% das intenções de voto, segundo pesquisa Datafolha. Patrus Ananias (PT) e Alexandre Kalil (PDT), ambos ex-prefeitos de Belo Horizonte, aparecem empatados em segundo lugar, com 12% cada.

Minas em disputa e impacto nacional

O levantamento, feito com 1.204 eleitores em todas as regiões do estado, recoloca Minas Gerais no centro do tabuleiro eleitoral. Segundo maior colégio eleitoral do país, o estado reúne 16.377.659 eleitores, o equivalente a 10,32% dos aptos a votar, e elege 53 deputados federais, 10,33% das cadeiras da Câmara.

O resultado mexe com as campanhas presidenciais e com a correlação de forças em Brasília. Um governador alinhado a Lula ou a Flávio Bolsonaro tende a influenciar a votação de bancadas inteiras e a negociação de futuras maiorias no Congresso. O avanço de Cleitinho, filiado ao Republicanos, pressiona partidos tradicionais e embaralha acordos costurados nos últimos meses.

O atual governador, Mateus Simões (PSD), apoiado pelo ex-governador Romeu Zema (Novo), aparece com apenas 4%. Ele empata numericamente com Gabriel Azevedo (MDB) e Flávio Roscoe (PL), também com 4%. Pelas contas do Datafolha, brancos e nulos somam 14%, e 13% dos entrevistados ainda não sabem em quem votar ou não quiseram responder.

Liderança de Cleitinho e reacomodação dos palanques

“O senador Cleitinho Azevedo (Republicanos) lidera a corrida com 32% das intenções de voto”, registra o instituto. A frase resume o movimento mais relevante da semana na política mineira. Até pouco tempo, o entorno de Mateus Simões trabalhava com a reeleição como cenário provável. Agora, a campanha do governador lida com o risco concreto de ficar fora de uma eventual disputa de segundo turno.

A trajetória recente de Cleitinho ajuda a explicar o desconforto que ele provoca. O senador adiou decisões, ensaiou não disputar o governo, protagonizou vídeos com uso de inteligência artificial e chegou a flertar com projetos em outros estados, como um convite para o Espírito Santo. As idas e vindas criaram “desconforto dentro do próprio partido”, relatam aliados, mas não impediram que seu nome se consolidasse entre os eleitores.

A indefinição de Cleitinho também afetou o campo da direita. O PL, interessado em garantir alinhamento com Flávio Bolsonaro, acabou lançando Flávio Roscoe ao governo. Com 4%, o empresário aparece distante do pelotão da frente, mas simboliza o esforço do partido para ter um palanque próprio e organizado em Minas, sem depender dos movimentos do senador do Republicanos.

PT, PDT e a força de Belo Horizonte

No campo da esquerda, a pesquisa confirma o peso da capital na disputa estadual. Patrus Ananias e Alexandre Kalil, ambos ex-prefeitos de Belo Horizonte, dividem o segundo lugar, com 12% cada. O empate numérico reforça a ideia de uma oposição fragmentada diante da ascensão de Cleitinho.

No PT, “a candidatura de Patrus ganhou força depois de uma intervenção do próprio Lula”. O comando petista tentou, antes, atrair o presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (PSB-MG), para a disputa estadual. Pacheco recusou de forma reiterada, e a solução foi recorrer a um nome tradicional em Belo Horizonte, capaz de dialogar com movimentos sociais e setores da classe média.

Alexandre Kalil corre por fora nesse mesmo campo. Ex-mandatário da capital e hoje no PDT, ele tenta se apresentar como alternativa a Patrus entre eleitores que aprovam parte de sua gestão em Belo Horizonte, mas rejeitam se alinhar diretamente ao PT. A divisão entre os dois, por ora, favorece quem lidera a corrida.

Eleição aberta e 27% ainda em disputa

A pesquisa aponta ainda a presença de candidaturas menores: Túlio Lopes (PCB) chega a 2%, Rafael Duda (PSTU) marca 1%, assim como Ben Mendes (Missão) e Indira Xavier (UP). Henrique Áreas (PCO) não pontua. Somados, esses nomes ocupam um espaço estreito, mas podem ser decisivos numa disputa de segundo turno, quando cada gesto de apoio pesa.

A margem de erro do Datafolha é de três pontos percentuais, para mais ou para menos, com nível de confiança de 95%. Mesmo com a vantagem de dois dígitos, o cenário ainda não é confortável para Cleitinho. Brancos, nulos e indecisos somam 27%. Esse contingente define quem chega à reta final competitivo e quem vira coadjuvante.

As campanhas já se movem para ocupar esse terreno. A equipe de Patrus aposta numa associação direta com Lula e na recuperação da imagem do PT no interior mineiro. Kalil tenta resgatar o desempenho que o levou a protagonizar disputas anteriores na capital. Mateus Simões corre para defender sua gestão e reduzir a rejeição ao governo, que se tornou alvo natural dos adversários.

Os próximos dias tendem a ampliar o tom da disputa. Alianças locais, rearranjos de tempo de televisão e acordos regionais com prefeitos e lideranças religiosas entram no centro das negociações. A única certeza, por ora, é que “a disputa pelo governo mineiro está longe de ser tranquila” e que o mapa político de Minas continua em redesenho.

Com Minas Gerais no foco, Lula e Flávio Bolsonaro acompanham de perto cada movimento no estado. A composição dos palanques, a força das alianças e o desempenho dos candidatos ao governo vão influenciar não apenas o resultado local, mas também o equilíbrio de forças em Brasília no próximo mandato.

Quem é Cleitinho e por que ele lidera a corrida pelo governo de Minas Gerais?

O senador Cleitinho Azevedo, do Republicanos, é hoje o nome mais bem colocado na disputa ao governo de Minas Gerais, com 32% das intenções de voto na pesquisa Datafolha, combinando forte presença nas redes sociais, discurso antipolítica tradicional e exposição recente em polêmicas que ampliaram sua visibilidade no estado.

Como está a disputa eleitoral pelo governo de Minas Gerais segundo o Datafolha?

A pesquisa Datafolha mais recente para o governo de Minas Gerais mostra Cleitinho Azevedo com 32% das intenções de voto, seguido de Patrus Ananias e Alexandre Kalil com 12% cada, enquanto Mateus Simões, Gabriel Azevedo e Flávio Roscoe aparecem empatados com 4%, num cenário ainda aberto e dependente de 27% de indecisos, brancos e nulos.

Qual é a importância de Belo Horizonte na política de Minas Gerais?

Belo Horizonte, capital de Minas Gerais, concentra parcela expressiva do eleitorado urbano do estado e funciona como vitrine política, o que ajuda a explicar por que dois ex-prefeitos, Patrus Ananias e Alexandre Kalil, surgem empatados em segundo lugar na disputa, usando a projeção da capital como trampolim para alcançar regiões do interior.

Como o mapa político de Minas Gerais influencia a corrida pelo governo?

O mapa político de Minas Gerais, segundo maior colégio eleitoral do país com 16.377.659 eleitores espalhados por regiões muito distintas, faz com que o candidato ao governo precise combinar forte desempenho na Região Metropolitana de Belo Horizonte com penetração no interior, onde redes de prefeitos, lideranças rurais e religiosas pesam no resultado final.

 

Carregar Comentários