Um barco que transportava migrantes com destino à Itália naufragou na costa da Tunísia e deixou pelo menos 13 pessoas desaparecidas, segundo o Observatório Tunisiano de Direitos Humanos. A embarcação havia partido na manhã de quinta-feira (20) e afundou durante a travessia pelo Mediterrâneo.
Até o momento, apenas dois passageiros foram resgatados com vida. Um deles relatou que o grupo ficou à deriva durante várias horas depois que o barco naufragou. O outro sobrevivente foi encontrado em estado crítico.
Barco afundou durante viagem para a Itália
A embarcação saiu da Tunísia na quinta-feira com o objetivo de chegar ao território italiano, uma das rotas utilizadas por migrantes que tentam alcançar a Europa.
Segundo Mostafa Abdelkebir, chefe do Observatório Tunisiano de Direitos Humanos, o naufrágio ocorreu durante o trajeto. As informações sobre o número de desaparecidos ainda podem ser atualizadas conforme as buscas e a identificação dos passageiros avancem.
Dois passageiros foram resgatados
As duas pessoas retiradas do mar foram encontradas na sexta-feira (21). Um dos sobreviventes contou que os passageiros permaneceram à deriva por várias horas depois do naufrágio.
O segundo resgatado apresentava um quadro considerado grave e precisou de atendimento médico.
A situação dos demais passageiros permanece incerta. Pelo menos 13 tunisianos são considerados desaparecidos.
Rota do Mediterrâneo é uma das mais perigosas
O naufrágio chama atenção para os riscos enfrentados por pessoas que tentam atravessar o Mediterrâneo Central em embarcações precárias.
A região é uma das principais rotas utilizadas por migrantes que partem do norte da África em direção à Europa. Muitas dessas viagens são realizadas em barcos superlotados e sem estrutura adequada para uma travessia marítima de longa distância.
A Tunísia se tornou um dos principais pontos de partida para essas viagens, especialmente em direção à Itália.
Fiscalização aumentou nos últimos anos
As saídas de barcos da costa tunisiana diminuíram de forma significativa nos últimos dois anos após o aumento da fiscalização e do controle das fronteiras.
A estratégia conta com financiamento da União Europeia e equipamentos fornecidos pela Itália para ampliar o monitoramento das fronteiras tunisianas.
O objetivo é conter a migração irregular e impedir que embarcações partam em direção à Europa.
Acordo com a Europa é alvo de críticas
A política migratória adotada na Tunísia também é alvo de críticas de organizações de direitos humanos.
A Anistia Internacional e a Human Rights Watch afirmam que a parceria entre a União Europeia e o governo tunisiano pode contribuir para violações contra migrantes e pessoas que buscam asilo.
As entidades defendem que o bloco europeu suspenda o financiamento destinado às forças de segurança tunisianas.
O presidente da Tunísia, Kais Saied, por outro lado, já declarou que o fluxo de migrantes representa uma tentativa de alterar a composição demográfica do país.
Entenda o contexto
O naufrágio acontece em meio a uma política de maior controle da migração na Tunísia. O país passou a ocupar uma posição central nas rotas usadas por pessoas que tentam chegar à Europa pelo Mediterrâneo.
Mesmo com o aumento da fiscalização, embarcações continuam deixando a costa tunisiana em direção à Itália.
O novo acidente mostra o risco dessas travessias: barcos precários, longas horas no mar e pouca capacidade de sobrevivência em caso de naufrágio.
No caso mais recente, pelo menos 13 pessoas continuam desaparecidas, enquanto apenas dois passageiros foram encontrados com vida até o momento.