A campanha à reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) considera o Rio de Janeiro um dos estados estratégicos para ampliar a votação do petista nas eleições deste ano. Neste sábado (22), Lula participa de um ato de campanha no estádio Moça Bonita, em Bangu, na Zona Oeste da capital fluminense.
Além do evento deste sábado, a campanha avalia realizar outros dois atos no estado. Entre as possibilidades estão uma agenda voltada ao eleitorado evangélico e outra sobre segurança pública — dois temas considerados importantes para a estratégia eleitoral do presidente.
A escolha do Rio ocorre em um cenário no qual Lula ainda busca reduzir a vantagem que Jair Bolsonaro (PL) teve sobre ele no estado em 2022. No segundo turno daquela eleição, Bolsonaro recebeu 56,53% dos votos válidos no Rio, contra 43,47% de Lula.
O estado também tem peso político para a direita. Além de ser o berço político de Jair Bolsonaro, o Rio elegeu Flávio Bolsonaro (PL) para o Senado em 2018. Neste ano, o senador é candidato à Presidência da República.
Palanque com Paes é aposta para ampliar apoio
Dentro da campanha petista, uma das apostas para melhorar o desempenho de Lula no Rio está na composição do palanque estadual. O presidente terá ao seu lado o ex-prefeito do Rio Eduardo Paes (PSD), que lidera as pesquisas para o governo do estado, e a deputada federal e ex-governadora Benedita da Silva (PT), que aparece bem posicionada na disputa pelo Senado.
A avaliação de dirigentes do PT é que a coalizão formada neste ano é mais ampla do que a construída em 2022, quando o candidato apoiado por Lula ao governo estadual era Marcelo Freixo, então no PT.
Naquele ano, apesar de Freixo ter moderado o discurso durante a campanha, o candidato não conseguiu superar as resistências ao seu nome e acabou derrotado no segundo turno por Cláudio Castro (PL).
A avaliação da campanha de Flávio Bolsonaro, porém, é diferente. Aliados do senador questionam a capacidade de Eduardo Paes de transferir votos para Lula e apostam que Douglas Ruas (PL), candidato apoiado por Flávio ao governo do Rio, poderá crescer durante a campanha.
Ruas ainda é considerado pouco conhecido pelo eleitorado, mas o PL espera que sua exposição aumente a partir de 28 de agosto, quando começa a propaganda eleitoral gratuita no rádio e na televisão. A associação do candidato ao nome de Flávio também é considerada uma estratégia para impulsionar sua candidatura.
Evangélicos e segurança estão no radar
Outro foco da campanha de Lula no Rio é o eleitorado evangélico. A campanha nacional decidiu trabalhar com atos temáticos em diferentes regiões do país e avalia promover um evento específico para esse segmento.
O Rio aparece como uma das opções preferidas para receber a agenda. Um dos fatores considerados é a presença de Benedita da Silva no palanque. Evangélica e uma das principais lideranças do PT no estado, ela é vista como uma ponte importante com esse eleitorado.
A estratégia também leva em conta o desempenho de Flávio Bolsonaro entre os evangélicos. Pesquisa Datafolha divulgada na sexta-feira (21) apontou que o senador lidera as intenções de voto nesse segmento. O levantamento ouviu 2.058 eleitores em todo o país nos dias 18 e 19 de agosto, com margem de erro de dois pontos percentuais.
A segurança pública deve ser outro tema explorado pela campanha no Rio. O histórico de atuação de facções criminosas e milícias no estado faz do assunto uma das principais preocupações do eleitorado fluminense.
Uma das propostas apresentadas por Lula nesta campanha é a criação de um Ministério da Segurança Pública, condicionada à aprovação, pelo Congresso Nacional, de uma emenda à Constituição que amplie as atribuições do governo federal na área.
A escolha do Rio para uma eventual agenda sobre segurança também ocorre em meio ao discurso de endurecimento contra o crime adotado por adversários de Lula, especialmente Flávio Bolsonaro, que tem colocado o combate às facções como uma das principais bandeiras de sua campanha.