A crise entre Paquistão e Afeganistão atingiu seu ponto mais crítico nesta sexta-feira (27), após Islamabad anunciar que está em “guerra aberta” com o país vizinho.
A decisão veio depois de semanas de confrontos na região fronteiriça e de acusações mútuas envolvendo ataques armados e abrigo a militantes. Agora, confira os principais fatores que levaram ao conflito:
Linha Durand: o epicentro da tensão
Grande parte da crise gira em torno da chamada Linha Durand, faixa de fronteira historicamente instável que separa os dois países.
Segundo o governo paquistanês, forças afegãs teriam atacado postos militares próximos à divisa, provocando uma reação com bombardeios aéreos dentro do território do Afeganistão. Cabul, por sua vez, afirma que apenas respondeu a ofensivas anteriores realizadas por Islamabad.
A troca de tiros e o uso de artilharia pesada intensificaram o cenário de instabilidade na região.
Acusações de apoio a grupos armados
Outro ponto central da crise envolve a atuação de grupos extremistas. O Paquistão acusa o governo do Talibã de permitir que militantes usem o território afegão para lançar ataques contra forças paquistanesas.
Cabul nega as acusações e sustenta que está reagindo a violações de soberania por parte do país vizinho.
A presença do Estado Islâmico Khorasan, braço regional do Estado Islâmico ativo nos dois países, também contribui para a instabilidade e aumenta a complexidade do conflito.
Bombardeios e ofensiva aérea
A escalada ganhou dimensão inédita quando o Paquistão lançou ataques aéreos contra alvos em Cabul, Kandahar e na província de Paktia.
Kandahar é considerada um dos principais centros de influência do Talibã e abriga o líder supremo do grupo, Haibatullah Akhundzada.
O governo paquistanês afirma ter eliminado centenas de combatentes, enquanto autoridades afegãs contestam os números e relatam baixas menores.
Drones e contra-ataques
Após os bombardeios, o Talibã declarou ter lançado drones contra instalações militares em Islamabad, além de outras cidades paquistanesas.
Islamabad informou que interceptou os equipamentos e negou vítimas. As versões divergentes sobre mortos, feridos e posições capturadas ampliam a disputa de narrativas entre os dois governos.
O primeiro-ministro paquistanês, Shehbaz Sharif, rejeitou as alegações de perdas territoriais divulgadas por Cabul.
Tentativas frustradas de cessar-fogo
A deterioração das relações ocorre mesmo após um acordo de trégua negociado com mediação do Catar e da Turquia no ano passado. As conversas não resultaram em um entendimento permanente, e os confrontos voltaram a ocorrer nas últimas semanas.
Agora, diante do risco de expansão do conflito, Irã e China se colocaram à disposição para facilitar o diálogo e evitar novos confrontos.
Por que a guerra preocupa a comunidade internacional?
O Paquistão é uma potência nuclear, enquanto o Afeganistão enfrenta fragilidade política e econômica desde a retomada do poder pelo Talibã, em 2021. A combinação de instabilidade interna, disputa fronteiriça e presença de grupos extremistas eleva o risco de impactos regionais.
Especialistas avaliam que, sem mediação rápida e compromisso diplomático, o confronto pode se transformar em uma crise prolongada no sul da Ásia.