Os principais candidatos à Presidência da República colocaram a política externa no centro da disputa eleitoral e transformaram o futuro do BRICS em um dos principais pontos de divergência entre seus projetos de governo.
Os programas apresentados à Justiça Eleitoral dedicam capítulos específicos ao tema e mostram estratégias diferentes: enquanto alguns defendem fortalecer o bloco de economias emergentes, outros propõem reduzir sua importância ou até retirar o Brasil do grupo.
BRICS se torna um dos principais temas da disputa
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) defende o fortalecimento do BRICS e afirma que pretende aprofundar as relações com o bloco para ampliar a influência do Brasil em negociações econômicas e políticas, especialmente com países como China e Índia.
Já Romeu Zema (Novo) adota a posição mais crítica. Em seu plano de governo, o candidato afirma que pretende retirar o Brasil do BRICS caso seja eleito, defendendo uma política externa mais voltada para acordos bilaterais e aproximação com economias desenvolvidas.
Renan Santos (Missão) propõe uma posição intermediária. O candidato defende uma relação mais pragmática com o bloco e afirma que o Brasil deve reduzir a dependência econômica da China, sem romper relações comerciais com o país.
Mercosul e novos mercados aparecem como prioridade
Apesar das diferenças em relação ao BRICS, os candidatos apresentam pontos de convergência sobre o Mercosul. Os programas defendem fortalecer o bloco sul-americano, ampliar acordos comerciais e buscar novos mercados para produtos brasileiros.
Entre as prioridades citadas estão a consolidação do acordo entre Mercosul e União Europeia, a ampliação das exportações para Ásia, África, Oriente Médio e Indo-Pacífico, além da retomada de relações comerciais com Estados Unidos e Europa.
A entrada do Brasil na Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) também aparece como objetivo em diferentes programas de governo, com a promessa de aumentar a confiança de investidores e estimular reformas econômicas.
Lula, Flávio Bolsonaro e Caiado apresentam estratégias diferentes
Além do BRICS, Lula defende ampliar a participação brasileira em fóruns internacionais como o G20 e reforçar a defesa da reforma do Conselho de Segurança da ONU e da Organização Mundial do Comércio (OMC).
Flávio Bolsonaro (PL) e Ronaldo Caiado (PSD) dão menos destaque ao BRICS e priorizam propostas voltadas à abertura comercial, atração de investimentos, redução de barreiras econômicas e fortalecimento das relações com Estados Unidos, Europa e parceiros estratégicos da Ásia.
Os programas também mencionam o incentivo à inovação, à tecnologia e à agregação de valor às exportações brasileiras, com o objetivo de reduzir a dependência da venda de commodities.
China, soberania e autonomia diplomática
A relação com a China aparece como um dos temas centrais da política externa. Embora todos os candidatos defendam a soberania nacional, eles apresentam interpretações diferentes sobre como preservar essa autonomia.
Lula sustenta que o fortalecimento de blocos como o BRICS amplia a capacidade de negociação do Brasil em um cenário internacional multipolar.
Já Zema e Renan Santos defendem reduzir a dependência econômica da China e diversificar parcerias comerciais, aproximando o Brasil de outros mercados, como países do Sudeste Asiático, África e economias ocidentais.
Especialistas avaliam que uma eventual saída do Brasil do BRICS poderia ter impactos diplomáticos e econômicos, especialmente em projetos conjuntos nas áreas de infraestrutura, energia, tecnologia e financiamento.
Mercado acompanha propostas para o próximo governo
As propostas de política externa também são acompanhadas pelo mercado financeiro e pelo setor produtivo. Empresas exportadoras observam com atenção as posições dos candidatos sobre o BRICS, o Mercosul e a relação comercial com a China.
Projetos estratégicos, como investimentos em energia, infraestrutura e transição energética, também podem ser influenciados pela forma como o próximo governo conduzirá as relações internacionais do Brasil.
A definição sobre o papel do país em blocos econômicos e organismos multilaterais deve ganhar espaço nos debates eleitorais e nas agendas de campanha dos candidatos nas próximas semanas.
O que está em jogo na política externa
A eleição de 2026 colocará em disputa diferentes visões sobre o posicionamento internacional do Brasil. De um lado, há propostas de fortalecimento do BRICS e da atuação em fóruns multilaterais. Do outro, candidatos defendem maior aproximação com países ocidentais, acordos bilaterais e uma política comercial mais voltada à diversificação de parceiros.
Independentemente do resultado das urnas, o próximo governo terá o desafio de definir como o Brasil pretende atuar em um cenário internacional marcado pela disputa entre grandes potências, pela reorganização das cadeias produtivas e pela crescente importância de temas como energia, tecnologia e segurança econômica.
Entenda o contexto
O BRICS é um bloco formado por economias emergentes que busca ampliar a cooperação em áreas como comércio, investimentos, desenvolvimento e governança global. Nos últimos anos, o grupo ganhou maior relevância internacional com a entrada de novos países e a expansão de sua atuação econômica. Na eleição presidencial de 2026, o futuro da participação brasileira no bloco se tornou um dos principais temas da política externa, dividindo candidatos que defendem o fortalecimento do BRICS e aqueles que propõem reduzir sua influência ou até retirar o Brasil do grupo.