MPSP investiga delegado acusado de dificultar apresentação de presos em cinco cidades do interior de SP

Delegado Erivan Vera Cruz é alvo de investigação após policiais relatarem demora e negativas para registrar prisões; caso também envolve suspeita de que ele estivesse sob efeito de álcool durante atendimento.
Redação NC News
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O Ministério Público de São Paulo (MPSP) abriu uma investigação contra o delegado Erivan Vera Cruz, titular do Distrito Policial de Jaguariúna e responsável também por plantões na delegacia de Mogi-Guaçu. A apuração começou após forças policiais de cinco cidades do interior de São Paulo relatarem dificuldades para apresentar presos e registrar ocorrências sob responsabilidade do delegado.

Segundo informações reunidas pelo MPSP, policiais militares e guardas civis municipais teriam enfrentado situações de demora ou até mesmo negativa para o atendimento de ocorrências, principalmente nos casos de prisões em flagrante.

A situação, de acordo com os relatos, estaria provocando sobrecarga nas equipes de segurança, que precisam permanecer por mais tempo nas delegacias ou se deslocar para unidades mais distantes para conseguir apresentar os presos.

Delegado teria demorado horas para comparecer

Um dos episódios que motivaram a abertura da investigação ocorreu no sábado (22/8), após policiais militares prenderem um homem suspeito de furtar uma instituição de ensino em Itapira.

De acordo com as informações apresentadas ao Ministério Público, os policiais chegaram por volta das 7h40 à delegacia de Mogi-Guaçu, unidade responsável pelo atendimento 24 horas.

A equipe teria permanecido no local aguardando a presença do delegado. Erivan Vera Cruz, segundo o relato, só teria comparecido aproximadamente quatro horas depois, já após o início do expediente oficial.

Quando questionado sobre a demora, o delegado teria informado que estava em casa.

O episódio acabou sendo acompanhado por representantes da Corregedoria da Polícia Civil, oficiais e pelo próprio promotor responsável pela apuração.

Suspeita de embriaguez

Durante a ocorrência, segundo o MPSP, os agentes teriam percebido forte odor etílico no delegado.

Ainda de acordo com as informações apresentadas, Erivan Vera Cruz teria se recusado a realizar o teste do bafômetro e também não teria aceitado fazer exame de sangue no Instituto Médico-Legal (IML).

Diante da situação, foram adotadas medidas administrativas relacionadas ao episódio.

A suspeita de que o delegado estivesse sob efeito de álcool durante o atendimento deverá ser analisada dentro da apuração, assim como as circunstâncias que levaram à demora no comparecimento à unidade policial.

Reclamações seriam antigas

Além do episódio mais recente, fontes ouvidas pelo Metrópoles relataram que policiais enfrentam há anos situações de desestímulo na apresentação de ocorrências nas unidades sob responsabilidade do delegado.

Os relatos incluem desde demora para formalizar a prisão de suspeitos até situações em que o delegado teria questionado se determinados casos poderiam ser considerados flagrantes.

Segundo as denúncias, isso teria ocorrido inclusive em situações nas quais havia confissão do suspeito, depoimentos de vítimas e imagens de câmeras de segurança relacionadas ao crime.

A situação teria provocado preocupação entre policiais militares e guardas municipais, que dependem da atuação da autoridade policial para formalizar prisões e dar andamento às ocorrências.

Deslocamentos aumentam carga dos policiais

Uma das principais preocupações apontadas na investigação é o impacto provocado pela necessidade de levar presos para outras delegacias.

Jaguariúna e Mogi-Guaçu estão separadas por aproximadamente 45 quilômetros. Quando uma ocorrência não é apresentada na unidade inicialmente responsável, policiais podem precisar percorrer distâncias maiores para conseguir registrar o caso.

Esse deslocamento significa que viaturas e agentes permanecem fora das áreas onde deveriam estar realizando o patrulhamento.

Para o Ministério Público, a situação pode representar um problema não apenas administrativo, mas também de segurança pública, já que equipes ostensivas ficam ocupadas por períodos maiores durante a apresentação de presos.

Corregedoria foi comunicada

Após o início da investigação, o MPSP comunicou a Corregedoria da Polícia Civil e o Departamento de Polícia Judiciária de São Paulo Interior 2 (Deinter-2), sediado em Campinas.

Os órgãos deverão analisar a conduta do delegado e verificar se houve descumprimento de deveres funcionais.

A investigação também poderá reunir documentos, registros de ocorrências, depoimentos dos policiais envolvidos e outros elementos que ajudem a esclarecer os episódios relatados.

Apuração ainda está em andamento

A investigação do Ministério Público ainda não representa uma condenação ou conclusão definitiva sobre a conduta do delegado.

Os fatos deverão ser analisados pelas autoridades responsáveis, que poderão determinar novas diligências e ouvir os envolvidos antes de qualquer eventual responsabilização.

O caso chama atenção porque envolve diretamente o atendimento de ocorrências policiais e a apresentação de pessoas presas, uma etapa considerada fundamental para o funcionamento da segurança pública.

Enquanto a investigação avança, a Corregedoria e o Deinter-2 também deverão avaliar os fatos e possíveis medidas administrativas relacionadas ao delegado.

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