Inundação devastadora deixa mortos e centenas de desaparecidos na fronteira do Nepal com o Tibete

Enchente arrastou casas, pontes, veículos e projetos de energia; autoridades temem que número de vítimas aumente e alertam para risco de uma nova inundação
Redação NC News
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Uma inundação repentina e devastadora atingiu nesta quarta-feira (26/8) a região da fronteira entre o Nepal e o Tibete, deixando dezenas de mortos, centenas de desaparecidos e um rastro de destruição em comunidades próximas ao Himalaia.

O número de vítimas ainda está sendo atualizado pelas autoridades. Balanços divulgados ao longo do dia apontam pelo menos 55 mortos, enquanto cerca de 400 pessoas estão desaparecidas. Entre os desaparecidos estão moradores e centenas de turistas estrangeiros.

A tragédia atingiu principalmente o distrito de Rasuwa, no norte do Nepal, próximo à fronteira com o território tibetano, administrado pela China. O rio Bhote Koshi transbordou violentamente e levou parte de vilas, estradas, pontes e instalações de infraestrutura.

Imagens divulgadas após a enchente mostram a força da água destruindo construções e carregando veículos. Em alguns pontos, comunidades inteiras ficaram cobertas por lama e escombros.

Centenas de turistas estão desaparecidos

Um dos principais temores das autoridades é o número de estrangeiros que estavam na região no momento da inundação.

A Junta de Turismo do Nepal informou que 384 pessoas estavam desaparecidas, sendo 291 estrangeiros. Entre os desaparecidos há cidadãos da Índia, Estados Unidos, Reino Unido, Malásia, Coreia do Sul e outros países. A relação ainda pode mudar conforme as equipes de resgate conseguem localizar pessoas e atualizar os registros.

A região afetada é utilizada como rota para viajantes que seguem em direção ao Tibete, incluindo pessoas que visitam áreas próximas ao Monte Kailash.

Terremoto pode ter provocado avalanche

A origem exata da tragédia ainda é investigada. Uma das principais hipóteses é que um terremoto de magnitude 4,4 tenha provocado uma avalanche de gelo e pedras que atingiu o rio Lhende Khola.

Segundo informações do Centro Alemão de Pesquisa em Geociências, o tremor ocorreu aproximadamente sete minutos antes das imagens que registraram a chegada da enorme massa de água, lama e rochas. A hipótese, porém, ainda não foi confirmada oficialmente.

Especialistas também alertam para a possibilidade de uma segunda inundação, já que ainda existe uma obstrução em um trecho do rio. O bloqueio pode provocar novo acúmulo de água e aumentar o risco para as comunidades que permanecem próximas às margens.

Por isso, autoridades orientaram moradores a deixar áreas baixas e procurar terrenos mais elevados.

Vilas inteiras foram atingidas

A força da correnteza provocou danos generalizados no distrito de Rasuwa. Casas foram destruídas, veículos foram arrastados e pontes desapareceram sob a água.

Também foram atingidos projetos hidrelétricos, estradas e outras estruturas essenciais. A destruição prejudicou o acesso das equipes de emergência às áreas mais isoladas.

No lado tibetano da fronteira, um deslizamento de terra atingiu a região do porto de Gyirong, provocando danos em estradas, comunicação e fornecimento de energia. Autoridades chinesas também relataram desaparecidos e temem que o número de vítimas aumente.

A tragédia também afetou a capacidade de geração de energia do Nepal. Cerca de 430 megawatts, equivalentes a mais de 12% da capacidade hidrelétrica do país, foram afetados pelos danos provocados pela inundação.

Resgate enfrenta condições extremas

O Exército do Nepal mobilizou 14 helicópteros e equipes especializadas para tentar alcançar as áreas atingidas. A operação, entretanto, enfrenta enormes dificuldades por causa do terreno montanhoso, do transbordamento dos rios e dos estragos nas vias de acesso.

Em alguns pontos, os helicópteros não conseguiram pousar, obrigando as equipes a buscar alternativas para chegar aos sobreviventes.

Autoridades do Nepal também solicitaram apoio de países vizinhos. China e Índia se colocaram à disposição para auxiliar nas operações de emergência e resgate.

Índia também entra em alerta

O desastre provocou preocupação além da região diretamente atingida. Rios que descem das montanhas do Nepal atravessam áreas do norte da Índia.

Diante do risco de novas cheias, foram emitidos alertas para os estados indianos de Uttar Pradesh e Bihar, que fazem fronteira com o Nepal.

As autoridades continuam monitorando os níveis dos rios e as condições das áreas próximas à fronteira.

Entenda o contexto

A inundação desta quarta-feira atingiu uma das regiões mais montanhosas e vulneráveis do Himalaia, na fronteira entre Nepal e Tibete. O desastre provocou dezenas de mortes e deixou centenas de pessoas desaparecidas, incluindo muitos estrangeiros.

A principal hipótese investigada é que um terremoto de magnitude 4,4 tenha provocado uma avalanche de gelo e rochas, bloqueando o curso de um rio e desencadeando uma onda de água, lama e detritos. A força da correnteza destruiu casas, pontes, estradas e estruturas de geração de energia.

As equipes de resgate continuam trabalhando em condições extremamente difíceis, enquanto autoridades alertam para o risco de uma nova inundação caso o bloqueio existente no rio se rompa.

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