Terremoto pode ter desencadeado avalanche que provocou enchentes devastadoras no Nepal

Abalo sísmico agrava situação das cheias no Nepal, causando avalanches e múltiplos impactos na região montanhosa.
Redação NC News
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Um terremoto de magnitude 4,4 pode ter desencadeado uma avalanche de gelo e rochas que bloqueou o rio Lhende e provocou uma inundação repentina de grandes proporções no Nepal nesta quarta-feira (26). O desastre atingiu principalmente o distrito de Rasuwa, na fronteira com o Tibete, destruindo casas, estradas, pontes e estruturas de geração de energia.

O tremor foi registrado na região de Kodari, próxima à fronteira com a China, pouco antes da inundação. Autoridades nepalesas apontam que o terremoto pode ter provocado o desprendimento de uma grande massa de gelo e rocha, que teria atingido o rio e formado uma barreira natural. O acúmulo de água teria sido seguido pelo rompimento da obstrução, liberando uma onda de lama e detritos rio abaixo.

A hipótese ainda é investigada. Análises preliminares também consideram a possibilidade de rompimento de um lago glacial ou de uma combinação de fenômenos. Cientistas ouvidos no Nepal afirmam que a natureza extremamente repentina da inundação indica que o evento pode ter sido provocado por uma obstrução a montante, e não simplesmente pelas chuvas.

O fenômeno atingiu o rio Lhende, afluente do Bhote Koshi. A força da água carregada de lama e pedras avançou pelos vales e atingiu comunidades próximas à fronteira, transformando rapidamente estradas e áreas habitadas em corredores de destruição.

Enchente deixa mortos e centenas de desaparecidos

A dimensão da tragédia aumentou ao longo desta quarta-feira. Dados divulgados pelas autoridades nepalesas apontam pelo menos 95 mortos no país, enquanto centenas de pessoas continuam desaparecidas. Entre os desaparecidos estão turistas e viajantes de diferentes nacionalidades que estavam na região ou a caminho do Tibete.

O Nepal informou que 384 viajantes tiveram sua localização registrada como desconhecida, sendo 341 estrangeiros. Há cidadãos da Índia, Estados Unidos, Reino Unido, Austrália, África do Sul, Coreia do Sul e outros países entre os desaparecidos ou ainda não localizados.

A região é uma importante rota turística e de peregrinação, inclusive para pessoas que seguem em direção ao monte Kailash, no Tibete. Por isso, a destruição das estradas e das pontes dificulta não apenas o resgate de moradores, mas também a localização de estrangeiros que estavam em trânsito.

No lado chinês da fronteira, na região do Tibete, o desastre também provocou mortes e desaparecimentos. A enchente e os deslizamentos atingiram a área de Gyirong, importante ponto de passagem entre China e Nepal.

Rios transbordam e levam casas, pontes e estradas

A força da água provocou uma destruição generalizada ao longo dos rios Lhende e Bhote Koshi. Casas foram arrastadas, veículos desapareceram sob a lama e importantes vias de acesso ficaram destruídas ou bloqueadas.

Segundo autoridades nepalesas, pelo menos 19 pontes foram destruídas, enquanto cerca de 40 quilômetros de estradas foram danificados. Treze projetos hidrelétricos também foram atingidos, além de aproximadamente 200 caminhões levados pela correnteza.

A infraestrutura energética também sofreu impactos significativos. O desastre afetou instalações responsáveis por centenas de megawatts de geração de eletricidade, agravando os problemas de acesso e comunicação em algumas áreas atingidas.

A destruição das estradas cria um segundo problema: equipes de emergência têm dificuldade para chegar às localidades mais isoladas. Em alguns pontos, helicópteros e drones são usados para localizar sobreviventes e avaliar a extensão dos danos.

Resgates enfrentam terreno destruído e risco de nova inundação

O Exército, a Polícia do Nepal e a Polícia Armada mobilizaram equipes para as operações de busca e resgate. Helicópteros, drones e equipamentos de apoio estão sendo utilizados para alcançar áreas que ficaram isoladas após a destruição das estradas e pontes.

O trabalho, entretanto, ocorre em condições extremamente difíceis. O nível dos rios permanece elevado, enquanto lama, pedras e destroços bloqueiam acessos. Em algumas áreas, o terreno instável também aumenta o risco para os próprios socorristas.

Existe ainda preocupação com a possibilidade de uma nova inundação. Caso permaneça alguma barreira natural formada por gelo, rochas e sedimentos em um trecho superior do rio, o acúmulo de água poderá provocar outro rompimento repentino. Especialistas e autoridades acompanham a situação para identificar esse risco.

Moradores de áreas próximas aos rios estão sendo orientados a buscar locais mais elevados e evitar regiões potencialmente afetadas por novos deslizamentos ou ondas de água.

Nepal e China mobilizam equipes de emergência

O desastre também provocou uma operação conjunta de emergência na região de fronteira. A China mobilizou equipes para o lado tibetano, onde deslizamentos atingiram o porto de Gyirong e interromperam estradas, energia elétrica e comunicações.

O governo nepalês também busca apoio internacional para as operações de resgate e assistência às vítimas. A Índia informou que está pronta para fornecer ajuda humanitária e mantém equipes em coordenação com as autoridades nepalesas.

Hospitais e unidades médicas foram preparados para receber feridos, enquanto forças de segurança concentram esforços na localização de pessoas desaparecidas.

A tragédia ainda está sendo dimensionada. Como algumas regiões permanecem isoladas, o número de mortos e desaparecidos pode mudar à medida que equipes conseguem chegar aos locais atingidos e confirmar a situação das pessoas registradas como desaparecidas.

Desastre reacende alerta sobre riscos no Himalaia

O episódio expõe novamente a vulnerabilidade das regiões montanhosas do Nepal a eventos naturais em cadeia. Terremotos, deslizamentos, avalanches, rompimentos de lagos glaciais e chuvas intensas podem se combinar e transformar um fenômeno localizado em uma catástrofe de grandes proporções.

O caso também reforça a importância de sistemas capazes de monitorar simultaneamente atividade sísmica, movimentação de encostas, rios e lagos glaciais. Cientistas defendem que alertas integrados podem reduzir o tempo entre a identificação de um risco e a retirada das populações.

Enquanto as buscas continuam, as autoridades ainda tentam determinar exatamente como os eventos se sucederam. A hipótese mais forte até agora é de que o terremoto tenha provocado uma avalanche de gelo e rochas, que bloqueou o rio e posteriormente desencadeou a inundação. Mas a investigação sobre a origem exata da enchente permanece aberta.

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