A manhã desta quarta-feira (26) foi marcada por cenas de caos e tensão na Zona Norte do Rio de Janeiro. Criminosos sequestraram ônibus e usaram os próprios veículos como barricadas para bloquear importantes vias da região, em uma reação a uma operação da Polícia Militar.
Segundo informações da PM, 18 coletivos foram atravessados nas ruas de Cascadura e Campinho, dificultando a circulação de veículos e provocando mudanças no transporte público. Ao menos 33 linhas de ônibus tiveram os itinerários alterados.
A ação ocorreu após um intenso confronto entre policiais e criminosos na comunidade do Fubá. A Polícia Militar informou que quatro suspeitos foram presos durante a operação. Um deles morreu após sofrer uma parada cardíaca, enquanto outro foi baleado e levado para o Hospital Estadual Carlos Chagas, em Marechal Hermes.
Ônibus são usados para bloquear ruas
Os criminosos retiraram os coletivos de suas rotas e os posicionaram de forma atravessada nas vias, criando obstáculos para impedir a passagem de veículos.
A Polícia Militar informou que houve um princípio de distúrbio na Rua Clarimundo de Melo, além de uma tentativa de fechamento da Linha Amarela. A Avenida Dom Hélder Câmara também foi afetada.

Durante a operação para liberar as ruas, 17 ônibus foram retirados. Um dos coletivos ainda permanecia bloqueando uma via no início da tarde.
A situação provocou impactos no transporte público e obrigou passageiros a procurar alternativas para conseguir chegar aos destinos.
Confronto terminou com prisão e morte
De acordo com a PM, o uso dos ônibus como barricadas ocorreu depois de uma troca de tiros entre agentes e criminosos na comunidade do Fubá.
Após o confronto, suspeitos teriam fugido em direção a uma área de mata. As equipes policiais fizeram buscas e conseguiram prender quatro pessoas.
Um dos suspeitos sofreu uma parada cardíaca e morreu. Outro foi atingido durante a ação e levado para atendimento médico.
A polícia apreendeu uma pistola, uma granada, seis carregadores de fuzil e drogas durante a operação.
Operação acontece em meio à guerra entre facções
A ação desta quarta-feira ocorre em meio a uma sequência de operações policiais na Zona Norte e na Baixada Fluminense.
A Polícia Militar também realiza operações em Brás de Pina, Pavuna e Duque de Caxias, com o objetivo de impedir uma tentativa de avanço do Comando Vermelho (CV) sobre áreas dominadas pelo Terceiro Comando Puro (TCP).
O principal foco é o chamado Complexo de Israel, território formado por comunidades como Vigário Geral, Parada de Lucas, Cidade Alta, Cinco Bocas e Pica-Pau. A região é apontada pelas autoridades como área de domínio do TCP e está ocupada pelas forças de segurança desde segunda-feira (24).
A PM afirmou que o projeto de expansão territorial do Comando Vermelho vem sendo combatido pelas forças de segurança.
Nova onda de violência preocupa moradores
O episódio desta quarta-feira amplia os reflexos da ofensiva policial que ocorre na região. Nos últimos dias, confrontos e ações criminosas já provocaram bloqueios de vias importantes, interrupções no transporte e mudanças na rotina de moradores.
Na segunda-feira (24), durante uma operação no Complexo de Israel, dois caminhões foram incendiados e a Avenida Brasil chegou a ser interditada nos dois sentidos. A operação também provocou alterações em linhas de ônibus e afetou serviços públicos.
Na terça-feira (25), uma nova operação no Complexo de Israel resultou em prisões e apreensões. Entre os presos estava Luana Rosa de Araújo, conhecida como Madrinha da Cidade Alta e apontada pela polícia como uma das integrantes de liderança do TCP.
Já nesta quarta, além dos ônibus usados como barricadas, a circulação de trens também foi afetada após a localização de um artefato explosivo próximo ao ramal Saracuruna.
Transporte volta a ser alvo dos criminosos
O uso de ônibus como barricadas expõe novamente um dos efeitos mais graves da disputa entre organizações criminosas no Rio: a população acaba tendo o transporte e as principais vias da cidade transformados em instrumentos da guerra territorial.
Os coletivos, que deveriam transportar trabalhadores e estudantes, são retirados de circulação e utilizados para impedir o deslocamento de veículos e dificultar a ação policial.
Com 33 linhas afetadas nesta quarta-feira, o episódio deixou milhares de passageiros sujeitos a mudanças de itinerário e atrasos em uma das regiões mais populosas da capital.
Entenda o contexto
A Zona Norte do Rio atravessa uma sequência de operações policiais em meio à disputa territorial entre o Comando Vermelho e o Terceiro Comando Puro.
O Complexo de Israel, controlado pelo TCP, tornou-se um dos principais focos dessa disputa, enquanto as forças de segurança tentam impedir o avanço de grupos rivais. Nos últimos dias, confrontos provocaram incêndios, bloqueios de vias, interrupções no transporte e apreensões de armas e drogas.
O uso de ônibus como barricadas nesta quarta-feira representa mais um episódio dessa escalada de violência e mostra como a disputa entre facções ultrapassa os limites das comunidades e atinge diretamente a rotina de milhares de moradores do Rio.