Uma mala com R$ 510 mil em dinheiro vivo apreendida pela Polícia Federal (PF) no Aeroporto de Congonhas, em São Paulo, pertence à advogada Valéria Rodrigues Linhares, filiada ao PSD e ex-candidata a deputada distrital pelo partido no Distrito Federal. A apreensão ocorreu na terça-feira (25), durante uma fiscalização no aeroporto.
Valéria disputou uma vaga na Câmara Legislativa do Distrito Federal em 2018 e recebeu 1.904 votos, mas não foi eleita. Ela continua filiada ao PSD, partido comandado nacionalmente por Gilberto Kassab e que integra a chapa presidencial de Ronaldo Caiado nas eleições deste ano.
O caso chamou a atenção porque a passageira teria informado inicialmente aos agentes que carregava R$ 400 mil na bagagem. Durante a fiscalização, porém, os policiais encontraram R$ 510 mil em espécie.
Dinheiro foi encontrado durante raio-X
A quantia foi identificada quando a mala passou pelo equipamento de raio-X do aeroporto. Após a abordagem, os agentes abriram a bagagem e fizeram a contagem do dinheiro.
Segundo a Polícia Federal, o montante não havia sido declarado previamente à fiscalização. A advogada afirmou aos policiais que possui documentação capaz de comprovar a origem dos recursos e que o valor consta em sua declaração de Imposto de Renda.
Como a comprovação não foi apresentada imediatamente, a PF apreendeu o dinheiro e ouviu as pessoas envolvidas no caso.
Agora, a defesa pretende apresentar os documentos para solicitar a devolução da quantia.
Defesa diz que dinheiro veio de atividade jurídica
O advogado Daniel Bialski, que representa Valéria, afirmou que não existe irregularidade na origem dos recursos.
Segundo ele, o dinheiro teria sido recebido pela advogada em razão de sua atuação profissional e possui documentação que comprovaria a origem lícita dos valores.
A defesa informou que pediria a devolução dos R$ 510 mil nesta quarta-feira (26).
A PF, entretanto, ainda poderá analisar a documentação apresentada antes de decidir sobre a destinação do dinheiro.
Filiada ao PSD
A ligação de Valéria com o PSD também chamou atenção após a apreensão. A advogada permanece oficialmente filiada ao partido, embora a direção da legenda no Distrito Federal tenha informado que ela não participa das atividades partidárias.
A direção nacional do PSD afirmou desconhecer o caso.
Valéria foi candidata a deputada distrital em 2018, quando recebeu pouco menos de 2 mil votos. Desde então, não ocupou cargo eletivo.
PF pode investigar origem do dinheiro
A apreensão não significa, por si só, que a advogada tenha cometido um crime. O ponto central da apuração será verificar a origem dos R$ 510 mil, além da regularidade do transporte e da documentação apresentada para justificar a posse do dinheiro.
Segundo investigadores, caso não seja apresentada comprovação considerada suficiente, o caso poderá avançar na Justiça. A Polícia Federal também avalia a possibilidade de abertura de investigação relacionada a lavagem de dinheiro ou evasão de divisas, dependendo das circunstâncias identificadas durante a apuração.
Por enquanto, a defesa sustenta que os recursos são legais e estão devidamente declarados.
Entenda o contexto
A Polícia Federal apreendeu R$ 510 mil em espécie durante uma fiscalização no Aeroporto de Congonhas, em São Paulo. O dinheiro estava em uma mala pertencente à advogada Valéria Rodrigues Linhares, que é filiada ao PSD e foi candidata a deputada distrital pelo partido em 2018.
Ela afirmou que os valores têm origem lícita e estão declarados no Imposto de Renda. A defesa pretende apresentar os documentos e pedir a devolução do dinheiro. A PF, por sua vez, deverá analisar a origem dos recursos e poderá aprofundar a investigação caso a documentação apresentada não seja considerada suficiente.
Até o momento, não há informação de que Valéria tenha sido presa ou formalmente acusada de crime.