A avalanche que atingiu o Nepal foi resultado de uma complexa sequência de fenômenos naturais, segundo a avaliação do geólogo Júlio Lana, do Serviço Geológico do Brasil. Em entrevista ao vivo ao NC News Acontece, o especialista explicou que as informações disponíveis apontam para um grande movimento de massa nas partes mais elevadas das montanhas e geleiras, com o deslocamento de gelo, rochas e detritos.
Segundo Lana, esse material pode ter sido mobilizado após um possível terremoto e rapidamente se acumulou nos cursos dos rios da região. A quantidade de material teria sido tão grande que passou a funcionar inicialmente como uma espécie de barragem, dificultando o escoamento normal da água.
Como a avalanche se formou?
O geólogo explicou que o acúmulo de gelo, rochas e outros detritos provocou o aumento do nível dos rios. Com a dificuldade de escoamento e o possível derretimento das massas de gelo, a pressão aumentou até que essa barreira se rompeu.
A partir daí, toda a massa acumulada foi mobilizada em alta velocidade pelo curso dos rios e percorreu quilômetros, provocando destruição por onde passou.
“Essa grande massa mobilizada e acumulada nos canais funcionou inicialmente como uma barragem”, explicou Júlio Lana durante a entrevista ao NC News.
O especialista destacou que ainda são necessários dados e estudos para compreender completamente o fenômeno. Por isso, a relação exata entre o possível terremoto e a avalanche ainda depende de investigações.
Novos episódios podem acontecer?
Questionado por Alex Sampaio sobre a possibilidade de um novo fenômeno semelhante ocorrer na região, Lana afirmou que novas ocorrências são possíveis, mas avaliou que, caso aconteçam, a tendência é de que tenham menor magnitude.
Isso porque grande parte do material que estava disponível no leito dos rios já teria sido transportada pelo primeiro episódio.
O geólogo, porém, chamou atenção para outro fator: a região está no período de monções, marcado por grandes volumes de chuva. Além disso, terremotos podem ser seguidos por réplicas, o que significa que novos tremores poderiam provocar a movimentação de materiais que ainda permaneçam instáveis.
“Caso existam novas ocorrências de tremores na região, é possível que ainda assim algum material possa se mobilizar”, explicou.
Terremotos e outros fenômenos estão ligados?
Durante a entrevista, Alex Sampaio também questionou se a sequência de terremotos e outros desastres registrados em diferentes partes do mundo poderia estar relacionada a um único movimento do planeta.
Júlio Lana explicou que terremotos e outros fenômenos geológicos sempre fizeram parte da dinâmica natural da Terra. De acordo com o especialista, registros geológicos mostram que esses eventos fazem parte da evolução do planeta.
O grande problema, segundo ele, ocorre quando fenômenos de grande magnitude atingem regiões habitadas. Nesses casos, a energia liberada pode provocar consequências extremamente graves.
“São fenômenos que sempre aconteceram. O grande problema é quando esses fenômenos acontecem em áreas que são habitadas”, afirmou Lana.
Especialista destaca importância da prevenção
Para o geólogo, além do trabalho de emergência após um desastre, o acompanhamento das áreas de risco e a prevenção são fundamentais para reduzir os impactos sobre a população.
O Serviço Geológico do Brasil mantém conteúdos voltados às geociências, aos riscos geológicos e à prevenção de desastres. Durante a entrevista, Lana também indicou os canais do órgão para quem deseja acompanhar informações e orientações sobre esses temas.
A entrevista foi realizada ao vivo por Alex Sampaio, durante o NC News Acontece, e ajudou a explicar, de forma didática, como uma sequência de movimentos de gelo, rochas, água e possíveis tremores pode resultar em um fenômeno de grande poder destrutivo.