Brasileiros temem votar em Nova York por medo do ICE

Consulado brasileiro escolheu complexo educacional no Queens para evitar filas em áreas externas e ampliar a sensação de segurança durante o primeiro turno
Redação NC News
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Brasileiros que vivem nos Estados Unidos, principalmente em Nova Jersey, temem comparecer às urnas nas eleições presidenciais de 2026 por causa da intensificação das ações do ICE, agência responsável pela fiscalização migratória nos Estados Unidos. O primeiro turno está marcado para 4 de outubro.

A preocupação levou o Consulado-Geral do Brasil em Nova York a buscar um local de votação que oferecesse maior segurança e privacidade aos eleitores. A escolha foi por um complexo educacional no Queens, em Nova York, onde será possível organizar as filas dentro dos prédios e evitar que os eleitores precisem permanecer em espaços públicos.

Medo entre brasileiros

A ofensiva migratória alterou a rotina de parte dos brasileiros que vivem na região. Segundo relatos obtidos pela imprensa, alguns imigrantes passaram a evitar sair de casa, pedir comida por aplicativos e acompanhar grupos de WhatsApp usados para alertar sobre a presença de agentes de imigração.

O temor também alcançou o processo eleitoral. Brasileiros residentes em Nova Jersey relatam que podem deixar de votar por receio de serem abordados durante o deslocamento até o local de votação. A expectativa é de que esse cenário contribua para uma participação menor do eleitorado brasileiro nos Estados Unidos.

A preocupação do consulado foi encontrar um espaço no qual os eleitores pudessem permanecer dentro de uma estrutura privada durante o processo. O complexo escolhido fica no Queens, relativamente distante de Manhattan e de cidades de Nova Jersey com grande concentração de brasileiros, como Newark.

A escolha contou ainda com apoio da Secretaria de Relações Internacionais da Prefeitura de Nova York e da Polícia de Nova York, que ajudaram a identificar uma estrutura considerada adequada para receber os eleitores.

Por que o local foi escolhido?

Além da preocupação com a segurança, o espaço permite organizar o fluxo de pessoas sem a formação de grandes filas nas ruas. A estratégia busca reduzir a exposição dos brasileiros durante a espera e facilitar o controle da movimentação no dia da votação.

Segundo informações divulgadas sobre a escolha, agentes do ICE não podem entrar em áreas privadas, como residências ou escolas, sem um mandado judicial assinado por um juiz. Por isso, a possibilidade de manter os eleitores dentro do complexo educacional foi considerada um fator importante para a escolha do endereço.

O próprio Consulado-Geral do Brasil em Nova York afirmou que a estrutura do consulado não comportaria adequadamente o fluxo previsto de eleitores. A representação informou que quase 50 mil brasileiros da região deverão utilizar o posto de votação.

A cidade de Nova York e o estado também são considerados jurisdições-santuário, por adotarem políticas que limitam a cooperação local com determinadas ações federais de imigração. Isso, porém, não elimina a atuação das autoridades federais de imigração.

Eleitorado brasileiro nos Estados Unidos

Os Estados Unidos concentram o maior eleitorado brasileiro registrado no exterior. Dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) mostram que cerca de 265 mil brasileiros estão aptos a votar no país nas eleições de 2026. O número faz dos Estados Unidos o principal país em quantidade de eleitores brasileiros fora do território nacional.

O eleitorado brasileiro no exterior também cresceu de forma significativa. Em 2022, havia cerca de 697 mil brasileiros registrados para votar fora do país. Para 2026, o número chegou a aproximadamente 918,9 mil, alta de 31,8% em quatro anos.

Apesar do crescimento, a participação dos brasileiros que vivem fora do país historicamente é marcada por uma elevada abstenção. Nas eleições de 2022, 51% dos eleitores registrados no exterior não compareceram às urnas. Em 2018 e 2014, a taxa chegou a 59%.

Para os brasileiros que vivem nos Estados Unidos, portanto, a eleição de 2026 terá um obstáculo adicional: além da distância e das dificuldades naturais para o deslocamento até os postos eleitorais, parte da comunidade enfrenta o receio provocado pelo endurecimento das ações migratórias.

O voto no exterior é destinado à eleição para presidente e vice-presidente da República. Segundo o TSE, brasileiros que vivem fora do país precisam estar com o domicílio eleitoral regularizado para participar do pleito.

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