Um vídeo registrado durante a avalanche de lama que atingiu a região entre o Nepal e o Tibete mostra o momento de desespero vivido por pessoas que estavam próximas à área atingida. Nas imagens, é possível ver moradores e trabalhadores tentando fugir enquanto uma grande quantidade de lama, pedras e água avança rapidamente pelo terreno.
O desastre aconteceu na quarta-feira (26) e atingiu áreas próximas à fronteira entre o Nepal e a região chinesa do Tibete. A força do fenômeno provocou destruição de estradas, veículos, construções e estruturas de infraestrutura, além de interromper vias de comunicação em alguns pontos.
“Entenda o que causou a avalanche de lama entre Nepal e Tibete”
Vídeo mostra fuga segundos antes da destruição
As imagens que ganharam repercussão nas redes sociais mostram o momento em que pessoas percebem a aproximação da lama e começam a correr para escapar.
Em meio ao avanço do material, funcionários e outras pessoas que estavam na região tentam chegar a locais mais seguros. O volume de lama se desloca rapidamente, carregando pedras, água e outros detritos.
Em determinado momento, estruturas e veículos próximos são atingidos pela correnteza, enquanto as pessoas continuam tentando fugir.
O registro chama atenção pela velocidade com que o fenômeno se espalhou e pela dificuldade de escapar diante de uma massa de água e sedimentos que avançava pelo vale.
Avalanche de gelo e rocha teria provocado a tragédia
Segundo análises divulgadas por especialistas, o desastre teria começado com o desprendimento de gelo e rochas em uma área montanhosa do Himalaia.
O material caiu em direção a um rio e provocou uma enorme onda de água, lama e detritos. O fluxo avançou pelo curso do rio e atingiu áreas habitadas e estruturas próximas.
Uma análise de imagens de satélite indicou que uma avalanche de gelo e rocha teria contribuído para desencadear a inundação no rio Lhende.
Inicialmente, autoridades chegaram a considerar a possibilidade de um terremoto ter provocado o deslizamento. Posteriormente, o Serviço Geológico dos Estados Unidos informou que a atividade sísmica registrada no momento estava relacionada ao próprio colapso de gelo e rocha.
Região de fronteira foi fortemente atingida
A área afetada fica em uma região montanhosa e estratégica entre o Nepal e o Tibete, com circulação de moradores, trabalhadores, turistas e peregrinos.
Um dos locais atingidos foi o posto fronteiriço de Gyirong, no lado tibetano. O avanço da lama danificou estradas, linhas de comunicação e estruturas de energia.
No lado nepalês, localidades próximas aos rios também sofreram com a força da água e dos sedimentos. Casas foram destruídas ou soterradas, veículos foram arrastados e pontes acabaram danificadas.
A destruição dificultou o trabalho das equipes de resgate, que precisaram lidar com estradas interrompidas e áreas de difícil acesso.
Funcionário de usina aparece em fuga
O vídeo divulgado destaca justamente a fuga de um funcionário ligado a uma usina hidrelétrica que estava na região quando a avalanche ocorreu.
Ao perceber a aproximação da lama, ele corre para tentar escapar da área de risco. O registro mostra a rapidez com que o fluxo se aproxima e o tamanho da destruição provocada segundos depois.
A presença de estruturas de geração de energia na área aumentou a preocupação das autoridades, já que parte da infraestrutura foi atingida pelo volume de água e sedimentos.
O episódio também evidencia o risco enfrentado por trabalhadores que atuam em áreas montanhosas próximas a rios e encostas instáveis.
Resgate enfrenta dificuldades
As equipes de emergência mobilizadas após o desastre enfrentam dificuldades para chegar a todos os pontos atingidos.
Segundo informações divulgadas pelas autoridades, helicópteros estão sendo utilizados para transportar sobreviventes e levar suprimentos para comunidades isoladas.
Em determinadas regiões do Nepal, porém, as aeronaves tiveram dificuldades para pousar devido à destruição das áreas de acesso e às condições do terreno.
Além dos danos provocados diretamente pela avalanche, a interrupção do fornecimento de energia e das comunicações complicou ainda mais o trabalho das equipes.
Alerta para novos riscos permanece
A situação continua sendo monitorada porque as autoridades identificaram o risco de novos eventos na região.
No lado tibetano, equipes acompanham uma área onde houve a formação de um bloqueio natural em um curso d’água. O temor é que um novo rompimento provoque outra onda de água e detritos.
Por causa desse risco, moradores de áreas consideradas vulneráveis foram retirados preventivamente.
“Autoridades monitoram risco de novo deslizamento após desastre no Himalaia”
Tragédia expõe força dos fenômenos no Himalaia
A avalanche e a inundação subsequente mostram como fenômenos geológicos em áreas de alta montanha podem provocar consequências graves em questão de minutos.
O desprendimento de gelo, neve e rochas, combinado com a força da água, pode transformar rapidamente um trecho de rio em uma corrente de enorme poder destrutivo.
Especialistas também estudam o papel das mudanças climáticas na instabilidade de áreas glaciais. O derretimento acelerado do gelo pode alterar a estabilidade das encostas e aumentar a possibilidade de eventos extremos, embora a causa exata de cada desastre precise ser analisada individualmente.
Enquanto as buscas continuam, o vídeo da fuga registrada na região se tornou um dos principais registros da força do fenômeno e mostra, em poucos segundos, a dimensão do perigo enfrentado por quem estava próximo ao local.