Um eclipse lunar parcial quase total transforma a Lua nesta noite no céu do Brasil. O fenômeno escurece 96,2% do disco lunar e pode ser visto a olho nu.
Fenômeno começa às 22h24 e atinge auge na madrugada
O eclipse começa às 22h24, no horário de Brasília, quando a Lua entra na penumbra, a parte mais clara da sombra da Terra. Nessa primeira fase, a mudança de brilho é discreta e muitas pessoas podem nem notar de imediato.
Às 23h34, a cena muda. A Lua passa para a umbra, a região mais escura da sombra terrestre, e surge a “mordida” visível no disco iluminado. O ápice do espetáculo ocorre à 1h13 da madrugada, quando 96,2% da superfície lunar fica mergulhada na escuridão.
Depois do ponto máximo, a sombra começa a recuar. A fase parcial termina às 2h52 e a Lua deixa completamente a penumbra às 4h02. Do início ao fim, o eclipse dura cerca de 5h38, atravessando toda a madrugada.
Por que o eclipse é quase total e por que isso importa
Um eclipse lunar acontece quando a Lua cheia entra na sombra que a Terra projeta no espaço. A astrônoma Josina Oliveira do Nascimento, do Observatório Nacional, resume o processo: “O Sol incide na Terra e uma sombra se forma no espaço. Essa sombra tem duas partes: a penumbra (sombra clara) e a umbra (sombra escura)”.
Nesta madrugada, a Lua mergulha profundamente na umbra, mas não por completo. Uma faixa estreita permanece fora da região mais escura da sombra, o que mantém a classificação de eclipse parcial, embora o visual se aproxime muito de um eclipse total para o observador comum.
O evento faz parte da série Saros 138, uma sequência de eclipses com características semelhantes, separados por intervalos regulares. Na prática, significa que o alinhamento entre Sol, Terra e Lua está particularmente preciso, o que torna este eclipse mais dramático do que a maioria dos parciais.
Como e onde ver o eclipse lunar hoje
A principal vantagem do eclipse lunar é a simplicidade. Não há risco para os olhos. Não é necessário filtro especial nem equipamento astronômico. “Para ver o eclipse da Lua não é preciso nenhum aparato, basta olhar e contemplar pelo tempo que quiser”, diz Josina.
Quem quiser aproveitar melhor o fenômeno deve procurar um local com pouca iluminação artificial e horizonte desobstruído. Parques, praças, praias e varandas altas ajudam a driblar postes e prédios. Binóculos e telescópios podem realçar detalhes como crateras na região escurecida, mas são opcionais.
A Lua não deve ficar inteiramente vermelha, como na popular “Lua de Sangue”, típica de eclipses totais. Ainda assim, pode surgir uma tonalidade levemente avermelhada nas áreas mergulhadas na sombra, resultado da luz do Sol filtrada e desviada pela atmosfera terrestre até a superfície lunar.
Tempo nublado frustra parte do país
A grande incógnita da noite está no céu de cada região. O meteorologista César Soares, da Climatempo, alerta que o Rio Grande do Sul enfrenta a pior situação, com nuvens e temporais: “Por esse motivo, eles não vão conseguir observar o Eclipse Lunar. Áreas de Santa Catarina e do Sul do Paraná também vão estar numa condição ruim durante essa noite madrugada para poder observar esse fenômeno”.
No leste do Nordeste, a expectativa também é de muita nebulosidade, com momentos em que a Lua some atrás das nuvens. O extremo norte da região Norte sofre problema semelhante, com nuvens espessas em vários trechos, o que limita a observação contínua.
O interior do Nordeste, o Centro-Oeste e boa parte do Sudeste tendem a formar a faixa mais favorecida do país. “No interior do Estado de São Paulo, a chance de você conseguir observar o eclipse por conta da ausência de nebulosidade vai ser muito maior”, afirma Soares. Segundo ele, a capital paulista, o Vale do Paraíba e o Vale do Ribeira também devem ver o fenômeno, embora nuvens passageiras possam atrapalhar em alguns momentos.
Transmissão ao vivo e efeito educativo
Quem estiver sob céu encoberto não precisa perder o espetáculo. O Observatório Nacional prepara transmissão ao vivo do eclipse, com imagens e comentários de astrônomos. A iniciativa amplia o acesso ao fenômeno, especialmente para moradores de áreas urbanas densas ou de regiões com tempo ruim.
O evento mobiliza escolas, clubes de astronomia e universidades, que organizam sessões de observação gratuitas em diversas cidades. Professores usam o eclipse para explicar, na prática, conceitos como órbita, alinhamento e fases da Lua, em uma aula ao ar livre que dispensa laboratório.
O interesse também respinga no comércio de binóculos e pequenos telescópios, embora não sejam necessários para acompanhar o fenômeno. Lojas especializadas relatam aumento na procura nas semanas que antecedem eventos astronômicos dessa escala.
Próximos eclipses e o que vem pela frente
Quem se encantar com a cena de hoje precisará de paciência para repetir a experiência com a mesma intensidade. O próximo eclipse lunar parcial visível no Brasil ocorre na noite entre 11 e 12 de janeiro de 2028, mas terá apenas 2,4% do disco lunar obscurecido, um escurecimento discreto.
O grande marco seguinte é um eclipse lunar total visível em todas as regiões do país na noite entre 25 e 26 de junho de 2029. Nessa ocasião, a Lua deve entrar por completo na umbra e poderá adquirir coloração avermelhada mais intensa, cenário clássico das fotos de “Lua de Sangue”.
Até lá, o eclipse desta madrugada se firma como um dos principais eventos astronômicos recentes acessíveis a olho nu no Brasil. A combinação de espetáculo visual, transmissão ao vivo e mobilização educativa tende a fortalecer a divulgação científica e reacender o interesse de crianças e adultos pelo céu noturno.
Que horas será o eclipse lunar hoje no Brasil?
O eclipse lunar de hoje no Brasil começa às 22h24, com a fase penumbral, fica evidente a partir das 23h34, atinge o ponto máximo às 1h13 da madrugada e encerra a fase parcial às 2h52, com fim completo da penumbra às 4h02, no horário de Brasília.
Como assistir ao eclipse lunar parcial desta quinta-feira?
O eclipse lunar parcial desta quinta-feira pode ser visto a olho nu, sem risco para a visão, bastando olhar para a Lua entre 22h24 e 4h02 em locais com pouca iluminação e céu aberto, e, opcionalmente, usar binóculos ou telescópio para ver mais detalhes da superfície sombreada.
Qual a duração do eclipse lunar visível em Mato Grosso do Sul?
O eclipse lunar em Mato Grosso do Sul dura aproximadamente 5h38, assim como no restante do país, com todos os horários uma hora mais cedo em relação a Brasília, já que o estado está em fuso UTC-4, o que antecipa o início, o auge e o fim do fenômeno no relógio local.
Onde acompanhar a transmissão ao vivo do eclipse lunar?
A transmissão ao vivo do eclipse lunar é feita pelo Observatório Nacional, que exibe imagens em tempo real e comentários de astrônomos em seus canais oficiais na internet, permitindo acompanhar o fenômeno mesmo em cidades com céu nublado ou em locais urbanos com muita iluminação artificial.
Quando será o próximo eclipse lunar visível no Brasil?
O próximo eclipse lunar visível em todo o Brasil ocorre na noite entre 11 e 12 de janeiro de 2028, em formato parcial bem discreto, com apenas 2,4% do disco lunar obscurecido, seguido por um eclipse lunar total de grande impacto previsto para a noite de 25 para 26 de junho de 2029.
Qual a diferença entre eclipse lunar e eclipse solar?
Eclipse lunar acontece quando a Lua entra na sombra da Terra durante a Lua cheia e pode ser visto a olho nu com segurança, enquanto eclipse solar ocorre quando a Lua passa na frente do Sol, exige filtros especiais para observação, dura menos tempo e é visível apenas em faixas restritas da superfície terrestre.