Sem citar Flávio, Tarcísio estreia na TV e no rádio vendendo imagem de gestor que “faz o impossível”, Haddad pede eleitor “sem paixões”

Governador aposta em realizações e tom moderado no primeiro programa eleitoral, enquanto Haddad tenta atrair eleitores ao defender que São Paulo “pode mais”; disputa ao Senado também expõe estratégias distintas dos aliados.
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A largada do horário eleitoral gratuito em São Paulo revelou, já no primeiro dia, caminhos bem diferentes para os principais candidatos ao Palácio dos Bandeirantes. Com mais de 70% do tempo total do bloco, Tarcísio de Freitas (Republicanos) usou a vitrine para reforçar a imagem de gestor realizador e evitou associar sua campanha, ao menos neste primeiro momento, à do presidenciável Flávio Bolsonaro (PL).

Em uma peça cuidadosamente construída, o governador tentou se apresentar como alguém acessível, pragmático e focado em resultados. O slogan implícito foi o da eficiência. “Não sabendo que era impossível, foi lá e fez”, afirmou, ao defender que seu governo enfrentou problemas que pareciam insolúveis.

O discurso do “fazedor”

Em vez de concentrar a propaganda em grandes obras ou números de gestão, Tarcísio preferiu explorar a ideia de que assumiu desafios abandonados por governos anteriores. A Cracolândia foi usada como principal exemplo de uma situação que, segundo ele, parecia sem solução.

O governador também buscou transmitir estabilidade e experiência administrativa. Ao definir São Paulo como “um país dentro do Brasil”, argumentou que o estado exige um líder com “os pés no chão”, reforçando uma narrativa de moderação em meio à polarização nacional.

Haddad tenta romper a rejeição

Com menos da metade do tempo do adversário, Fernando Haddad (PT) apostou em uma estratégia diferente. Em sua fala principal, pediu que os eleitores deixem de lado as disputas ideológicas para avaliar propostas e resultados concretos.

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O petista afirmou que São Paulo “pode mais” e prometeu recolocar o estado em posição de destaque. Ao longo da propaganda, sua campanha destacou realizações associadas à sua trajetória, como o Prouni, o Desenrola Brasil, a ampliação da Rede Hora Certa e a isenção do Imposto de Renda para quem ganha até R$ 5 mil.

Senado repete a lógica dos palanques

Na disputa pelas vagas ao Senado, também ficou evidente a diferença de estratégia entre os campos políticos. Guilherme Derrite (PP) e André do Prado (PL) buscaram capitalizar a popularidade de Tarcísio e destacaram a parceria com o governador.

Do outro lado, Simone Tebet (PSB) e Marina Silva (Rede) optaram por não vincular suas imagens à de Haddad na estreia. A escolha sugere uma tentativa de dialogar com públicos mais amplos em um estado onde o PT enfrenta resistência histórica.

O primeiro recado das campanhas

Se a estreia do horário eleitoral serviu como teste, a mensagem foi clara: Tarcísio quer transformar a eleição em um julgamento de sua gestão, enquanto Haddad tenta convencer o eleitor de que há espaço para mudança. E um detalhe chamou atenção nos bastidores: apesar da força do campo conservador, o governador escolheu começar a campanha falando de governo, não de Flávio Bolsonaro. Isso pode dizer muito sobre a estratégia que será adotada daqui para frente.

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