EUA notificam Brasil após incidente entre helicóptero de Trump e avião da Embraer

Marine One, que transportava o presidente americano, e um avião comercial ficaram próximos demais durante operação em Washington; falhas de comunicação estão no centro da investigação.
Redação NC News
ouça este conteúdo
00:00 / 00:00
1x

O Brasil foi oficialmente envolvido na investigação de um incidente aéreo ocorrido em 4 de agosto, nas proximidades do Aeroporto Nacional Ronald Reagan, em Washington. O episódio envolveu o Marine One, helicóptero que transportava o presidente Donald Trump, e um avião comercial da Envoy Air, de projeto da Embraer.

O caso foi classificado pelo Conselho Nacional de Segurança nos Transportes dos Estados Unidos (NTSB) como uma “perda de separação”, situação em que duas aeronaves ficam mais próximas do que os parâmetros de segurança estabelecidos permitem. Não houve feridos nem danos, e os dois voos seguiram normalmente.

Leia também:

Trump mira gigantes da carne e promete medida para quebrar domínio nos EUA

Por que o Brasil foi notificado?

A participação brasileira não significa que o país esteja sendo responsabilizado pelo incidente.

O Cenipa, órgão da Força Aérea Brasileira responsável pela investigação e prevenção de acidentes aeronáuticos, foi comunicado porque o avião envolvido é de projeto brasileiro, fabricado pela Embraer.

Pelas normas internacionais de investigação de acidentes e incidentes aéreos, o país responsável pelo projeto de uma aeronave pode participar da apuração. A FAB informou que um investigador brasileiro foi designado para acompanhar o caso como representante acreditado do Brasil.

Falha de comunicação está no centro da investigação

O relatório preliminar aponta para uma sequência de problemas de comunicação antes da operação.

O protocolo determina que a tripulação presidencial entre em contato com a torre de controle antes da decolagem do Marine One. Com o aviso, pousos e decolagens podem ser interrompidos para garantir a passagem segura do helicóptero presidencial.

Isso não aconteceu como previsto.

Segundo a investigação, houve duas tentativas de comunicação. A primeira não chegou à torre e a segunda foi recebida de maneira fragmentada e incompreensível. Sem receber corretamente o aviso, o controlador autorizou a decolagem do avião comercial.

Falha de comunicação entre aeronaves leva NTSB a abrir investigação.

Avião recebeu alerta durante a subida

A tripulação do avião comercial relatou que o sistema anticolisão emitiu um alerta de tráfego durante a subida. Os pilotos, porém, disseram não ter conseguido localizar visualmente o helicóptero naquele momento.

Dados preliminares ainda estão sendo analisados para estabelecer a distância mínima definitiva entre as aeronaves. Por isso, diferentes estimativas de distância aparecem nos relatos iniciais sobre o episódio.

Veja também:

Governo Trump suspende agendamento de entrevistas para vistos de imigrantes em todo o mundo

Mudança na operação da Casa Branca pode ter contribuído

Outro detalhe chamou a atenção dos investigadores.

Por causa de obras na Casa Branca, operações do helicóptero presidencial haviam sido temporariamente deslocadas para o Ellipse, área próxima à sede do governo americano.

Depois do incidente, técnicos verificaram problemas relacionados à cobertura de rádio naquela região. A Administração Federal de Aviação dos Estados Unidos transferiu equipamentos de comunicação e realizou novos testes.

O que acontece agora?

A investigação continua sob responsabilidade das autoridades americanas, com participação de diferentes órgãos.

O trabalho deverá determinar a distância exata entre as aeronaves, reconstruir as comunicações realizadas naquele dia e identificar quais fatores provocaram a perda de separação.

O objetivo das investigações de segurança aérea é identificar causas e evitar que episódios semelhantes voltem a acontecer.

ENTENDA O CONTEXTO

O incidente ganha ainda mais atenção porque ocorreu nas proximidades do Aeroporto Ronald Reagan, região que já havia passado por mudanças nas regras de tráfego aéreo depois da colisão entre um avião comercial e um helicóptero militar Black Hawk, em janeiro de 2025. O acidente deixou 67 mortos.

No episódio envolvendo Trump, não houve colisão nem feridos. O presidente seguiu viagem, assim como os passageiros do voo comercial.

Agora, o Brasil participa da investigação por causa da origem do projeto da aeronave comercial — e não porque autoridades brasileiras sejam apontadas como responsáveis pelo incidente.

Mais Lidas do NC News:

Nova crise na família Bolsonaro? Eduardo ataca Michelle e coloca campanha de Flávio em risco

Juiz que prendeu Deolane é ameaçado durante audiência com integrantes de facção em SP

Carregar Comentários