No início de Março, a Confederação Israelita do Brasil divulgou nota oficial declarando apoio a Israel diante das operações militares conduzidas pelos Estados Unidos contra o regime iraniano, com participação israelense e aliados da região e da Europa.
No comunicado, a entidade afirma que o cenário atual é consequência de décadas de política externa iraniana baseada, segundo a CONIB, na hostilidade contra Israel, no financiamento de grupos armados e na desestabilização do Oriente Médio.
Enquanto a posição institucional foi tornada pública no Brasil, em Israel a percepção de quem vive sob os alertas de guerra ajuda a dimensionar o clima dentro do país.
Nota defende direito de autodefesa e critica regime iraniano
No texto divulgado, a CONIB sustenta que o regime iraniano é hoje um dos principais patrocinadores estatais do terrorismo, citando o apoio a organizações como Hamas, Hezbollah e os Houthis.
A entidade reforça que é fundamental diferenciar o governo iraniano de sua população. Segundo a nota, o povo do Irã também seria vítima da repressão interna, com milhares de mortos em confrontos recentes.
A confederação reafirma ainda o direito de Israel de combater o terrorismo e garantir a segurança de seus cidadãos.
“Não é preventiva, é emergencial”, diz brasileira que vive em Israel
A visão institucional encontra eco no relato da psicóloga brasileira Márcia Kelner Polusuk, que mora em Israel e acompanha a escalada militar diretamente do país.
Em entrevista, ela relatou que a população israelense vive dias de tensão, com alertas constantes de mísseis e deslocamentos frequentes para bunkers — estruturas feitas de concreto para proteger contra bombardeios.
“Nós estamos aqui numa situação muito complicada, são mísseis a cada 10 minutos”, relatou.
“Israel acompanhou os Estados Unidos”
Segundo Marcia, Israel não liderou a atual ofensiva, mas acompanhou a entrada dos Estados Unidos no conflito.
“Israel não agiu, Israel acompanhou os Estados Unidos. Quando o mundo inteiro deveria ter feito a mesma coisa. O Irã está sofrendo massacre há dois meses (…) Então, para começar, é uma situação humanitária mundial. Para terminar, acompanhar os Estados Unidos é a coisa mais sensata que Israel fez. E que o mundo deveria estar fazendo.”, declarou.
Para ela, o ataque não pode ser classificado como preventivo. “Se fosse preventivo, não teria acontecido a desgraça que está acontecendo lá.”
Márcia também cita que Israel se vê diretamente ameaçado pelo avanço do programa nuclear iraniano.
Ela também acusa o governo iraniano de utilizar armamentos proibidos contra território israelense, incluindo munições de fragmentação.
Crise humanitária no Irã
A psicóloga sustenta que o Irã enfrenta um cenário de violência interna há meses, com milhares de mortos em meio a confrontos e repressões.
Ela também criticou o que considera omissão de parte da comunidade internacional.
“Se o mundo está frio em relação a isso, a gente tem um problema sério, seríssimo de conduta, de caráter”.
A moradora de Israel teceu críticas à ONU (Organização das Nações Unidas) e à UNRWA (Agência das Nações Unidas de Assistência aos Refugiados da Palestina no Próximo Oriente) ao citar que elas “desfocaram completamente” e “se filiaram ao fundamentalismo islâmico”.
Vida em bunkers e o sistema de defesa
Durante a entrevista, Marcia relatou que a população tem seguido protocolos rígidos de segurança. Segundo ela, o sistema de defesa antimísseis israelense — conhecido como Iron Dome — tem sido essencial para reduzir vítimas.
Ela afirma que a rotina está completamente alterada, impossibilitando a rotina dos trabalhadores.
Críticas à postura internacional
Marcia também criticou posicionamentos de países que optaram por neutralidade diplomática. A psicóloga cita o Brasil e faz críticas diretas.
“Quando o Brasil diz que vai se manter imparcial, isso não é imparcialidade. Ele está se aliando a forças de ditadores e fundamentalistas”, afirmou.
“É uma ameaça global”
Para a psicóloga, o conflito ultrapassa as fronteiras do Oriente Médio.
“Nós estamos sendo vítimas desse regime há muito tempo. O mundo também, só que o mundo prefere ficar cego, surdo e mudo e esperar o próximo capítulo. Não tenham dúvida, o próximo capítulo vem e ele não vem só para Israel ou para os Estados Unidos, ele vem para o planeta. Fundamentalismo islâmico é um problema para o mundo”, declarou.
Apesar do cenário de insegurança, Marcia diz que mantém esperança.
“É um povo que nos ensina o tempo inteiro, eu, como brasileira, aprendo com eles a ser resiliente, a não reclamar, a entender que o melhor vem por aí, a lutar pela vida, a ser solidário.”
Ela finalizou convidando brasileiros a conhecerem Israel após o fim do conflito. “Eu recomendo, se Deus quiser, quando acabar com a guerra, todo mundo que está me ouvindo nesse momento, visitar Israel, é a terra santa mesmo, e nós temos muito respeito pela religião de todos, são todos muito bem incluídos, respeitados.”