Tenente-coronel é preso por suspeita de integrar esquema que fazia segurança de diretores de empresa investigada por elo com o PCC

José Henrique Martins Flores era o único dos quatro PMs denunciados que ainda estava solto; segundo o Ministério Público, grupo usava estrutura empresarial para dar aparência legal aos pagamentos pelos serviços de segurança.
Redação NC News
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Um tenente-coronel da Polícia Militar de São Paulo foi preso neste domingo (30) sob suspeita de integrar um esquema que fazia segurança particular para diretores da Transwolff, empresa de ônibus investigada por suposta ligação com o Primeiro Comando da Capital (PCC).

José Henrique Martins Flores era o único dos quatro policiais militares denunciados pelo Ministério Público de São Paulo que ainda estava em liberdade. Ele se apresentou espontaneamente depois que a Justiça Militar expediu o mandado de prisão.

Segundo a denúncia do Ministério Público, o grupo teria usado treinamento, armamento e a própria credibilidade da Polícia Militar para oferecer proteção particular a dirigentes da empresa.

A Transwolff foi alvo da Operação Fim da Linha, investigação que apurou suspeitas de lavagem de dinheiro ligada ao PCC.

 

Como funcionava o esquema?

De acordo com o Ministério Público, os policiais atuavam em uma estrutura organizada para prestar segurança aos empresários.

O capitão Alexandre Paulino Vieira é apontado como coordenador operacional. Caberia a ele organizar escalas, recrutar policiais, negociar os serviços e manter contato com os dirigentes da empresa.

Já o tenente-coronel José Henrique Martins Flores teria ficado responsável pela parte administrativa e financeira.

Segundo a acusação, Flores administrava empresas de segurança registradas em nome de parentes, que seriam usados como “laranjas”, e teria autorizado a emissão de notas fiscais para dar aparência legal aos pagamentos.

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PMs faziam segurança particular

Ainda segundo a denúncia, policiais militares, incluindo agentes ligados à Rota, eram escalados para proteger os executivos da empresa.

A acusação afirma que o grupo atuava desde 2020 e continuou prestando os serviços mesmo depois de surgirem alertas sobre possíveis vínculos entre dirigentes da empresa e pessoas relacionadas ao PCC.

Em determinado momento, policiais teriam sido orientados pelo comando da corporação a abandonar a atividade particular.

Segundo o Ministério Público, porém, os serviços continuaram.

Contrato aumentou depois da Operação Fim da Linha
Outro ponto que chamou atenção dos investigadores foi a evolução dos pagamentos.

Segundo a denúncia, o contrato de segurança previa inicialmente R$ 30.905 por mês.

Um dia depois da deflagração da Operação Fim da Linha, o valor teria subido para R$ 42.513,43.

Em janeiro de 2025, chegou a R$ 44.639,10.

Para o Ministério Público, a continuidade da prestação do serviço mesmo depois da operação é um dos elementos que sustentam a acusação.

R$ 1,18 milhão foi encontrado na casa de um dos PMs
A investigação também levou os policiais até a casa do sargento reformado Nereu Aparecido Alves.

No local, foram apreendidos R$ 1,18 milhão em dinheiro vivo.

Nereu também foi denunciado e é acusado de lavagem de dinheiro, além de organização criminosa.

A defesa, porém, afirma que ele não fazia parte de uma organização criminosa e sustenta que o dinheiro pertencia a um empresário para quem o policial prestava serviços.

Quais crimes são investigados?

Os quatro policiais foram denunciados por organização criminosa. Flores e o capitão Alexandre Paulino Vieira também são acusados de exercício de comércio por oficial, em razão da suposta administração de empresas utilizadas na estrutura investigada.

Nereu responde ainda por lavagem de dinheiro.

As acusações ainda serão analisadas pela Justiça. A denúncia do Ministério Público não representa uma condenação, e os policiais terão direito à defesa durante o processo.

Empresa é investigada por ligação com o PCC
A Transwolff aparece em investigações que apuram uma possível utilização de empresas de transporte público para lavagem de dinheiro ligada ao PCC.

A empresa foi alvo da Operação Fim da Linha, deflagrada em 2024 pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco).

A investigação levou à prisão de dirigentes e colocou sob suspeita a estrutura financeira de empresas do transporte coletivo de São Paulo.

A Transwolff nega envolvimento com atividades criminosas.

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ENTENDA O CONTEXTO

A prisão do tenente-coronel José Henrique Martins Flores é mais um desdobramento das investigações sobre a relação entre policiais militares, empresas de segurança privada e dirigentes da Transwolff.

Segundo o Ministério Público, policiais usavam a experiência e a estrutura da corporação para fazer segurança particular de empresários enquanto uma das empresas protegidas era investigada por suspeita de ligação com o PCC.

Flores era o último dos quatro PMs denunciados que ainda estava solto e se apresentou à Justiça Militar neste domingo.

O caso agora será analisado judicialmente, e as acusações ainda precisam ser comprovadas ao longo do processo.

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