Tenente-coronel é preso por suspeita de integrar esquema de segurança para diretores de empresa de ônibus

Militar seria responsável pela estrutura administrativa e financeira de serviço particular investigado pelo Ministério Público
Redação NC News
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O tenente-coronel José Henrique Martins Flores, da Polícia Militar de São Paulo, foi preso no domingo (30) por suspeita de integrar uma organização criminosa que teria prestado segurança particular para diretores da Transwolff, empresa de ônibus investigada por suspeita de lavagem de dinheiro ligada ao Primeiro Comando da Capital (PCC). Flores era o único dos quatro policiais militares denunciados pelo Ministério Público de São Paulo (MPSP) que ainda estava solto. Ele se apresentou espontaneamente após a Justiça Militar expedir o mandado de prisão.

Segundo a denúncia, o esquema utilizava policiais militares, treinamento e armamento da própria corporação para realizar a proteção privada de executivos da empresa. A acusação sustenta que a atividade ocorria paralelamente às funções oficiais dos agentes e que uma estrutura empresarial teria sido utilizada para dar aparência de legalidade aos pagamentos.

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Tenente-coronel seria responsável pela parte administrativa

De acordo com o Ministério Público, José Henrique Martins Flores teria ocupado uma posição de destaque na organização investigada. Ele seria responsável pela gestão administrativa e financeira das empresas utilizadas para formalizar os serviços de segurança.

Ainda segundo a denúncia, empresas teriam sido registradas em nome de parentes do militar, que seriam utilizados como “laranjas” para dificultar a identificação dos verdadeiros responsáveis pela estrutura.

A acusação afirma também que notas fiscais teriam sido emitidas para criar uma aparência de legalidade para os pagamentos recebidos pelos serviços.

A defesa do tenente-coronel deverá se manifestar no decorrer do processo.

Outros três policiais já estavam presos

Flores era o quarto policial militar denunciado pelo MPSP no caso. Os outros três já estavam presos preventivamente desde fevereiro, segundo informações divulgadas sobre a investigação.

Entre eles está o capitão Alexandre Paulino Vieira, apontado como coordenador operacional do esquema. Segundo a denúncia, ele seria responsável por recrutar policiais, organizar escalas, negociar os serviços e manter contato com os dirigentes da Transwolff.

Também foram denunciados os sargentos Alexandre Aleixo Romano Cezário e Nereu Aparecido Alves, apontados como responsáveis pela escolta armada e pela vigilância dos executivos da empresa.

Policiais faziam segurança particular

Segundo a acusação, agentes da Polícia Militar, incluindo integrantes da Rota, eram escalados para proteger os diretores da Transwolff.

O Ministério Público afirma que os envolvidos utilizavam conhecimentos, treinamento e equipamentos associados à atividade policial para realizar um serviço privado de segurança.

A investigação aponta que o esquema teria começado em 2020 e continuado mesmo depois de surgirem alertas sobre possíveis vínculos entre empresários ligados à empresa e pessoas relacionadas ao PCC.

Em determinado momento, os policiais teriam sido orientados pelo comando da corporação a abandonar a atividade particular. De acordo com a denúncia, porém, o serviço teria continuado.

Contrato aumentou após operação contra a empresa

Outro ponto que chamou atenção dos investigadores foi a evolução dos valores pagos pelo serviço de segurança.

Segundo a denúncia, o contrato previa inicialmente R$ 30.905 por mês. Um dia depois da deflagração da Operação Fim da Linha, em 2024, o valor teria subido para R$ 42.513,43.

Em janeiro de 2025, o pagamento teria chegado a R$ 44.639,10.

Para o Ministério Público, a continuidade do serviço e o aumento dos valores mesmo após a operação são elementos importantes para a investigação.

A Operação Fim da Linha apurou suspeitas de que empresas do transporte coletivo de São Paulo teriam sido utilizadas para lavagem de dinheiro ligada ao PCC.

R$ 1,18 milhão foi encontrado na casa de policial

As investigações também levaram os agentes até a residência do sargento reformado Nereu Aparecido Alves.

No imóvel, os investigadores encontraram R$ 1,18 milhão em dinheiro vivo, valor que passou a integrar as apurações sobre possíveis movimentações financeiras relacionadas ao caso.

A defesa de Nereu contesta a acusação de participação em organização criminosa. Os advogados afirmam que o dinheiro pertenceria ao empresário Ricardo Barnabé, para quem o policial prestaria serviços.

Segundo a defesa, documentos foram apresentados para comprovar a relação profissional entre os dois e a origem do dinheiro ainda não teria sido devidamente analisada no inquérito.

Transwolff é investigada por suspeita de ligação com o PCC

A empresa de ônibus Transwolff aparece em investigações que apuram uma possível utilização do setor de transporte público para lavagem de dinheiro relacionada ao Primeiro Comando da Capital.

A companhia foi alvo da Operação Fim da Linha, deflagrada em 2024 pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco).

As investigações levaram à prisão de dirigentes e colocaram sob suspeita a estrutura financeira de empresas que atuavam no transporte coletivo da capital paulista.

A Transwolff nega envolvimento com atividades criminosas.

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Militar se apresentou à Justiça

Depois que a Justiça Militar expediu o mandado, José Henrique Martins Flores se apresentou espontaneamente às autoridades.

Ele foi encaminhado para o Presídio Militar Romão Gomes, onde permanece detido.

A prisão preventiva ocorre enquanto a Justiça analisa as acusações apresentadas pelo Ministério Público.

O fato de Flores ter se apresentado encerrou a situação de único denunciado entre os quatro policiais que ainda permanecia em liberdade.

Investigação busca esclarecer estrutura do esquema

A partir da prisão do tenente-coronel, a investigação poderá avançar na análise da estrutura empresarial supostamente utilizada pelos policiais.

Os investigadores deverão avaliar documentos, contratos, movimentações financeiras e outros elementos para identificar como os pagamentos eram feitos e qual era a participação de cada envolvido.

Também deverá ser analisado se outros agentes públicos ou empresários participaram do esquema.

A atuação de policiais em segurança privada também deverá ser examinada sob a perspectiva disciplinar, já que o caso envolve possíveis desvios cometidos por integrantes da corporação.

Acusações ainda serão analisadas pela Justiça

Apesar das prisões e das acusações apresentadas pelo Ministério Público, os investigados não podem ser considerados culpados antes de uma decisão judicial definitiva.

A denúncia será analisada durante o processo, e os acusados terão direito à defesa e ao contraditório.

O caso reúne suspeitas de organização criminosa e, para alguns dos policiais, outras acusações relacionadas à administração das empresas utilizadas na estrutura investigada. Nereu também responde por suspeita de lavagem de dinheiro.

A prisão de Flores representa mais um desdobramento das investigações sobre a relação entre policiais militares, segurança privada e empresários ligados à Transwolff.

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