Acre lidera taxa de feminicídios no Brasil e expõe desafios no combate à violência contra mulher

Dados nacionais indicam que o estado tem uma das maiores taxas do país
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O Acre aparece entre os estados com os índices mais elevados de feminicídio no Brasil, segundo levantamento do Fórum Brasileiro de Segurança Pública.

Em 2025, o estado registrou taxa de 3,2 casos para cada 100 mil mulheres, a maior do país. O número coloca o Acre à frente de Rondônia e Mato Grosso do Sul e evidencia a gravidade da violência letal contra mulheres na região Norte.

O avanço desses crimes está ligado a mudanças mais amplas na dinâmica da violência no país. Enquanto os homicídios em geral vêm apresentando queda em alguns estados, os assassinatos de mulheres motivados por violência de gênero continuam persistindo, principalmente dentro de casa.

Diferentemente da violência urbana tradicional, que costuma ser enfrentada por políticas de segurança pública mais convencionais, os feminicídios estão profundamente relacionados a desigualdades estruturais, relações abusivas e padrões culturais de dominação masculina.

Especialistas apontam que muitos desses casos são resultado de um histórico de agressões e ameaças que já eram conhecidos por instituições de segurança ou justiça.

Isso indica dificuldades na interrupção do ciclo de violência antes que ele chegue ao desfecho fatal.

Problemas na articulação da rede de proteção, demora nas respostas institucionais e fragilidades no acompanhamento das vítimas contribuem para agravar o cenário.

Medida protetiva

Outro dado que chama atenção é que parte das vítimas de feminicídio já havia buscado ajuda do sistema de justiça. Entre 2021 e 2025, cerca de 25% das mulheres assassinadas no Acre possuíam Medida Protetiva de Urgência em vigor.

A proporção é bem superior à média nacional, que ficou em 13,1%. O indicador demonstra que, apesar da existência de instrumentos legais para proteger mulheres ameaçadas, em muitos casos as medidas não conseguem impedir a escalada da violência.

Nos últimos anos, o Brasil ampliou o conjunto de leis voltadas ao enfrentamento da violência de gênero.

Além da Lei Maria da Penha, que completa duas décadas em 2026, novas legislações passaram a reconhecer diferentes formas de agressão contra mulheres, incluindo violência psicológica, perseguição e descumprimento de medidas protetivas.

O feminicídio também foi consolidado como crime específico no Código Penal, com penas mais severas.

Mesmo com esse arcabouço jurídico mais robusto, especialistas avaliam que o principal desafio está na implementação efetiva dessas políticas.

Isso inclui o monitoramento de agressores, o acompanhamento contínuo de vítimas em risco e a integração entre polícias, justiça, assistência social e serviços de saúde.

Em diversos estados brasileiros, unidades especializadas de policiamento passaram a atuar diretamente no acompanhamento de mulheres com medidas protetivas, realizando visitas periódicas e mantendo contato direto com as vítimas.

Essas iniciativas, conhecidas como Patrulhas Maria da Penha ou rondas especializadas, têm mostrado potencial para reduzir riscos ao identificar sinais de agravamento da violência antes que ocorram crimes mais graves.

Além do acompanhamento presencial, alguns estados passaram a utilizar tecnologias como tornozeleiras eletrônicas para monitorar agressores e dispositivos de alerta para vítimas.

Embora representem avanços importantes, essas ferramentas ainda enfrentam limitações de alcance e não substituem o acompanhamento humano, considerado essencial para garantir proteção efetiva às mulheres em situação de risco.

No Acre, os dados reforçam a necessidade de fortalecer políticas de prevenção, ampliar a rede de apoio e melhorar os mecanismos de resposta rápida às denúncias.

Autoridades defendem que enfrentar o feminicídio exige não apenas ações de segurança pública, mas também políticas sociais e educacionais capazes de transformar padrões culturais e reduzir desigualdades que sustentam a violência de gênero.

Veja aqui o levantamento completo.

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