O deputado federal Danilo Forte (CE) anunciou na última quinta-feira (5) que disputará, de forma independente, uma vaga no Tribunal de Contas da União (TCU) destinada à Câmara dos Deputados. Na mesma ocasião, ele também comunicou sua saída do União Brasil.
A decisão de deixar o partido ocorreu após a legenda não endossar sua candidatura ao cargo. Forte classificou a condução do processo interno como uma “enrolação”. Durante uma coletiva realizada na Câmara, o parlamentar formalizou o pedido de desfiliação da sigla.
“Eu não sou do jogo da enrolação, eu sou do jogo da ação concreta e do compromisso com a responsabilidade. Então, se o partido fez um cronograma. Se eu tive a paciência de esperar a execução orçamentária. Se por diversas vezes tive várias reuniões com líder do partido e o partido mesmo assim não conseguiu ter uma definição clara, não cabe a mim de novo continuar nesse jogo de enrolação”, disse.
O deputado Danilo Forte já havia manifestado interesse em concorrer à vaga aberta no Tribunal de Contas da União após a aposentadoria do ministro Aroldo Cedraz. Dentro do União Brasil, porém, ele disputava espaço com o ex-líder da bancada Elmar Nascimento (BA).
De acordo com Forte, a definição acabou ficando nas mãos do presidente da sigla, Antonio Rueda, que optou por não declarar apoio à sua candidatura.
Forte é considerado um dos principais representantes da ala do partido que faz oposição ao governo do presidente Lula (PT). Ao oficializar sua candidatura ao TCU, o parlamentar afirmou que pretende reforçar o papel do Legislativo e encerrar o que chamou de “postura de subserviência” diante do Executivo no controle do Orçamento.
Ele também criticou a direção do partido por, segundo ele, favorecer o candidato apoiado pelo governo na disputa.
O nome defendido pelo governo é o do ex-líder da bancada Odair Cunha (PT-MG). O presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), teria articulado um acordo que previa apoio ao petista para a vaga no TCU em troca do respaldo da bancada em sua eleição para a presidência da Casa em 2025.
A negociação, no entanto, acabou gerando insatisfação entre integrantes da base de Motta ao longo do primeiro ano de gestão, já que alguns parlamentares afirmaram não ter sido consultados sobre o compromisso de apoiar o candidato do PT.
No mês passado, o deputado Hélio Lopes (PL-RJ), aliado do ex-presidente Jair Bolsonaro, também anunciou candidatura ao tribunal com o apoio do PL.