Escola no Acre desenvolve projeto de Escola flutuante para encurtar trajetos para estudantes ribeirinhos

Intenção do projeto é diminuir distância entre comunidades encurtando em até 7 horas o caminho.
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No Acre, onde muitos estudantes ainda dependem dos rios para chegar à escola, a rotina pode incluir até sete horas de viagem de barco por dia. Foi diante desse desafio que alunos e professores da Escola Campos Santa Fé, em Porto Acre, desenvolveram o projeto de uma escola flutuante, apresentado durante a 11ª Mostra do Viver Ciência.

O professor Ricardo Santos destaca como a longa jornada impacta o aprendizado.
“Estamos falando de alunos que passam três horas e meia em um barco. Eles já chegam cansados. Reduzir esse percurso é facilitar a vida dos estudantes e da educação como um todo. A educação transforma vidas, e aproximar a escola do aluno melhora até o entendimento dos conteúdos”, afirma.

Escola no Acre desenvolve projeto de Escola flutuante para encurtar trajetos para estudantes ribeirinhos

A proposta nasce com um objetivo claro: garantir o acesso à educação mesmo diante das variações do clima e das condições naturais, que frequentemente isolam comunidades inteiras.

Vencedor da etapa municipal, o projeto agora disputa a fase estadual do Viver Ciência. Ele também foi inscrito no SEBRACE, em São Paulo, e busca se tornar realidade, inspirado em modelos já existentes em outras áreas da Amazônia.

O aluno Andrei Venicius explica que a iniciativa quer lançar luz sobre um problema antigo.
“Queremos mostrar uma forma real de enfrentar as dificuldades de infraestrutura no Acre, especialmente nas zonas rurais. A escola flutuante surge como alternativa. Primeiro fizemos o protótipo com material reciclável: refeitório, salas e, na parte superior, a cabine com placas de Arduino e sistemas robóticos que controlam o funcionamento. Colocamos LEDs frontais, sensores ultrassônicos, motores e o Geroflex”, detalha.

Na região, a navegação é constantemente prejudicada por troncos, cachoeiras, períodos de seca e de cheia. Por isso, o projeto pode redefinir a rotina de alunos e professores.

Ricardo reforça a importância social da proposta:
“A ideia é manter o barco em regiões próximas aos estudantes e também aos professores. É romper o ciclo de isolamento — físico e social. Mostrar ao aluno que ele pode ir além, viajar, estudar, se formar e alcançar novos caminhos. Esse é o nosso papel.”

A Escola Campos Santa Fé espera que o projeto avance e, em breve, possa atender comunidades ribeirinhas, oferecendo uma educação mais acessível e adaptada à realidade amazônica.

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