O caso envolvendo o banqueiro Daniel Vorcaro ganhou novos desdobramentos e passou a atingir figuras influentes da política nacional.
Investigações sobre supostas irregularidades no Banco Master revelaram contatos e relações do empresário com lideranças de diferentes espectros políticos. O jornal Estado de Minas listou alguns nomes.
Desde a liquidação da instituição financeira, o episódio tem provocado troca de acusações entre aliados do governo e integrantes da oposição, enquanto autoridades federais apuram possíveis fraudes e influência política nos negócios do banco.
Proposta de CPI no Senado encontra resistência
Diante da dimensão do escândalo, parlamentares chegaram a apresentar uma proposta de Comissão Parlamentar de Inquérito para investigar o caso no Senado.
No entanto, o presidente da Casa, Davi Alcolumbre, já indicou que não pretende autorizar a instalação da comissão neste momento, o que tem gerado críticas de parte da oposição.
Relações políticas atravessam diferentes partidos
As investigações e documentos analisados pela Polícia Federal apontam que Vorcaro mantinha interlocução com lideranças políticas de vários partidos e regiões do país.
Ciro Nogueira e articulação no Congresso
O senador Ciro Nogueira aparece em mensagens trocadas com o banqueiro. Em conversas obtidas pelos investigadores, Vorcaro teria se referido ao parlamentar como um “grande amigo”.
O senador também apresentou no Congresso um projeto que ampliaria o valor garantido aos correntistas pelo Fundo Garantidor de Créditos (FGC). A proposta ficou conhecida nos bastidores como “emenda Master”. O parlamentar afirma não ter cometido qualquer irregularidade.
Antônio Rueda e contatos durante evento esportivo
Outro nome citado é o de Antônio Rueda. Registros de mensagens indicam que o banqueiro teria oferecido transporte em helicóptero ao dirigente partidário durante o Grande Prêmio de Fórmula 1 realizado em São Paulo em 2024.
Governadores e investimentos de fundos públicos
A investigação também alcança gestões estaduais por causa de aplicações financeiras realizadas por fundos de previdência.
No Rio de Janeiro, o nome do governador Cláudio Castro surgiu após a análise de investimentos feitos pelo fundo previdenciário estadual no Banco Master.
Órgãos de controle investigam se os aportes ocorreram de forma adequada. O governo estadual afirma que abriu procedimento interno para avaliar os fatos.
O governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha, também foi citado após a tentativa de aquisição de participação do Banco Master pelo BRB.
Ibaneis reconheceu que se reuniu com Vorcaro, mas declarou que o encontro não tratou diretamente da negociação.
Relações com o governo federal
O episódio também chegou ao Palácio do Planalto. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva confirmou ter recebido Vorcaro em 2024. Segundo o chefe do Executivo, a reunião foi solicitada pelo ex-ministro da Fazenda Guido Mantega, que atuava como consultor do banco.
De acordo com Lula, o encontro teve caráter institucional e tratou de questões relacionadas ao sistema financeiro. O presidente afirmou que o governo não interferirá nas investigações.
Nome de ministros e autoridades também aparece no caso
O escândalo também alcançou o Judiciário e órgãos federais. Entre os nomes citados nas apurações estão os ministros do Supremo Tribunal Federal Alexandre de Moraes e Dias Toffoli, mencionados em documentos e registros analisados pelos investigadores.
Além disso, o atual ministro da Justiça Ricardo Lewandowski confirmou ter prestado serviços de consultoria ao Banco Master após deixar o Supremo.
Doações eleitorais e campanha de 2022
A rede de relações também inclui episódios ligados às eleições de 2022.
O ex-presidente Jair Bolsonaro recebeu uma das maiores doações de campanha de um empresário ligado à família de Vorcaro.
O mesmo grupo também realizou repasses para a campanha do atual governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas.
Já o deputado Nikolas Ferreira admitiu ter utilizado uma aeronave associada ao banqueiro durante viagens de campanha, mas afirmou desconhecer a ligação do avião com Vorcaro na época.
Investigações continuam
O caso segue sob investigação da Polícia Federal e de órgãos de controle. As apurações tentam esclarecer se houve irregularidades na atuação do banco, influência política nas operações financeiras e possíveis prejuízos a fundos públicos.
Enquanto isso, o escândalo continua gerando repercussão em Brasília e ampliando a pressão por maior transparência sobre a relação entre instituições financeiras e agentes políticos.