Karina Ferreira da Gama, produtora do filme Dark Horse, tornou-se um dos principais nomes investigados pela Polícia Federal nesta quinta-feira (10). A empresária foi alvo de busca e apreensão na operação que apura suspeitas envolvendo recursos de emendas parlamentares destinados ao Instituto Conhecer Brasil (ICB), organização presidida por ela.
A operação, autorizada pelo ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), cumpriu 49 mandados de busca e apreensão em São Paulo, Rio de Janeiro, Ceará e Distrito Federal. O deputado federal Mário Frias (PL-SP), que destinou emendas ao ICB, também está entre os alvos.
As investigações apuram suspeitas de desvio de recursos públicos, contratação irregular de empresas e possível lavagem de dinheiro. Até o momento, não há condenação contra Karina ou os demais investigados.
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Empresária está à frente da produtora
Karina Gama é dona da Go Up Entertainment, empresa ligada à produção de Dark Horse, cinebiografia sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro.
A produtora já estava no radar das autoridades antes da operação desta quinta. Em junho, a Polícia Civil de São Paulo realizou uma operação em endereços relacionados à empresa e a uma secretaria municipal para investigar possíveis irregularidades envolvendo um contrato da Prefeitura de São Paulo.
O caso envolve um contrato de R$ 108 milhões firmado entre a administração municipal e o Instituto Conhecer Brasil para a oferta de internet gratuita em comunidades carentes. A investigação busca esclarecer se parte dos recursos foi desviada e se houve ligação com a produção do filme.

Instituto recebeu emendas parlamentares
Além da atuação na produtora, Karina preside o Instituto Conhecer Brasil, entidade que recebeu recursos de emendas parlamentares.
Um dos parlamentares que destinou verba ao instituto foi Mário Frias. Segundo as investigações, o deputado enviou R$ 1 milhão para um programa de empreendedorismo no interior de São Paulo. A PF afirma que o projeto não chegou a ser executado.
A suspeita investigada é de que recursos recebidos pela organização tenham sido direcionados posteriormente a empresas subcontratadas sem comprovação adequada dos serviços prestados.
A investigação aponta ainda movimentações financeiras de grande volume entre empresas relacionadas ao esquema. Entre os crimes apurados estão peculato, falsidade documental, lavagem de dinheiro, organização criminosa e crimes licitatórios.

Karina também aparece em outra investigação
O nome da produtora aparece ainda em uma investigação conduzida pela Polícia Civil de São Paulo relacionada ao financiamento e à estrutura financeira de Dark Horse.
A apuração envolve empresas e recursos que passaram por diferentes estruturas empresariais antes de chegar à produção do longa. O caso também se conecta a investigações sobre valores movimentados pelo ex-banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master.
Em outra frente, sob relatoria do ministro André Mendonça no STF, a Polícia Federal apura transferências relacionadas ao financiamento do filme. Essa investigação é diferente da operação deflagrada nesta quinta-feira.
Produtora nega irregularidades
Após ser alvo da operação, Karina Gama afirmou que a aplicação dos recursos foi feita de maneira correta.
Em declaração divulgada nesta quinta-feira, a produtora disse que não teria irregularidades a revelar e negou ter cometido os crimes investigados.
As afirmações ainda serão confrontadas com os documentos e elementos reunidos pela Polícia Federal durante as buscas.
A operação desta quinta-feira faz parte de uma investigação que também conta com a participação da Controladoria-Geral da União (CGU) e recebeu o nome de “Make Up”.

O que a PF investiga
De acordo com a Polícia Federal, a investigação aponta para uma possível organização formada por agentes públicos e privados que teria direcionado recursos para empresas subcontratadas de maneira irregular.
A corporação afirma que as suspeitas envolvem contratos sem comprovação da efetiva prestação dos serviços e tentativas de ocultar ou dissimular os recursos.
Ao todo, 29 pessoas são investigadas na operação, que alcançou diferentes estados. As buscas procuram documentos, equipamentos e outros elementos que possam ajudar a esclarecer o caminho percorrido pelo dinheiro.
O fato de Karina Gama, Mário Frias ou qualquer outro alvo ter sido submetido a busca e apreensão não significa, por si só, que tenha cometido os crimes investigados.
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Entenda O Contexto
O filme Dark Horse, que retrata a trajetória do ex-presidente Jair Bolsonaro, passou a ser alvo de diferentes investigações relacionadas à origem e à movimentação dos recursos utilizados em sua produção.
Uma das frentes apura emendas parlamentares destinadas ao Instituto Conhecer Brasil, presidido por Karina Gama, enquanto outra investiga transferências relacionadas ao financiamento do longa. A produtora Go Up Entertainment, de Karina, também aparece em uma investigação da Polícia Civil de São Paulo envolvendo contratos públicos.
Nesta quinta-feira, a Polícia Federal ampliou as diligências e cumpriu 49 mandados de busca e apreensão em quatro unidades da Federação. As apurações ainda estão em andamento e os investigados são considerados inocentes até eventual decisão judicial definitiva.
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