Os pais de Benício Freitas, menino de 6 anos que morreu após receber adrenalina por via intravenosa em uma unidade de saúde de Manaus, falaram nesta sexta-feira (28) sobre a rotina da família antes da internação.
Emocionados, eles descreveram lembranças do dia em que o filho foi levado ao hospital depois de apresentar uma crise de tosse.
O pai da criança relatou que ainda encontra dificuldade para reconstruir os acontecimentos.
Segundo ele, Benício estava bem horas antes do atendimento, brincando e interagindo normalmente com os familiares.
“A gente lembra de cada detalhe. São memórias que não saem da cabeça”, contou, chorando ao recordar os últimos instantes com o filho.
A mãe do menino também compartilhou um dos registros mais simbólicos daquele dia: Benício havia realizado uma tarefa escolar em casa pouco antes de ser levado para o hospital.
Ela mantém o material guardado como memória dos momentos vividos em família.
“Ele fez a tarefinha direitinho, mostrou pra mim com orgulho. Nunca imaginei que seria a última vez que veria ele assim”, relatou.
Investigação apura falha no protocolo de atendimento
O caso é investigado pela Polícia Civil do Amazonas, que apura se houve erro no procedimento médico.
Em depoimento, a técnica de enfermagem responsável pela aplicação admitiu ter administrado adrenalina diretamente na veia e alegou que a ação foi realizada sob orientação da médica responsável pelo atendimento.
A substância, conforme protocolos, é usualmente utilizada em nebulização para crises respiratórias simples, e não por via intravenosa — prática considerada de risco e utilizada apenas em situações específicas e controladas.
A médica e a técnica de enfermagem foram ouvidas na Delegacia Especializada na manhã desta sexta-feira (28).
‘Investigadores analisam prontuários, laudos e depoimentos de profissionais e familiares para esclarecer as circunstâncias da morte.
O caso segue sob responsabilidade da equipe policial, que busca determinar se houve negligência ou conduta irregular durante o atendimento médico.