Após morte de trabalhador, Governo cancela árvore de Natal no Largo São Sebastião

Governo do Amazonas cancela montagem da árvore de Natal no Largo São Sebastião após a morte de um trabalhador
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A tradicional árvore de Natal do Largo de São Sebastião, no Centro de Manaus, não será montada neste ano.

O anúncio foi feito pelo Governo do Amazonas e pela Secretaria de Cultura e Economia Criativa (SEC), após o acidente ocorrido no último domingo (23), que deixou um trabalhador morto e outro ferido durante a montagem da estrutura.

De acordo com o Governo, a decisão busca respeitar os profissionais envolvidos e prestar solidariedade às famílias afetadas, além de reforçar o compromisso com a segurança das equipes técnicas.

Antes prevista para inaugurar em 30 de novembro, a decoração natalina foi adiada para o dia 8 de dezembro, permanecendo até 6 de janeiro de 2026.

Em substituição à árvore, o Largo receberá uma proposta cenográfica alternativa, com módulos instagramáveis e elementos decorativos que mantenham o clima festivo de forma acolhedora e segura para turistas, moradores e artistas que frequentam o espaço cultural.

Relembre o acidente

O acidente ocorreu por volta das 10h de domingo (23), quando um guindaste tombou durante a montagem da base da árvore.

O impacto derrubou parte da estrutura metálica, atingindo os trabalhadores Antônio Paulo Rodrigues de Souza, 40 anos, que morreu no local, e Henes Libório Ramos, 47, que ficou ferido.

Segundo o laudo do Instituto Médico Legal (IML), a vítima fatal sofreu edema cerebral, hemorragia craniana e traumatismo decorrentes da queda. Henes permanece internado com fratura na perna.

Imagens registradas por pessoas no local mostram o momento do tombamento da máquina e viralizaram nas redes sociais, intensificando o debate sobre segurança em obras públicas.

Operador do guindaste foi preso

Conforme a Polícia Civil, o operador do guindaste, Antônio Benjamin, havia sido contratado para apenas um dia de serviço e estava afastado pelo INSS recebendo auxílio-doença.

O delegado Marcelo Martins, do 24º Distrito Integrado de Polícia (DIP), afirma que o homem não possuía habilitação para operar o equipamento:

“É uma pessoa que não tinha habilitação e nem condições para estar trabalhando”, declarou o delegado, apontando falhas na contratação.

A polícia também investiga a atuação de um auxiliar durante a operação.

CREA-AM aponta irregularidades

O Conselho Regional de Engenharia e Agronomia do Amazonas (Crea-AM) informou que já havia fiscalizado o local na semana anterior e autuou uma empresa sem registro profissional.

A vistoria identificou ainda a ausência de Anotações de Responsabilidade Técnica (ARTs) para as operações com guindaste e falta de um plano de rigging, exigido para atividades de içamento.

Além disso, o Iphan determinou a paralisação dos trabalhos ao verificar que o projeto de ornamentação ainda estava em avaliação técnica e sem autorização prévia para intervenções no entorno do Teatro Amazonas, patrimônio histórico nacional.

A empresa Cenart Arquitetura Artística, responsável pelo projeto, manifestou pesar pela morte do trabalhador e solidariedade à família.

Já a Transmuller Aluguel de Máquinas, que forneceu o guindaste, afirmou que o operador possuía qualificações atualizadas e que atuou somente no fornecimento do equipamento e da mão de obra.

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