A decisão do governo dos Estados Unidos de permitir temporariamente a comercialização de petróleo da Rússia gerou reação negativa de autoridades da União Europeia e do presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky.
A medida foi adotada pela gestão do presidente Donald Trump com o objetivo de ampliar a oferta global de energia e conter a alta nos preços do petróleo após a escalada de tensões no Oriente Médio.
Zelensky alerta para impacto na guerra da Ucrânia
Durante viagem oficial a Paris, onde se encontrou com o presidente francês Emmanuel Macron, Zelensky afirmou que a decisão pode fortalecer economicamente Moscou.
Segundo o líder ucraniano, permitir a venda de petróleo russo retido em navios pode gerar receitas bilionárias para o governo de Vladimir Putin, o que poderia prolongar o conflito militar iniciado em 2022.
Para ele, qualquer flexibilização nas sanções dificulta os esforços para alcançar uma solução diplomática para a guerra.
União Europeia critica decisão unilateral
O presidente do Conselho Europeu, António Costa, também demonstrou preocupação com a iniciativa americana.
Em publicação nas redes sociais, ele afirmou que a decisão foi tomada sem diálogo prévio com os aliados europeus. Segundo Costa, manter a pressão econômica sobre Moscou é fundamental para forçar negociações que levem ao fim do conflito na Ucrânia.
Autorização libera milhões de barris de petróleo
A flexibilização foi formalizada pelo Departamento do Tesouro dos Estados Unidos, que concedeu uma licença temporária para a venda de cargas de petróleo russo que já estavam embarcadas antes de 12 de março.
A autorização vale até 11 de abril e pode colocar no mercado cerca de 100 milhões de barris, quantidade equivalente a aproximadamente um dia do consumo mundial.
A medida busca reduzir a pressão sobre os preços da energia, que dispararam após o agravamento da crise no Oriente Médio.
Conflito no Oriente Médio pressiona mercado global
O cenário de instabilidade aumentou depois dos ataques realizados por Israel e pelos Estados Unidos contra o Irã, seguidos de reações de Teerã.
O risco de interrupções no transporte marítimo no Estreito de Ormuz — rota por onde passa cerca de 20% do petróleo mundial — elevou a preocupação entre investidores e governos.
Como reflexo, o petróleo Brent crude oil, referência internacional de preços, superou a marca de US$ 100 por barril, atingindo o maior patamar em quase quatro anos.
Medidas emergenciais tentam conter disparada da energia
Além da autorização para vender o petróleo russo que estava parado no mar, os Estados Unidos também anunciaram a liberação de 172 milhões de barris de sua reserva estratégica.
A ação faz parte de um esforço coordenado com a Agência Internacional de Energia, que avalia liberar até 400 milhões de barris para equilibrar o mercado global.
Apesar das medidas, analistas apontam que o alívio nos preços pode ser temporário, já que as tensões geopolíticas continuam afetando o fornecimento mundial de energia.