O lançamento do 59º Festival de Parintins, realizado no Teatro Amazonas, em Manaus, marcou o início da contagem regressiva para o espetáculo que acontece nos dias 26, 27 e 28 de junho, no Bumbódromo, em Parintins. Mas além da agenda cultural, o evento também revelou uma movimentação política que vai além do folclore.
O prefeito Mateus Assayag confirmou a articulação que garantiu R$ 15 milhões para o festival de 2026. O recurso foi viabilizado em agenda em Brasília com participação do senador Eduardo Braga, do deputado federal Saullo Vianna e com apoio do senador Omar Aziz. Do total assegurado, R$ 10 milhões serão destinados diretamente aos bois-bumbás Boi Caprichoso e Boi Garantido, responsáveis pelos espetáculos apresentados na arena do festival. Outros R$ 5 milhões devem ser aplicados em melhorias na infraestrutura turística da cidade. A comitiva também passou por ministérios do governo federal.
No Ministério do Turismo, o grupo foi recebido pelo ministro Gustavo Feliciano. Depois seguiu para o Ministério de Portos e Aeroportos, onde tratou com o ministro Silvio Costa Filho de melhorias para o aeroporto da cidade. A agenda incluiu ainda reunião com o secretário especial da Presidência, Gerson Bittencourt. O festival segue sendo o principal motor econômico de Parintins. A cada edição, movimenta comércio, turismo, serviços e gera milhares de empregos temporários. Não por acaso, o evento passou a ocupar também um espaço relevante na estratégia política das lideranças do estado. Nos bastidores, a articulação conjunta de Braga, Omar e Saullo revela mais do que apoio institucional ao festival. Mostra a tentativa de manter presença política em uma região estratégica do Amazonas.
O Baixo Amazonas sempre teve peso eleitoral importante e a aproximação com a prefeitura de Parintins ajuda a fortalecer vínculos com lideranças locais e com o eleitorado da região. Esse movimento ganha ainda mais significado quando se observa o cenário de 2026. A disputa pelas duas vagas ao Senado promete ser uma das mais concorridas da história recente do estado. De um lado, nomes tradicionais como Omar Aziz e Eduardo Braga seguem com forte presença política.
De outro, novas articulações começam a surgir no campo da direita e também dentro de grupos ligados ao governo estadual. Nesse contexto, cada agenda pública, cada investimento anunciado e cada aparição conjunta passa a ter leitura política. O Festival de Parintins, além de patrimônio cultural da Amazônia, também se transforma em vitrine de alianças e sinalizações para o eleitorado.
Coluna — Davidson Cavalcante