A nova pesquisa Genial/Quaest mostra que a disputa entre Lula (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) não está restrita às intenções de voto. O levantamento também mediu como os eleitores enxergam características pessoais dos principais candidatos, incluindo a percepção de honestidade.
Segundo os dados divulgados nesta quarta-feira (16), 49% dos entrevistados consideram Luiz Inácio Lula da Silva desonesto, enquanto 42% fazem a mesma avaliação sobre Flávio Bolsonaro.
No sentido contrário, 28% consideram Lula honesto, enquanto 23% atribuem essa característica a Flávio.
A pesquisa foi realizada presencialmente entre os dias 10 e 13 de setembro, com 2.004 eleitores, e possui margem de erro de dois pontos percentuais, para mais ou para menos, com nível de confiança de 95%. O levantamento está registrado no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob o número BR-03607/2026.
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O que os números mostram
O dado revela uma percepção negativa de ambos os candidatos quando os entrevistados são questionados especificamente sobre honestidade.
No caso de Lula, a parcela que o considera desonesto é de 49%, contra 28% que o classificam como honesto. Já entre os eleitores que avaliaram Flávio Bolsonaro, 42% disseram considerá-lo desonesto e 23% o veem como honesto.
A pesquisa não transforma essas respostas em uma avaliação objetiva sobre a conduta dos candidatos. Trata-se de uma percepção declarada pelos entrevistados.
O levantamento também mostra que uma parcela dos eleitores não se sente suficientemente informada para avaliar alguns dos demais nomes testados.
Entre Augusto Cury (Avante), Ronaldo Caiado (União Brasil), Renan Santos (Missão) e Romeu Zema (Novo), mais de 77% dos entrevistados afirmaram não conhecê-los o suficiente para emitir uma opinião sobre suas características pessoais.

Diferenças regionais chamam atenção
A percepção sobre Lula varia de maneira significativa conforme a região do país.
No Sudeste, 61% dos entrevistados disseram considerar o presidente desonesto. No Nordeste, o percentual cai para 32%.
Entre os eleitores de 16 a 34 anos, 55% atribuíram a Lula a característica de desonestidade. Entre os entrevistados mais velhos, o índice ficou em 40%.
Também há diferença de acordo com a religião declarada pelos entrevistados: 59% dos evangélicos consideram Lula desonesto, contra 45% dos católicos.
No caso de Flávio Bolsonaro, o comportamento regional é diferente. A maior percepção de desonestidade aparece no Nordeste, com 55%, enquanto o índice fica em 32% no Norte e Centro-Oeste.
Entre católicos, 45% consideram Flávio desonesto. Entre evangélicos, o percentual é de 33%.
No grupo dos eleitores independentes, 55% consideram Lula desonesto e 41% têm a mesma percepção sobre Flávio.
Dado aparece em meio à disputa apertada
A percepção sobre os candidatos é divulgada em um momento de forte disputa nos levantamentos eleitorais.
Na própria pesquisa Quaest, Lula aparece com 36% das intenções de voto no primeiro turno, seguido por Flávio Bolsonaro, com 31%. Augusto Cury registra 7%, enquanto Ronaldo Caiado e Renan Santos aparecem com 4% cada.
No segundo turno entre Lula e Flávio, o levantamento registrou 42% para o senador e 40% para o presidente. A diferença, entretanto, está dentro da margem de erro de dois pontos percentuais, caracterizando empate técnico.
O levantamento ouviu os eleitores antes da sessão do STF realizada em 15 de setembro, que terminou sem decisão sobre a investigação envolvendo Alexandre de Moraes e foi marcada por fortes divergências entre ministros. Portanto, os dados não podem ser utilizados para medir eventual impacto da sessão sobre a opinião dos eleitores.

Rejeição continua elevada
A pesquisa também mostra que os dois principais nomes da disputa carregam índices elevados de rejeição.
Em outro recorte divulgado a partir da mesma rodada, 55% dos entrevistados afirmaram que não votariam em Lula de jeito nenhum, enquanto o mesmo percentual declarou rejeição a Flávio Bolsonaro.
O índice de rejeição de Lula oscilou de 53% para 55% em relação ao levantamento anterior, enquanto o percentual atribuído a Flávio permaneceu em 55%.
Isso ajuda a explicar por que a avaliação da imagem dos candidatos ganhou importância na leitura da pesquisa: além da intenção de voto, o eleitorado também apresenta percepções negativas relevantes sobre os dois nomes que aparecem à frente nas simulações eleitorais.
Outras pesquisas apresentam cenários diferentes
Os números da Quaest precisam ser analisados dentro do conjunto de pesquisas divulgadas no mesmo período.
Levantamento CNT/MDA realizado entre 9 e 13 de setembro, por exemplo, apresentou Lula com 40,6% e Flávio com 30,4% no primeiro turno. Em uma simulação de segundo turno, Lula aparece com 47,3%, contra 40% de Flávio. A pesquisa ouviu 2.002 pessoas e tem margem de erro de 2,2 pontos percentuais.
A diferença entre os levantamentos está relacionada, entre outros fatores, às datas de campo, metodologia, questionário e amostra de cada instituto. Por isso, números de pesquisas diferentes não devem ser tratados como se fossem uma única medição.
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Entenda O Contexto
A pesquisa Quaest divulgada nesta semana apresenta um retrato da percepção do eleitorado sobre os principais nomes da eleição presidencial de 2026. O levantamento combina intenção de voto com perguntas relacionadas à imagem dos candidatos, permitindo observar não apenas quem aparece à frente nas simulações, mas também como os entrevistados enxergam características atribuídas a cada político.
No recorte de honestidade, Lula registra 49% de avaliações negativas e 28% de positivas. Flávio Bolsonaro aparece com 42% de avaliações negativas e 23% de positivas. A diferença não significa, por si só, uma conclusão sobre a conduta de nenhum dos dois candidatos, mas registra como o eleitorado respondeu à pergunta feita pela pesquisa.
O cenário eleitoral permanece marcado por forte polarização. Na Quaest, Lula lidera numericamente o primeiro turno, enquanto Flávio aparece numericamente à frente em uma simulação de segundo turno, dentro da margem de erro. Outros levantamentos divulgados no mesmo período apresentam resultados diferentes, reforçando a necessidade de considerar metodologia, período de coleta e margem de erro antes de comparar diretamente os números.
Com a eleição se aproximando, indicadores de intenção de voto, rejeição e percepção sobre os candidatos passaram a ocupar espaço central nas pesquisas. No caso de Lula e Flávio, os dados da Quaest mostram dois nomes com níveis elevados de avaliação negativa e uma disputa que, no segundo turno, aparece tecnicamente equilibrada dentro da margem de erro.
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