ONU vira palco de uma disputa que já chegou à eleição brasileira

Ao rejeitar a estratégia de Trump contra PCC e Comando Vermelho, Lula transforma soberania, segurança pública e relação com os EUA em temas de campanha. O movimento também abre espaço para a oposição explorar uma agenda que ganhou peso no eleitorado
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ONU vira palco de uma disputa que já chegou à eleição brasileira. Ao rejeitar a estratégia de Trump contra PCC e o Comando Vermelho, Lula transforma soberania, segurança pública e relação com os EUA em temas de campanha. O movimento também abre espaço para a oposição explorar uma agenda que ganhou peso no eleitorado.

O que está acontecendo na ONU pode parecer, à primeira vista, uma discussão distante do cotidiano do brasileiro. Não é. Quando se fala em PCC, Comando Vermelho, terrorismo e atuação dos Estados Unidos, a discussão chega diretamente a um assunto que o eleitor conhece bem: segurança pública.

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Debate internacional chega ao cenário eleitoral brasileiro

E é justamente aí que a diplomacia começa a se misturar com a política eleitoral brasileira. Quatorze países latino americanos aderiram ao chamado Escudo das Américas, iniciativa liderada pelos Estados Unidos para coordenar ações contra organizações criminosas classificadas por Washington como terroristas. PCC e Comando Vermelho estão entre os grupos citados. O Brasil ficou fora.

Lula não está dizendo que o Brasil não precisa combater as facções. O ponto é outro. O governo brasileiro não quer que a política de segurança do país passe a ser orientada por uma estratégia definida em Washington.

Na prática, o debate ficou mais simples de entender. Uma posição defende uma resposta internacional mais dura porque o crime organizado deixou de ser apenas um problema doméstico. A outra sustenta que o Brasil pode cooperar com outros países, mas precisa continuar decidindo como combater o crime dentro do próprio território.

Segurança pública entra no centro da disputa política

É nesse espaço que entra a política. Segurança pública já ocupa um lugar importante na disputa eleitoral. PCC e Comando Vermelho, portanto, não são apenas nomes de organizações criminosas dentro desse debate. Eles passaram a representar também uma discussão sobre autoridade, segurança, soberania e capacidade de resposta do Estado.

E Lula sabe que esse assunto conversa diretamente com o eleitor. Ao colocar a soberania brasileira no centro da discussão, o presidente tenta transformar uma pressão externa em uma questão política doméstica.

A mensagem é simples: o Brasil pode conversar com os Estados Unidos, pode cooperar, pode trocar informações, mas não precisa receber de outro governo a fórmula para enfrentar o próprio crime organizado.

Oposição vê oportunidade para cobrar respostas

Do outro lado, a oposição encontra uma oportunidade para fazer uma pergunta igualmente simples ao governo: se o crime organizado brasileiro já tem conexões internacionais, por que o Brasil deveria ficar fora de uma articulação internacional contra essas organizações?

É aí que a discussão começa a ganhar temperatura eleitoral.

Trump também usa tema do crime organizado na agenda internacional

Trump também trabalha politicamente com esse tema. O combate ao crime organizado faz parte de uma agenda mais ampla dos Estados Unidos para a América Latina.

Na ONU, o presidente americano voltou a defender uma atuação mais dura contra organizações criminosas e reforçou a aproximação com governos da região.

Nos Estados Unidos, Trump enfrenta pressão política e queda de aprovação. Uma pesquisa Reuters/Ipsos divulgada em setembro apontou 32% de aprovação. Isso ocorre enquanto democratas e republicanos se preparam para a disputa pelo Congresso.

Ainda assim, os republicanos mantêm maioria estreita nas duas Casas, portanto não há base para tratar Trump como um presidente sem força política.

Disputa ultrapassa a diplomacia

No Brasil, o efeito dessa disputa é diferente. Para Lula, o episódio oferece a possibilidade de recolocar soberania nacional e relação com os Estados Unidos no centro do discurso político.

Para a oposição, abre espaço para cobrar respostas mais duras contra o crime organizado.

E é justamente aí que a ONU deixa de ser apenas um endereço diplomático.

Entenda o contexto

Para quem está em casa acompanhando a política, a questão pode ser resumida assim: quem deve dar a resposta ao crime organizado brasileiro, o próprio Brasil ou uma articulação internacional liderada pelos Estados Unidos?

A resposta envolve segurança pública, diplomacia e soberania. Mas também envolve eleição.

Lula está em Nova York como presidente da República. Ao mesmo tempo, cada movimento feito nesse ambiente internacional será observado no Brasil por governo, oposição, partidos e, principalmente, pelo eleitor.

No fim das contas, a disputa não está apenas sobre como chamar PCC e Comando Vermelho. Está sobre quem conseguirá convencer o brasileiro de que tem a resposta mais adequada para um problema que deixou de caber apenas dentro das fronteiras do país.

E essa discussão, agora, já entrou no calendário político brasileiro.

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