Documentos internos da Igreja Batista da Lagoinha, divulgados neste mês, revelam a existência de regras que previam o repasse de 15% da arrecadação bruta das igrejas afiliadas à rede. As atas indicam que a contribuição incidia sobre dízimos e ofertas e era uma das condições para a utilização da marca Lagoinha pelas unidades parceiras.
A divulgação dos documentos ganhou repercussão após a revelação de uma doação de R$ 19 milhões feita pelo empresário Fabiano Zettel à unidade Lagoinha Belvedere, em Belo Horizonte.
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Segundo o conteúdo das atas, as igrejas vinculadas à rede deveriam apresentar relatórios financeiros detalhados, incluindo receitas obtidas por meio de Pix, cartões e dinheiro em espécie. Os documentos também estabeleciam mecanismos de fiscalização e acompanhamento das arrecadações.
As regras previam que o descumprimento das obrigações financeiras ou a falta de prestação de contas poderia resultar em sanções, incluindo multas e até mesmo a desvinculação da igreja da rede.
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A divulgação das atas gerou questionamentos porque o pastor André Valadão, uma das principais lideranças da Lagoinha Global, já havia afirmado publicamente que as igrejas da rede possuíam autonomia financeira e administrativa.
Os documentos, no entanto, apontam para a existência de normas padronizadas relacionadas à arrecadação e à prestação de contas das unidades afiliadas.
Igreja diz que unidades têm autonomia
Após a repercussão do caso, a Igreja Batista da Lagoinha divulgou uma nota esclarecendo o funcionamento da rede.
Segundo a instituição, “cada igreja possui autonomia administrativa, jurídica e financeira, sob responsabilidade de sua presidência local”.
A nota também afirma que os repasses periódicos à Lagoinha Global seguem regras institucionais e têm como finalidade oferecer suporte às igrejas, preservar características institucionais da rede, custear estruturas e profissionais de atuação global, além de financiar ações missionárias e apoiar missionários.
“A contribuição regular incide sobre contribuições, dízimos e ofertas, conforme as regras institucionais”, informou a igreja.
Debate sobre governança
A divulgação dos documentos reacendeu discussões sobre o modelo de governança adotado por grandes redes religiosas no Brasil, especialmente em relação à autonomia das unidades locais e aos mecanismos de contribuição financeira exigidos para utilização de marcas e estruturas organizacionais compartilhadas.
Até o momento, não há informação sobre investigação ou medida judicial relacionada aos documentos divulgados.