O candidato à Presidência da República pelo PL, Flávio Bolsonaro, reagiu à circulação de uma informação falsa que o associava a um suposto projeto para retirar de Nossa Senhora Aparecida o título de Padroeira do Brasil. O conteúdo ganhou força nas redes sociais na noite de quinta-feira (24) e chegou a ser repercutido no programa “Em Pauta”, da GloboNews.
Na madrugada desta sexta-feira (25), a emissora corrigiu a informação durante a “Edição da Meia-Noite”, esclarecendo que não havia ligação entre Flávio e a proposta mencionada. A GloboNews também pediu desculpas pelo erro.
Flávio havia reagido ao episódio ainda na quinta-feira, durante uma agenda em Minas Gerais. Em vídeo publicado nas redes sociais, classificou a informação como falsa e afirmou que não apoiaria uma iniciativa desse tipo.
“É uma mentira que eu teria apoiado algum projeto que fosse retirar Nossa Senhora Aparecida como Padroeira do Brasil. Jamais faria isso.”
O candidato também criticou o fato de a informação ter chegado à televisão e cobrou uma correção pública da emissora.
“Tô esperando o pessoal da GloboNews aí ir ao ar agora, em horário de maior audiência, pra dizer que isso é uma fake news, que não existe absolutamente nada de concreto.”
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Projeto citado nas redes é de 2007 e foi arquivado
A origem da confusão está no Projeto de Lei 2.623/2007, apresentado pelo então deputado federal Professor Victório Galli. A proposta pretendia alterar a legislação referente ao feriado de 12 de outubro, substituindo a expressão “padroeira do Brasil” por “padroeira dos brasileiros católicos apostólicos romanos”.
O projeto foi apresentado em dezembro de 2007 e arquivado pela Câmara dos Deputados em agosto de 2008. Portanto, não se trata de uma proposta apresentada atualmente por Flávio Bolsonaro ou à qual ele tenha sido relacionado formalmente.
Segundo o UOL, trechos da discussão exibida pela GloboNews circularam nas redes fora de contexto e passaram a ser utilizados para atribuir ao candidato uma ligação que não havia sido feita diretamente durante o programa.
Flávio diz respeitar todas as religiões
Ao rebater a informação, Flávio também aproveitou para reafirmar sua posição sobre liberdade religiosa. O candidato declarou ser evangélico, mas disse respeitar outras religiões e afirmou que não caberia ao Estado interferir na condução interna da Igreja Católica.
“Eu sempre respeitei todas as religiões. Todos sabem que eu sou cristão, que eu sou evangélico, mas que eu respeito todas as religiões.”
Na sequência, Flávio criticou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) por declarações recentes relacionadas à Igreja Católica e ao celibato dos padres.
“Agora, não dá pra vocês acreditarem que o Lula virou cristão agora, né? É sempre a cada quatro anos ele vira cristão e frequenta igreja. Comigo não, eu vivo isso, respeito todas as religiões, jamais vou falar pra Igreja Católica a forma que os padres têm ou não, que conduzir a sua igreja católica.”
O candidato completou:
“Isso não é papel do Estado se meter na igreja como o Lula faz.”
Flávio também atribuiu a circulação da informação a adversários políticos. Ao comentar o episódio, afirmou:
“A milícia do PT se ocupou rapidamente espalhar essa mentira. Aliás, o PT chegou ao poder pela mentira, e a gente vai tirar o PT do governo com a verdade.”
A afirmação sobre a autoria da desinformação é uma acusação feita pelo próprio candidato e não foi apresentada, nas fontes consultadas, como fato comprovado.
GloboNews reconheceu o erro
A correção da GloboNews foi exibida durante a madrugada. A emissora explicou que a informação havia sido distorcida nas redes sociais e esclareceu que a proposta citada era antiga e não tinha relação com Flávio Bolsonaro.
O episódio ganhou repercussão justamente porque ocorreu em meio à campanha presidencial e envolveu um tema de forte apelo religioso. A associação entre Flávio e a retirada do título de Nossa Senhora Aparecida passou a circular antes que a correção da emissora fosse divulgada.
O contexto da declaração religiosa
A polêmica ocorre semanas depois de Flávio Bolsonaro ter declarado que, caso fosse eleito presidente, um de seus primeiros atos seria “decretar que o Brasil é do Senhor Jesus Cristo”. A declaração foi dada em agosto, durante uma discussão sobre sua ausência em um debate.
A fala foi interpretada no debate público como uma sinalização ao eleitorado evangélico. Já a atual controvérsia surgiu a partir da associação, feita nas redes, entre esse posicionamento religioso e o antigo projeto de 2007 sobre Nossa Senhora Aparecida — associação que a GloboNews posteriormente corrigiu.
Entenda O Contexto
A polêmica começou a partir de uma discussão exibida na GloboNews na noite de quinta-feira (24). A comentarista Maria Cristina Fernandes mencionou um suposto movimento envolvendo setores evangélicos e um projeto relacionado ao título de Nossa Senhora Aparecida. A fala, segundo o UOL, foi posteriormente retirada de contexto nas redes sociais e passou a ser apresentada como se Flávio Bolsonaro estivesse diretamente ligado à proposta.
O projeto que acabou associado ao candidato, porém, é o PL 2.623/2007, apresentado pelo então deputado Professor Victório Galli. A proposta pretendia modificar a redação da legislação referente ao feriado de 12 de outubro e foi arquivada pela Câmara em 2008. Não há, segundo a apuração publicada pelo UOL, relação entre o texto e Flávio Bolsonaro.
A GloboNews reconheceu o erro e pediu desculpas. Flávio, por sua vez, utilizou o episódio para reafirmar que é evangélico, mas diz respeitar outras religiões, e para criticar adversários políticos pela circulação da informação.
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