O cenário político do Amazonas para 2026 segue indefinido, mas longe de ser desorganizado. O governador Wilson Lima optou por manter o jogo em aberto, administrando expectativas e testando alternativas dentro e fora de sua base. A movimentação mais recente em Parintins reaqueceu uma dúvida que parecia encerrada desde o início de março, quando o governador afirmou que não disputaria uma vaga ao Senado. Nos bastidores, no entanto, a política raramente opera em linha reta. A declaração do vice-governador Tadeu de Souza, ao apontar Wilson como seu candidato ao Senado, não foi interpretada como um gesto isolado. Ao contrário, funcionou como sinalização estratégica, típica de um grupo que ainda calibra seus próximos passos. Wilson reagiu dentro do padrão que vem adotando. Negou a candidatura, mas evitou qualquer posicionamento definitivo. Esse tipo de movimento, no ambiente político, preserva margem de manobra e mantém aliados e adversários em estado de observação. Ao mesmo tempo, o governador deixou escapar um indicativo relevante. Tadeu de Souza segue como nome viável do grupo para a disputa ao governo. A sinalização reforça a ideia de continuidade, mas também revela que o desenho final ainda depende de encaixes mais amplos. O peso dessa decisão ultrapassa o cenário local. Wilson hoje lidera, no Amazonas, uma federação partidária formada por União Brasil e Progressistas, duas forças com forte presença no Congresso Nacional. Esse fator amplia a pressão por protagonismo. Em Brasília, lideranças como Antonio Rueda e Ciro Nogueira não trabalham com a hipótese de participação secundária em estados estratégicos. Dentro dessa lógica, a candidatura de Wilson ao Senado aparece como caminho natural. Ele tem densidade política e estrutura partidária para isso. Ainda assim, optou por apresentar outra equação. Em conversas reservadas, especialmente com Rueda, explicou as razões para não entrar na disputa neste momento e passou a trabalhar alternativas. Entre elas, surgem nomes como Roberto Cidade e Rodrigo de Sá como possíveis opções ao Senado. Ao mesmo tempo, mantém Tadeu no radar principal para o governo. Outro movimento que chama atenção é a abertura de diálogo com atores fora do núcleo direto da base. A aproximação com Omar Aziz, por exemplo, foi percebida em Brasília como um recado claro. O governador busca ampliar sua margem de negociação e evitar ficar restrito a um único arranjo político. O resultado é um tabuleiro ainda em construção. Wilson concentra as peças mais relevantes e controla o ritmo do jogo. Tadeu avança como opção viável, enquanto partidos e lideranças nacionais observam com expectativa e alguma impaciência. A decisão final ainda não foi tomada. Mas há um ponto consolidado. O comando do processo está nas mãos do governador. E, por ora, ele segue jogando para manter todas as possibilidades abertas.
Coluna — Davidson Cavalcante