Um casal denunciou ter sido vítima de agressões e ofensas homofóbicas após sair de uma festa realizada no prédio da Reitoria da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), na Cidade Universitária, na Zona Norte do Rio. O episódio aconteceu por volta das 23h de sexta-feira (18), após o evento conhecido como “Pizzada”.
As vítimas são Guilherme Couto e Pablo Dominguez. Segundo o relato divulgado pelo casal nas redes sociais, os dois estavam acompanhados de uma amiga quando um homem se aproximou, esbarrou em um deles e iniciou provocações. Eles afirmam que, na sequência, foram proferidas ofensas homofóbicas e começaram as agressões físicas.
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Casal relata socos e chutes durante agressão
De acordo com o relato das vítimas, a situação começou quando o homem esbarrou em Guilherme e passou a provocá-lo. Pablo afirmou que o agressor utilizou um termo homofóbico antes de a situação evoluir para violência física.
Guilherme relatou que acabou no chão e foi atingido por chutes. Segundo ele, havia várias pessoas ao redor durante a agressão. Outras pessoas que estavam no local teriam aparecido posteriormente para tentar interromper a confusão.
O casal conseguiu se afastar, mas afirma ter encontrado novamente integrantes do grupo durante o caminho para deixar o local. Guilherme tentou identificar e registrar em vídeo pessoas que, segundo as vítimas, haviam participado do primeiro episódio. Uma nova confusão teria começado nesse momento.
Fotos e vídeos publicados posteriormente nas redes sociais mostraram ferimentos atribuídos pelas vítimas às agressões sofridas naquela noite.
Caso foi registrado na Polícia Civil
Depois do episódio, Guilherme e Pablo procuraram a polícia e passaram por exame de corpo de delito.
A ocorrência foi inicialmente registrada na 44ª DP (Inhaúma) e posteriormente encaminhada para a 37ª DP (Ilha do Governador), responsável pela área onde ocorreu o caso. A Polícia Civil informou que realiza diligências para esclarecer as circunstâncias e identificar os envolvidos.
A investigação deverá apurar tanto as agressões relatadas quanto a denúncia de motivação homofóbica apresentada pelo casal. Até a conclusão das diligências, os relatos das vítimas permanecem sob apuração policial.
UFRJ diz que festa não tinha autorização
A Universidade Federal do Rio de Janeiro informou que tomou conhecimento, por meio das redes sociais, tanto do evento quanto das denúncias de violência.
Segundo a instituição, a festa realizada no Edifício Jorge Machado Moreira, onde funciona a Reitoria, não havia sido autorizada pela administração da universidade. A UFRJ também informou que não havia recebido uma denúncia formal sobre o episódio até o posicionamento divulgado sobre o caso.
O fato de a festa ter ocorrido em um prédio da universidade, portanto, não significa que o evento tenha sido organizado ou autorizado oficialmente pela UFRJ.
A universidade possui políticas institucionais de enfrentamento à discriminação e à violência. Em manifestações públicas recentes, setores da UFRJ também reiteraram posicionamento contra práticas de homofobia, transfobia e outras formas de discriminação dentro do ambiente universitário.
Polícia tenta esclarecer participação dos envolvidos
Com o registro da ocorrência e os exames realizados pelas vítimas, a investigação agora busca reconstruir a sequência dos acontecimentos e identificar as pessoas que teriam participado das agressões.
Imagens, vídeos, depoimentos e outros elementos eventualmente obtidos durante as diligências poderão ser utilizados para esclarecer o episódio e determinar responsabilidades.
O caso ganhou repercussão depois que Guilherme e Pablo divulgaram publicamente os relatos e os ferimentos. A Polícia Civil mantém a investigação sobre as denúncias.