Acidente com vice-prefeita de Ribeira causa morte após denúncias

Vice-prefeita de Ribeira falece em acidente durante investigações por irregularidades na saúde municipal.
Redação NC News
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A vice-prefeita de Ribeira, Juliana Maria Teixeira da Costa, 40, morre na manhã deste sábado em um acidente de carro na Estrada do Saltinho, no interior de São Paulo. Ela respondia a acusações de desvio de verba pública e participação em um esquema de fraude em licitações da saúde municipal.

Acidente em rodovia corta trajetória política

O carro em que Juliana está sofre o acidente na Rodovia SP-250, em um trecho conhecido como curva do arroz, em Ribeira. As circunstâncias da batida ainda não são detalhadas pelas autoridades, mas a confirmação da morte vem por meio de comunicado oficial da prefeitura.

No texto, a administração municipal descreve um clima de luto generalizado. “Hoje, Ribeira se despede com uma dor difícil de traduzir em palavras”, afirma a nota. Em outro trecho, o governo local ressalta o impacto pessoal da perda: “De uma forma trágica e precoce, nos despedimos de nossa Vice-prefeita Juliana Maria Teixeira, que deixa dois filhos”.

Juliana acumula passagens pela Secretaria de Saúde antes de assumir a vice-prefeitura e se torna uma das figuras mais influentes da política local. A morte interrompe uma carreira construída em torno da gestão da saúde, exatamente a área que agora é alvo do principal escândalo envolvendo seu nome.

Escândalo na saúde expõe desvio para amarração amorosa

O Ministério Público acusa Juliana de integrar, entre 2021 e 2024, uma associação criminosa dedicada a fraudar licitações da saúde em Ribeira. As investigações apontam uso de notas fiscais falsas, contratos direcionados e desvio de recursos públicos que deveriam bancar serviços básicos para a população.

Dentro desse esquema, a promotoria afirma que a vice-prefeita desvia R$ 41,2 mil dos cofres municipais para pagar uma amarração amorosa, tratada por ela como um “casamento espiritual”. O objetivo seria afastar um homem chamado Lauro da esposa e consolidar uma relação afetiva exclusiva com ele.

O pagamento, segundo a investigação, não é feito diretamente à religiosa contratada, mas passa por um contrato de pregão com a empresa W.F., responsável por fornecer serviços à saúde municipal. A Justiça determina a suspensão desses contratos ao identificar indícios de fraude, o que interrompe o fluxo de pagamentos ligados ao esquema.

A mãe de santo que realiza o trabalho espiritual, conhecida como Mentora Samantha, afirma ter fechado um acordo muito maior. “O valor do trabalho ficou R$ 380 mil. Expliquei para ela que era um sacrifício muito forte, que a espiritualidade ia dar ele por inteiro para ela”, diz. Ela alega prejuízo superior a R$ 300 mil com a interrupção dos repasses.

Luto oficial convive com pressão por respostas

Enquanto a cidade tenta lidar com a notícia da morte da vice-prefeita, o conteúdo do inquérito alimenta indignação. Em um município pequeno, onde cada real da saúde faz diferença, o desvio de R$ 41,2 mil para fins pessoais expõe a fragilidade do sistema de controle dos gastos públicos e atinge diretamente a confiança na administração.

No comunicado em que lamenta a perda, a prefeitura evita qualquer menção às acusações, mas exalta a trajetória política de Juliana. “Sua partida precoce deixa um vazio imenso e nossa cidade órfã de sua presença, de seu sorriso, de sua amizade e da dedicação com que trabalhou por Ribeira”, diz o texto. A nota segue em tom de homenagem: “Ficam os projetos, as conquistas, as histórias compartilhadas e, principalmente, a lembrança de uma mulher que fez diferença na vida de tantas pessoas”.

O governo municipal agradece “cada gesto de carinho, por cada projeto, por cada batalha e por todo o trabalho dedicado ao nosso município”, e afirma que “seu legado permanecerá vivo na história de Ribeira e no coração daqueles que tiveram o privilégio de conhecê-la”. Encerrando, a prefeitura declara: “Neste momento de profunda dor, nos solidarizamos com seus filhos, familiares, amigos e com toda a população ribeirense. Que Deus conforte cada coração e receba Juliana em Seus braços, dando-lhe o descanso eterno. Ribeira jamais te esquecerá, Juliana!”.

Investigação continua mesmo sem a principal acusada

A morte da vice-prefeita não encerra o caso. O Ministério Público mantém o foco na suposta associação criminosa formada para fraudar licitações da saúde entre 2021 e 2024. Outros investigados seguem respondendo por crimes como fraude a licitação, desvio de recursos e uso de notas fiscais falsas.

A empresa W.F., apontada como peça central na engrenagem de contratos suspeitos, permanece com os pregões suspensos por decisão judicial. A medida busca impedir novos prejuízos aos cofres municipais enquanto a responsabilidade de cada envolvido é apurada. A defesa de Juliana ainda não se manifesta publicamente sobre as acusações.

Para a população de Ribeira, o impacto é duplo. De um lado, a perda súbita de uma dirigente política que, para muitos moradores, representa proximidade e acesso ao poder local. De outro, a revelação de que recursos da saúde podem ter sustentado interesses privados, inclusive ligados a práticas espirituais controversas. Em uma rede já pressionada pela falta de estrutura, qualquer valor desviado significa menos exames, remédios e atendimento.

No campo político, o episódio tende a ampliar a cobrança por transparência em contratos e licitações, especialmente na saúde. Vereadores e lideranças locais são pressionados a fortalecer mecanismos de controle e fiscalização, enquanto o Ministério Público avança nas diligências para identificar a extensão dos danos e recuperar valores. A condução desses processos, nos próximos meses, deve definir não apenas o futuro dos investigados, mas também o rumo da gestão municipal e a possibilidade de reconstrução da confiança dos moradores em seus representantes.

O que se sabe sobre o acidente da vice-prefeita?

O acidente que mata Juliana Maria Teixeira da Costa, 40 anos, ocorre na manhã deste sábado na Estrada do Saltinho, trecho da Rodovia SP-250, próximo à curva do arroz, em Ribeira, interior de São Paulo. Ela está em um carro de passeio; autoridades ainda não detalham dinâmica da batida ou eventuais outros envolvidos.

Qual é a acusação contra Juliana na área da saúde?

A acusação contra Juliana Maria Teixeira da Costa aponta que, entre 2021 e 2024, ela integra uma associação criminosa que frauda licitações da saúde em Ribeira e desvia R$ 41,2 mil para pagar uma amarração amorosa. O dinheiro sai de contratos com a empresa W.F., já suspensos pela Justiça por suspeita de fraude.


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