Antônio Fagundes viveu um encontro entre duas pontas de sua trajetória artística neste sábado (26). Aos 77 anos, o ator voltou às lembranças do início da adolescência, quando subiu ao palco pela primeira vez, e também revisitou um dos personagens mais conhecidos de sua carreira na televisão.
Durante participação no “Caldeirão com Mion”, Fagundes foi surpreendido pela presença de Luiz Solon, colega com quem contracenou em sua primeira peça de teatro, há cerca de seis décadas. No mesmo programa, revelou que enfrentou resistência do público e até pedidos para modificar a maneira de falar de Bruno Mezenga em “O Rei do Gado”.
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Primeira peça começou ainda na escola
A história de Fagundes com o palco começou quando ele tinha cerca de 13 ou 14 anos e estudava no Colégio Rio Branco. O primeiro espetáculo foi “A Ceia dos Cardeais”, inicialmente preparado para uma apresentação em sala de aula.
O projeto, porém, cresceu. A peça passou pelo teatro da escola, por uma igreja e até pelo sítio de um dos integrantes. Mesmo adolescente, Fagundes interpretava um personagem de 67 anos.
Depois das primeiras apresentações, ele e os colegas criaram o Grupo Semáforo para continuar fazendo teatro. Entre os jovens que participaram daquela experiência estava Luiz Solon.
Reencontro acontece cerca de 60 anos depois
Fagundes contou que, entre os colegas daquele primeiro trabalho, foi o único que acabou seguindo profissionalmente na dramaturgia. Os outros integrantes tomaram caminhos diferentes, entre eles as áreas de economia e neurologia.
Foi então que Marcos Mion revelou que Luiz Solon estava na plateia. Surpreso, Fagundes se levantou para abraçar o antigo colega, em um reencontro ocorrido cerca de seis décadas depois daquela experiência escolar.
Solon recordou características que já percebia no amigo durante os tempos de colégio, especialmente a capacidade de expressão e a bagagem cultural. O encontro serviu como uma volta ao ponto de partida de uma trajetória que chegaria a seis décadas nos palcos, na televisão e no cinema.
Fagundes também relembra críticas em “O Rei do Gado”
As lembranças avançaram algumas décadas quando o ator falou sobre “O Rei do Gado”, novela exibida originalmente entre 1996 e 1997. Fagundes interpretou Antônio Mezenga na primeira fase e, posteriormente, Bruno Berdinazzi Mezenga, protagonista da história escrita por Benedito Ruy Barbosa.
Para diferenciar os personagens, o ator decidiu trabalhar não apenas a aparência, mas também a maneira de falar. A construção de Bruno Mezenga ganhou uma entonação regional marcante, escolha que provocou reclamações durante a exibição original.
Segundo Fagundes, espectadores diziam que ele parecia falar com “um ovo na boca”. O ator contou que as críticas chegaram à produção e que houve pressão para que alterasse o sotaque do personagem.
Ator decidiu manter a voz de Bruno Mezenga
Mesmo diante da repercussão negativa, Fagundes decidiu não mudar a interpretação. Para ele, retirar aquela característica significaria desmontar uma parte essencial da identidade construída para Bruno Mezenga.
O ator manteve a escolha até o final da novela. Décadas depois, avalia que justamente a maneira de falar se transformou em uma das marcas mais reconhecidas do personagem.
A permanência de “O Rei do Gado” na memória do público também é sustentada pelas reprises. A novela voltou à programação da Globo em diferentes períodos e ganhou uma nova exibição em fevereiro de 2026.
Seis décadas entre o primeiro palco e personagens históricos
O reencontro com Luiz Solon e as lembranças de Bruno Mezenga acabaram reunindo momentos separados por décadas da carreira de Fagundes: o adolescente que começou a atuar em uma atividade escolar e o ator que, anos depois, sustentou uma decisão artística mesmo diante das críticas do público.
Em 2026, Fagundes celebra 60 anos de carreira e segue trabalhando no teatro. Atualmente, integra o elenco de “Dois de Nós”, espetáculo em que divide o palco com Christiane Torloni, Thiago Fragoso e Alexandra Martins.