A uma semana do primeiro turno das eleições de 2026, marcado para 4 de outubro, parte dos brasileiros ainda monta a chamada “colinha” e avalia candidatos para alguns dos seis votos que serão registrados na urna. As maiores dúvidas tendem a se concentrar nas disputas para o Legislativo.
Neste ano, o eleitor escolherá deputado federal, deputado estadual ou distrital, dois candidatos diferentes ao Senado, governador e presidente da República. A quantidade de cargos e de nomes disponíveis ajuda a explicar por que algumas decisões são deixadas para os últimos dias da campanha.
LEIA MAIS
Posso votar no mesmo senador duas vezes? Entenda a regra para as eleições de 2026
Senado concentra decisões na última semana
Uma pesquisa Quaest divulgada em agosto indicou que 32% dos eleitores escolhem o candidato ao Senado na última semana antes da votação. Dentro desse grupo, 14% afirmaram que tomam a decisão somente no dia da eleição.
Na disputa pela Presidência da República, a definição tende a ocorrer mais cedo. Segundo o mesmo levantamento, 20% escolhem o candidato na última semana, enquanto 10% deixam a decisão para o próprio dia da votação.
O comportamento também apareceu em eleições anteriores. Pesquisa Datafolha realizada após o primeiro turno de 2022 apontou que 17% dos entrevistados decidiram o voto para o Senado no dia da eleição. Para a Câmara dos Deputados, o percentual chegou a 18%.
Naquela eleição, a situação foi diferente na corrida presidencial: 81% dos entrevistados afirmaram ter escolhido o candidato à Presidência pelo menos um mês antes de comparecer às urnas.
Quantidade de candidatos dificulta escolha
Para o cientista político Murilo Medeiros, da Universidade de Brasília (UnB), a quantidade de decisões exigidas do eleitor ajuda a explicar o comportamento. Além dos seis votos, existem centenas de candidatos disputando cargos com atribuições diferentes.
A disputa presidencial também costuma receber maior exposição durante a campanha. Já candidatos a deputado e senador dividem a atenção do eleitor entre um número muito maior de concorrentes, o que pode prolongar o processo de escolha.
Conhecer as funções de cada cargo é outro elemento que pode pesar. Deputados federais, deputados estaduais ou distritais e senadores exercem atribuições diferentes, apesar de todos integrarem o Poder Legislativo.
Eleitor terá dois votos para senador
A votação de 2026 tem ainda uma particularidade: serão escolhidos dois senadores em cada estado e no Distrito Federal. Isso ocorre porque dois terços das 81 cadeiras do Senado serão renovados neste ano.
Os dois votos precisam ser destinados a candidatos diferentes. Caso o eleitor digite o mesmo candidato nas duas oportunidades, o primeiro voto será registrado normalmente e o segundo será considerado nulo.
Ao todo, 54 senadores serão eleitos. Diferentemente das disputas para presidente e governador, não existe segundo turno para o Senado: os dois candidatos mais votados em cada unidade da Federação ficam com as vagas.
“Colinha” pode ser levada para a cabine
Com seis escolhas para fazer, o eleitor pode levar uma anotação em papel com os números dos candidatos. A chamada “colinha” pode ser consultada durante a votação e ajuda a evitar esquecimentos ou erros na digitação.
A sequência começa pelo voto para deputado federal. Depois, o eleitor escolhe deputado estadual ou distrital, registra os dois votos para senador e, por último, vota para governador e presidente.
Primeiro turno acontece em 4 de outubro
O primeiro turno será realizado no próximo domingo, 4 de outubro, das 8h às 17h, pelo horário de Brasília. O voto é obrigatório para pessoas de 18 a 69 anos e facultativo para jovens de 16 e 17 anos e pessoas com 70 anos ou mais.
Caso seja necessário segundo turno nas disputas para presidente ou governador, a nova votação ocorrerá em 25 de outubro. Até lá, quem ainda não completou a própria lista de candidatos tem a última semana de campanha para avaliar as opções antes de ir às urnas.