Uma propriedade rural de Pindamonhangaba, no interior de São Paulo, apresentou um balanço de gases de efeito estufa no qual a remoção de carbono superou as emissões associadas à atividade agropecuária. O resultado coloca a Fazenda São Pedro da Mantiqueira na condição de sumidouro de carbono dentro dos critérios considerados no inventário.
O levantamento foi elaborado pela pesquisadora Susian Christian Martins e auditado pela KPMG. A análise incluiu fontes de emissão presentes na rotina da propriedade, como consumo de diesel, fermentação do gado e utilização de fertilizantes, além da quantidade de carbono fixada no solo pelas plantas.
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Inventário compara emissões e remoção de carbono
O cálculo foi realizado com a metodologia GHG Protocol Agropecuário. O objetivo é contabilizar as emissões geradas pela atividade produtiva e compará-las com as remoções consideradas no levantamento, permitindo estabelecer o balanço de gases de efeito estufa da propriedade.
No caso da Fazenda São Pedro da Mantiqueira, o resultado apresentado pelo estudo indica que a quantidade de carbono sequestrada foi superior às emissões contabilizadas, caracterizando a propriedade como um sumidouro de carbono.
Entre as fontes avaliadas estão atividades comuns à produção rural, como a utilização de combustível em máquinas e equipamentos, a fermentação entérica dos animais e a aplicação de fertilizantes.
Carbono armazenado no solo entra na análise
O inventário também levou em consideração o carbono que pode ser fixado no solo por meio das raízes das plantas. Esse componente é utilizado no balanço para comparar as remoções com os gases emitidos durante as atividades da propriedade.
O estudo chama atenção ainda para a profundidade usada nas medições. Enquanto avaliações de carbono no solo podem adotar como referência camadas de até 30 centímetros, na Fazenda São Pedro foram realizadas medições que chegaram a 2 metros.
Os resultados encontrados em camadas mais profundas levantam uma discussão sobre quanto carbono pode estar armazenado abaixo das faixas normalmente consideradas em determinadas metodologias, especialmente em solos tropicais.
Estudo também aborda o chamado carbono efêmero
Outro ponto analisado é o carbono efêmero, relacionado ao fluxo de carbono movimentado anualmente pela atividade agrícola e pela vegetação da propriedade.
Parte desse carbono pode ser absorvida temporariamente pelas plantas e posteriormente retornar ao ciclo. Por isso, o estudo diferencia esse fluxo do armazenamento considerado permanente, evitando tratar toda absorção vegetal como se representasse necessariamente remoção duradoura da atmosfera.
Medição ganha espaço no agronegócio
A contabilização de emissões e remoções de gases de efeito estufa vem ganhando importância no agronegócio à medida que propriedades e empresas buscam mensurar o impacto climático das atividades e identificar práticas capazes de reduzir emissões ou ampliar a captura de carbono.
O caso da Fazenda São Pedro da Mantiqueira mostra como essa avaliação depende não apenas das emissões geradas pela produção, mas também da metodologia adotada para medir o carbono armazenado no sistema produtivo e no solo.
Os resultados apresentados são específicos da propriedade e das condições consideradas no inventário. A classificação de uma fazenda como sumidouro depende do balanço calculado para cada área, das fontes de emissão contabilizadas e das remoções reconhecidas pela metodologia utilizada.