Lula muda o tom da campanha e prepara o último confronto com Flávio. Na reta final, o Planalto tenta recolocar pautas sociais no centro da disputa enquanto o caso Banco Master mantém o STF e Daniel Vorcaro no debate eleitoral. O último debate, marcado para 1º de outubro, pode ser o momento de maior exposição direta entre Lula e Flávio antes da urna.
Nos bastidores da campanha petista, a palavra de ordem mudou. Quem acompanhou o ritmo do Planalto nas últimas semanas sabe que o cenário de tranquilidade inicial deu lugar a um movimento diferente: mais agressivo, mais exposto, mais urgente.
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Entenda o que aconteceu
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva avalia comparecer ao debate presidencial da TV Globo, marcado para o dia 1º de outubro, três dias antes do primeiro turno. A decisão ainda não foi anunciada, mas fontes próximas ao QG petista apontam que a agenda do presidente foi reservada nos dias 30 de setembro e 1º de outubro. Sinal claro de que a porta está aberta.
Por que a campanha petista mudou de postura
E por que a mudança de postura? O raciocínio é simples de acompanhar para quem conhece os corredores do poder. A campanha petista avalia que os recentes anúncios sobre o reajuste do Bolsa Família e as promessas das canetas emagrecedoras no SUS ajudaram a retomar as rédeas das pautas propositivas na disputa.
Por semanas, o noticiário foi dominado pela crise no STF e pelos desgastes envolvendo o entorno do presidente. Os pacotes sociais foram a tentativa de virar essa mesa.
O novo valor do Bolsa Família e o calendário eleitoral
O piso do Bolsa Família passa de R$ 600 para R$ 691, com o valor médio subindo para aproximadamente R$ 777, com início dos pagamentos em outubro, mês em que ocorrem os dois turnos da eleição.
O eleitorado CDE, que sustenta a base de Lula, é o alvo direto dessas medidas. Sem esse segmento coeso, a matemática eleitoral do PT não fecha.
Flávio Bolsonaro cresce nas pesquisas após o caso Master
O problema é que o adversário cresceu. Após a audiência no STF, pesquisas da Quaest e do Datafolha mostram que Flávio Bolsonaro subiu levemente nas intenções de voto no primeiro turno e está em empate técnico com Lula no segundo turno.
O escândalo do caso Master, que muita gente esperava que fosse paralisar o senador, acabou funcionando de forma diferente nas urnas.
A tese de que “Lula é Moraes e Moraes é Lula”
A campanha de Flávio Bolsonaro acompanha de perto os desdobramentos da crise no STF, com a avaliação interna de que a escalada pode respingar diretamente em Lula. O discurso de que “Lula é Moraes e Moraes é Lula” tem penetração real no eleitor indeciso.
Nos bastidores avalia-se que o caso Master é uma faca de dois gumes. De um lado, contamina a imagem do próprio senador junto a uma parcela do eleitorado. Do outro, o STF virou palco de um espetáculo que desgasta a institucionalidade e, por tabela, o governo que se apoia nela.
O episódio dos vistos negados a americanos
A narrativa da suposta interferência dos Estados Unidos nas eleições entra como mais uma peça nesse xadrez. O governo brasileiro negou vistos a dois funcionários norte-americanos que, segundo Lula, seriam enviados para interferir nas eleições, enquanto Washington classificou a visita como de rotina.
Para o Planalto, esse embate serve como válvula de mobilização do eleitorado progressista e reforça o argumento de que Flávio Bolsonaro tem apoio externo. Para a oposição, é mais uma cortina de fumaça.
O que esperar até o dia 4 de outubro
A reta final até o dia 4 de outubro promete novas operações da PF, novos capítulos do caso Master e uma disputa de narrativa cada vez mais intensa. A campanha petista vem aumentando a exposição de Lula e intensificando confrontos diretos com Flávio Bolsonaro em resposta a um mau momento nas pesquisas.
O debate da Globo seria o palco perfeito para esse confronto direto. A grande questão que os bastidores discutem é se Lula aparece para ganhar ou se aparece para não perder. São estratégias bem diferentes. E o eleitor, especialmente aquele que ainda está em aberto, vai perceber a diferença.
Entenda o contexto
O reajuste do Bolsa Família foi anunciado pelo governo em 17 de setembro. O piso passa de R$ 600 para R$ 691 e o benefício médio, de R$ 675 para cerca de R$ 777, com aplicação a partir da folha de outubro.
Na disputa presidencial, a Quaest divulgada em 21 de setembro registrou Flávio Bolsonaro com 42% e Lula com 41% em uma eventual disputa de segundo turno. Foram entrevistados 2.004 eleitores entre 17 e 20 de setembro, com margem de erro de dois pontos percentuais e nível de confiança de 95%. O levantamento está registrado no TSE sob o número BR-06004/2026.
O Datafolha mais recente também registrou proximidade entre os candidatos. Na pesquisa realizada nos dias 22 e 23 de setembro, Lula apareceu com 40% e Flávio com 36% no primeiro turno. Em uma simulação de segundo turno, o levantamento colocou os dois dentro da margem de erro. Foram ouvidos 2.002 eleitores em 125 municípios, com margem de dois pontos percentuais e nível de confiança de 95%. A pesquisa está registrada no TSE sob o número BR-00304/2026.
O caso Banco Master também passou a ocupar espaço relevante na campanha após chegar ao centro de embates envolvendo Flávio Bolsonaro, Daniel Vorcaro e integrantes do Supremo Tribunal Federal. A repercussão política colocou o episódio entre os temas explorados pelas campanhas na reta final.
Outro foco de confronto envolve a relação com os Estados Unidos. O governo brasileiro negou vistos a dois funcionários norte-americanos, enquanto Lula associou a iniciativa a uma tentativa de interferência no processo eleitoral. O governo dos Estados Unidos apresentou versão diferente e classificou a viagem como uma atividade de rotina.