Dois acidentes envolvendo squishies, brinquedos macios que se tornaram populares entre crianças, acenderam um alerta sobre os riscos associados ao uso inadequado do produto. No Rio de Janeiro, duas meninas sofreram queimaduras em ocorrências diferentes. Em um dos casos, a família recebeu a orientação de uma vendedora para colocar o brinquedo no micro-ondas durante alguns segundos com a promessa de deixá-lo mais macio. Depois de aquecido, o objeto parecia estar em condições normais por fora, mas se rompeu quando a criança o apertou. A menina sofreu queimaduras e precisou passar por procedimentos médicos para retirar o tecido lesionado.
O caso brasileiro chama atenção porque o aquecimento de squishies também aparece em vídeos publicados nas redes sociais. A prática pode fazer com que o conteúdo interno do brinquedo fique superaquecido ou seja liberado após o rompimento da superfície.
LEIA TAMBÉM
Inmetro fiscaliza mais de 74 mil produtos durante Operação Festas Juninas
Como aconteceu o acidente no Rio
Segundo a reportagem da Record, a família de uma das meninas comprou o brinquedo em uma feira na Zona Oeste do Rio de Janeiro. A vendedora teria recomendado que o produto fosse colocado no micro-ondas por aproximadamente 30 segundos para ficar mais macio.
Horas depois, o pai seguiu a orientação. O brinquedo não aparentava estar quente quando foi retirado do aparelho. No entanto, ao ser apertado pela criança, acabou se rompendo e provocando as queimaduras.
A ocorrência mostra um dos principais perigos associados aos vídeos que circulam nas redes sociais: uma demonstração aparentemente simples pode esconder riscos que não são perceptíveis imediatamente. O fato de o exterior do brinquedo não aparentar estar quente, por exemplo, não significa que seu conteúdo interno esteja em temperatura segura.
Menina de 10 anos também sofreu queimaduras na Austrália
Um caso semelhante foi registrado na Austrália. Em junho de 2026, Violet Zerbst, de 10 anos, sofreu queimaduras graves no rosto depois de colocar um squishy no micro-ondas e apertá-lo em seguida. A menina ficou uma semana internada em um hospital da Gold Coast.
Segundo o relato publicado pela 7NEWS, a criança havia visto pessoas aquecendo os brinquedos nas redes sociais. O produto acabou explodindo e espalhando o conteúdo superaquecido contra o rosto da menina.
Por que colocar o squishy no micro-ondas é perigoso
A Comissão de Segurança de Produtos de Consumo dos Estados Unidos, a CPSC, alertou em agosto de 2026 para os riscos relacionados a squishies aquecidos em micro-ondas. Segundo o órgão, vídeos publicados na internet mostram brinquedos sendo aquecidos até expandirem, mudarem de textura ou romperem.
O alerta americano afirma que alguns desses brinquedos contêm água, gel, líquidos, pós, areia ou outros materiais em seu interior. Quando a cobertura externa se rompe, o conteúdo pode entrar em contato com a pele ou ser ingerido pela criança.
Por isso, a CPSC recomenda que crianças não tentem reproduzir vídeos que mostram squishies sendo aquecidos, cortados ou perfurados. O órgão também alerta para versões falsificadas ou que não atendem aos requisitos de segurança aplicáveis aos brinquedos infantis.
Alguns modelos têm water beads e podem oferecer outro risco
O problema não se limita às queimaduras. Alguns squishies possuem water beads, pequenas esferas que podem aumentar de tamanho quando entram em contato com líquidos. Se forem engolidas, essas partículas podem provocar obstruções e outras complicações.
Nos Estados Unidos, a CPSC determinou em setembro de 2026 o recolhimento de diferentes modelos de squishy buns que continham water beads consideradas acima do tamanho permitido pelas normas de segurança. Um dos recalls envolveu cerca de 7,2 mil unidades.
O órgão orientou os consumidores a interromper imediatamente o uso dos produtos recolhidos e solicitar o reembolso. Em outro recall divulgado no mesmo período, cerca de 8 mil unidades de um modelo vendido pela Amazon também foram retiradas do mercado por conterem water beads com risco de ingestão.
Inmetro exige certificação para brinquedos vendidos no Brasil
No Brasil, o Inmetro estabelece regras específicas para a comercialização de brinquedos. O órgão informa que os produtos devem ser certificados e registrados de acordo com a regulamentação vigente e apresentar o Selo de Identificação da Conformidade.
O selo deve estar na embalagem ou no próprio brinquedo, conforme o tipo de comercialização, e precisa ser apresentado de forma visível ao consumidor. O registro também pode ser consultado na base oficial do Inmetro.
A recomendação é especialmente importante para produtos vendidos pela internet, em feiras, lojas informais ou por meio de anúncios nas redes sociais. A ausência de certificação significa que o brinquedo não passou pelo processo exigido para sua comercialização regular no país.
Há squishies registrados no Inmetro
A base oficial do Inmetro mostra que existem modelos de squishies com registros ativos no Brasil. Entre eles estão brinquedos classificados como produtos para desenvolvimento afetivo, fabricados com materiais como espuma de poliuretano, TPR e outros componentes.
Isso significa que o alerta não deve ser interpretado como uma proibição geral dos squishies. O cuidado está em verificar se o modelo específico foi certificado, se possui registro e se as orientações de uso e faixa etária estão sendo respeitadas.
Vídeos nas redes sociais aumentam a preocupação
Parte do problema está na circulação de vídeos que mostram diferentes maneiras de modificar os brinquedos. Além de aquecer os squishies, algumas publicações mostram usuários cortando, perfurando ou tentando alterar a textura dos produtos.
A CPSC afirmou que esse tipo de conteúdo pode estimular crianças e adolescentes a repetir experiências sem conhecer os materiais existentes dentro de cada brinquedo. O órgão reforçou que essas demonstrações não devem ser imitadas.
Para os pais e responsáveis, a orientação é não permitir que a criança coloque o brinquedo no micro-ondas, utilize objetos para perfurá-lo ou tente abrir sua embalagem externa. Também é importante interromper o uso caso o produto apresente rasgos, vazamentos ou qualquer alteração.
O que observar antes de comprar um squishy
Antes da compra, o consumidor deve verificar a presença do Selo de Identificação da Conformidade do Inmetro e conferir as informações obrigatórias da embalagem. A faixa etária indicada também precisa ser observada, especialmente quando o produto contém partes pequenas ou materiais que podem ser liberados caso a cobertura seja rompida.
Também é importante seguir exatamente as instruções do fabricante. Uma orientação informal de vendedor ou um vídeo publicado nas redes sociais não substitui as instruções oficiais de uso do produto.
Os acidentes registrados no Brasil e no exterior reforçam a necessidade de atenção justamente porque os squishies têm aparência de brinquedos simples e inofensivos. O risco aumenta quando o produto é aquecido, perfurado, cortado ou utilizado de maneira diferente daquela prevista pelo fabricante.
AS MAIS LIDAS DO NC NEWS
Avanço do mar destrói parte de casa e expõe erosão na Praia do Saco, em Sergipe
Flávio Bolsonaro avalia participar de debate da Globo, mas aguarda decisão de Lula
Luciano Hang não doa a Flávio Bolsonaro em 2026; veja quem financia a campanha