EUA discutem restrições ao diesel e Brasil entra em alerta por dependência das importações

Medida dos EUA pode restringir oferta de diesel e afetar diretamente o mercado brasileiro.
Redação NC News
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A discussão dentro do governo dos Estados Unidos sobre possíveis restrições às exportações de diesel acendeu um alerta no mercado brasileiro. O Brasil depende de importações para atender cerca de 30% do consumo do combustível e tem recorrido com maior intensidade às refinarias americanas em meio às dificuldades no fornecimento global. O presidente Donald Trump defendeu na última semana que sua equipe avaliasse formas de manter mais diesel no mercado americano diante da disparada dos preços. A possibilidade de uma proibição total chegou a ser discutida publicamente, mas integrantes do governo passaram a sinalizar que alternativas menos abrangentes estão em análise e que não há decisão final sobre novas medidas.
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Trump defendeu avaliar restrições às exportações

A discussão ganhou força depois que Trump afirmou, em 22 de setembro, que havia pedido a integrantes do governo que analisassem a possibilidade de restringir as exportações. O movimento ocorre em meio à pressão provocada pelos preços recordes do diesel nos Estados Unidos e às eleições legislativas de novembro.
“Eu disse: ‘Não vamos exportar o diesel. Produzimos muito diesel’. Eu pedi isso à minha equipe.”
A declaração não representou a adoção imediata de uma proibição. A Casa Branca negou posteriormente uma informação de que preparava um bloqueio de 90 dias às exportações, enquanto integrantes do governo passaram a discutir outras formas de ampliar a disponibilidade do combustível no mercado doméstico.

Secretário de Energia rejeita bloqueio total

O secretário de Energia dos Estados Unidos, Chris Wright, posicionou-se contra uma proibição generalizada. Segundo ele, impedir as refinarias de exportar diesel poderia reduzir a atividade de refino e pressionar também os preços da gasolina e do combustível de aviação.
“A ferramenta contundente de proibir as exportações de diesel definitivamente não funciona.”
Wright afirmou que o governo procura formas de aumentar a disponibilidade de diesel nos Estados Unidos sem interromper completamente os embarques. Entre as possibilidades discutidas estão medidas voluntárias com refinarias para alterar parte dos fluxos do combustível. O senador republicano Ted Cruz também informou a representantes da indústria que recebeu garantias da Casa Branca de que as exportações não seriam proibidas. Apesar da sinalização, discussões sobre medidas menos abrangentes continuaram ocorrendo dentro do governo.

Brasil depende do diesel importado

Para o Brasil, o debate americano é relevante porque o país não produz internamente todo o diesel necessário para atender à demanda. Dados da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis mostram que a participação das importações varia ao longo do ano e pode representar aproximadamente 30% da oferta nacional. Em janeiro de 2026, por exemplo, o produto importado correspondeu a 30% da oferta de diesel A registrada pela ANP. Em fevereiro, a participação chegou a 31%. O percentual caiu para 19% em março, mostrando que a dependência externa varia conforme produção, consumo e entrada de cargas. A origem dessas compras também mudou ao longo do ano. A Rússia teve participação relevante no fornecimento ao mercado brasileiro, mas ataques contra refinarias russas e dificuldades nas exportações alteraram o fluxo internacional. Em setembro, segundo a Associação Brasileira dos Importadores de Combustíveis, aproximadamente 80% do diesel importado pelo Brasil estava vindo de refinarias dos Estados Unidos.

Restrição americana poderia dificultar compras brasileiras

Uma eventual redução significativa dos embarques americanos diminuiria as opções disponíveis aos importadores brasileiros em um mercado internacional já pressionado. Isso não significa, porém, que uma restrição provocaria automaticamente desabastecimento ou alta imediata nas bombas. O impacto dependeria do tamanho e da duração da medida, da disponibilidade de cargas de outros países, dos preços internacionais, do câmbio e da capacidade de produção das refinarias brasileiras. Importadores também poderiam buscar fornecedores alternativos caso os volumes americanos diminuíssem. O presidente da Associação Brasileira dos Importadores de Combustíveis, Sérgio Araujo, afirmou que uma eventual proibição dificultaria as operações das empresas brasileiras que dependem das cargas americanas.

Mercado de diesel já enfrenta pressão internacional

A discussão nos Estados Unidos ocorre em um momento de oferta global pressionada pelos conflitos no Irã e na Ucrânia. Ataques contra instalações de energia russas reduziram a disponibilidade de derivados, enquanto a instabilidade no Oriente Médio afeta rotas e fornecedores importantes para o mercado mundial. Nos Estados Unidos, o preço médio do diesel chegou a aproximadamente US$ 6,52 por galão na última semana, segundo dados citados pela Reuters. A alta aumentou a pressão de agricultores, transportadores e parlamentares por medidas capazes de reduzir os custos. Republicanos de estados agrícolas passaram a defender limites às exportações, enquanto representantes da indústria de petróleo argumentam que uma proibição poderia produzir o efeito contrário no médio prazo ao reduzir a atividade das refinarias americanas.

Diesel tem peso direto no transporte brasileiro

No Brasil, mudanças prolongadas no custo internacional do diesel têm relevância principalmente pela dependência do transporte rodoviário. O combustível abastece caminhões responsáveis pelo escoamento de produtos agrícolas, mercadorias e insumos, além de máquinas utilizadas no campo e veículos de diferentes atividades econômicas. Uma eventual alta do custo de importação pode aumentar a pressão sobre a cadeia de combustíveis, mas o repasse ao consumidor não é automático. O preço final depende também da política comercial dos fornecedores, do câmbio, de tributos e das margens de distribuição e revenda.

Decisão sobre exportações ainda não foi tomada

Até esta segunda-feira (28), os Estados Unidos não haviam anunciado uma proibição geral das exportações de diesel. A informação mais recente aponta para discussões sobre alternativas que aumentem a oferta doméstica sem interromper totalmente os embarques internacionais. O mercado brasileiro acompanha essas negociações porque qualquer alteração relevante no fluxo americano pode exigir mudanças na origem das cargas compradas pelos importadores. Por enquanto, porém, não há medida oficial que determine a suspensão das vendas de diesel dos Estados Unidos ao Brasil.
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